Dia 17 de janeiro de 2013, quinta-feira
Aqui estou, no meu quarto, toda queimada do sol, para a minha eterna “felicidade.” Motivo? Hoje eu fui com os meus amigos para a praia, aquela que fica bem perto daqui! Isso mesmo, tenho que aproveitar ao máximo as minhas férias, já que daqui a pouco, quando menos esperar, vou estar na escola, me matando de estudar. Vou para o segundo ano do ensino médio e estou completamente apavorada! Semana passada, fui pegar no colégio a lista dos livros que preciso comprar e quase desmaiei quando comecei a contar quantos serão eles! Enfim, nada de falar sobre estudos e escola agora, porque depois, o assunto vai ser todo esse.
Vou te contar como foi lá na praia: Extremamente divertido! Fomos eu, Juliana, Arthur, Gabriel (para a minha alegria) e Ana! Como sempre, Ana não foi nem um pouco pontual. Ela demora séculos para se arrumar, eu conheço ela. Para a minha surpresa, Ana se interessou muito por um garoto que estava sentado com uns amigos na mesa do lado de onde estávamos! Bom, não posso culpá-la, ele era simplesmente MUITO atraente. Parecia irmão gêmeo do Malik. Eu até que teria tentado a sorte, mas como ela o viu primeiro, fiquei na minha. Mais tarde soube que ele tinha namorada. Ana ficou bem pra baixo, mas eu consegui animá-la novamente. Enquanto eu, Gabriel, Arthur e Juliana fomos dar um mergulho, ela acabou descobrindo isso. Ela foi para o mar logo em seguida nos encontrar. Voltamos para e mesa e ela estava com os braços cruzados e toda emburrada.
- Aconteceu alguma coisa, Ana? – Perguntou Arthur, sentando do lado dela e a encarando.
- A água de coco que você comprou tava tão ruim assim? – Brinquei.
- Não aconteceu nada, gente... - Ana estava sem graça. - Vamos mudar de assunto?
- A senhorita que manda. – Disse Gabriel.
Me deitei na cadeira de sol que havia do lado da mesa, coloquei meus óculos escuros e dobrei as pernas, apoiando meus braços cruzados atrás da minha cabeça. Logo, comecei a cantar:
- Let’s go crazy, crazy, crazy, until we see the Sun, I know we only met, but let’s pretend is Love, and never, never, never, stop for anyone, tonight let’s get some, and live while we’re Young...
- Iiiiih, começou. – Reclamou, Juliana.
- Assim eu fico com ciúmes, Sam. – Falou Gabriel, fazendo bico.
- Não precisa ter ciúmes, Gabriel... a Sam me contou que você é mais bonito que o Harry! – Disse Ana, rindo.
- Que estranho, eu não me lembro desse dia. Eu devia tá drogada ou algo do gênero. – Falei, fazendo uma cara falsa de desentendida.
- Eu tenho sentimentos, sabia? – Resmungou Gabriel.
- E eu, bom gosto. – Retruquei.
- Eu também tenho... – Disse Arthur, aproximando seu rosto de Ana, que logo fez uma careta.
- E eu também tenho. - Disse ela, empurrando a cara dele.
- Só eu que fico aqui, segurando vela, na escuridão. – Juliana fez cara de pidona.
- Se eu estou na luz por estar sendo cantada pelo Gabriel, preferia estar dentro de um buraco negro. – Falei, lançando um olhar sério para ela.
- Você é a melhor, Samanta. – Comentou Ana, depois de uma alta gargalhada.
- É mesmo... – Sussurra Gabriel, com um olhar de bobo apaixonado.
- Enfim, galera! Trouxe as minhas duas pranchas aqui. Alguém tá afim de aprender a surfar? – Perguntou Arthur, levantando e apoiando suas mãos em sua cintura.
- Se eu tivesse coragem. – Juliana comentou, com ar de deboche.
- Eu até tenho vontade. Mas equilíbrio não é o meu forte. – Lamentei.
- Ah, qual é? Vem, eu te ensino. Tá comigo, tá com Deus. – Disse Arthur, esticando sua mão em minha direção.
- Se não tiver problema pra a Ana, eu to dentro! – A provoquei.
- Problema nenhum, querida. O Arthur já me ensinou a surfar há muito tempo... – Retrucou Ana, com um pouco de ciúmes e me fazendo rir.
Levantei, tirei meus óculos e soltei meu cabelo, que estava preso em um longo rabo de cavalo. Quando fui pegar uma das pranchas para ir em direção ao mar, Arthur disse:
- Não, pode deixar, eu levo pra você. É meio pesada.
- Ah, tudo bem, então. – Sorri.
- Olha lá, hein, Arthur! Eu sou um cara ciumento. – Disse Gabriel, sério.
- Você tá é com inveja dos músculos dele, querido. – Provoquei, apertando minhas mãos nos bíceps de Arthur.
- Que atrevimento é esse, Samanta? – Perguntou Ana, indignada e se rebelando.
Dei um sorriso malicioso de brincadeira e saí correndo em direção ao mar. Logo atrás de mim, veio Arthur, com uma prancha em cada lado do seu corpo, apoiada em seus braços. Então, logo começaram as aulas de surf. Primeiro, deitamos de barriga para baixo um em cada prancha, fomos mais para o fundo do mar e ficamos remando com nossos braços. Quando vinha uma onda, eu precisa ser ágil, levantar, me equilibrar em cima na prancha e deslizar na água salgada. Você deve estar se perguntando se eu consegui. Bom, mais ou menos. Eu meio que surfei umas três ondas pequenas! Não é muita coisa, mas é um começo, né. Olhei para o meu relógio à prova d’água de pulso e já era hora de voltar para casa. Meu pai me estipulou esse horário, já que ficava preocupado com a minha pele.
- Bom, Arthur, to tendo que ir agora! Brigada pelas aulas de surf, professor. – Abracei ele, já na beira do mar.
- De nada! Depois a gente continua. – Falou, me dando um beijo na bochecha.
Fui até a mesa, me despedi do pessoal e peguei minhas coisas. Vesti meu short, coloquei minha bolsa no ombro e calcei meus chinelos.
Chegando no apartamento, percebi um clima pesado. Meus pais estavam sentados no mesmo sofá, um virado para o outro, me olhando. Provavelmente, atrapalhei alguma conversa importante.
- Bom, eu to indo tomar banho. – Falei e sorri, indo em direção ao meu quarto.
- Não, você vai ficar bem onde está, mocinha. – Respondeu meu pai, sério.
- Er... tá bom. – Estremeci.
- Filha, eu e o seu pai conversamos sobre o assunto de você ir a esse tal show com a Ana. – Começou a minha mãe. – Chegamos a conclusão de que você não se comportou nada bem esses últimos dias, tem sido muito respondona e muito rude com as suas irmãs.
- Sua mãe tem razão. Está merecendo um bom de um castigo para aprender uma lição. Sempre muito irresponsável com suas coisas e desleixada. – Acrescentou meu pai, me deixando totalmente arrasada e já me fazendo chorar. – PORÉM... – Exclamou ele, levantando o dedo indicador. – Você vai.
Eu não estava acreditando no que tinha acabado de ouvir. Apenas abri a minha boca, parecendo totalmente boba e deixei minha bolsa cair no chão. Eu comecei a pular de um lado pra outro, correr em volta da mesa de jantar e abracei os dois, quase derrubando-os no chão.
- Não pergunte o porquê dessa decisão, apenas agradeça e vá arrumar suas coisas! – Riu minha mãe, completamente surpresa com a minha reação.
- Ai! Eu amo tanto vocês, tanto! – Os apertei, espalhando beijos pelas suas roupas. – Aaaaaaaaaaah! – Gritei, correndo em direção ao meu quarto.
Espero que esteja feliz por mim, diário! Porque eu estou quase morrendo de felicidade. Poderia sair correndo pela rua gritando para o mundo inteiro ouvir que eu vou no show do MEU One Direction, conhecer o MEU Harold! Pode ficar tranquilo, eu sei que gritaria por mim se tivesse boca. Eu já liguei para Ana pra contar a notícia, e ela quase me deixou surda de tanto gritar. Eu só digo uma coisa: Londres, nos aguarde.

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