quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 19


Diário da Ana  
25 de janeiro de 2013, sexta-feira


Eu estava desesperada. Completamente desesperada. Na verdade, nem tanto. Eu estava, também, meio que... gostando.
Porém, vou voltar um pouco no tempo para você conseguir acompanhar, Diário.
Desde que cheguei a Londres, pedi para que o Sandro, todas as manhãs, me comprasse a revista People, que vende em um lugar perto do hotel em que estamos. Pois é... eu meio que sou fissurada por fofoca de celebridades. Enfim! Hoje, pela manhã, ele colocou a revista perto do abajur, ou seja, assim que acordei dei de cara com ela. E com quem estava na capa dela. Eu, a princípio, pensei que estivesse sonhando, então voltei a dormir, que foi quando a Samanta deu um berro.
― Isso é sério??? Não estou acreditando!!! Caramba!!! ― Dizia a Samanta, enquanto praticamente esfregava a revista no meu rosto.
― Hã? Do que você está falando? ― Perguntei, realmente achando que a garota da capa daquela revista não era eu.
― Ana do Céu! ― Quase gritou a Sam ― Você e o Niall estão na capa da People! Caraca, não estou acreditando!!!!!
Meus olhos arregalaram e imediatamente peguei a revista da mão da Samanta. Fiquei um tempão analisando-a, reparando em cada detalhe das duas pessoas que estavam na capa. Ou melhor dizendo: em mim e no Niall.
Comecei a gritar. A gritar muito. Eu simplesmente não estava acreditando. Na verdade, ainda não acredito. Eu estava na capa da People? Isso só podia ser um sonho. Um sonho maravilhosamente bom. Parece que foi há um segundo atrás que eu estava no meu quarto, no Rio de Janeiro, chorando por não conhecer o Niall, chorando por não ser uma cantora famosa e sim apenas uma mera estudante do segundo ano do ensino médio. Agora, eu conheço o Niall e sou famosa (bem, tecnicamente). Só ainda não sou uma cantora. Porém, com tudo isso que tem acontecido na minha vida, realizar esse meu outro sonho é só uma questão de tempo...
― Eu sou estou na capa da People com o amor da minha vida! ― Esgoelei, quase rasgando a minha garganta.
Eu e a Samanta começamos a gargalhar e ao mesmo tempo chorar, completamente felizes.
Mais tarde, começamos a conversar sobre os nossos encontros.
― O Harry é galanteador, como todas as revistas dizem? ― Perguntei.
― Galanteador é apelido. ― Samanta riu ― Mas eu vou mostrar pra ele que eu não sou como as mulherzinhas que ele consegue manipular.
A Samanta, nesse quesito (na verdade, em quase todos), é completamente diferente de mim. Ela é super sem vergonha com os garotos, não tem medo do que eles pensem, fala na lata e tem coragem de paquerá-los. Já eu, fico meia receosa em falar sobre assuntos "não normais" com os meninos... Eu sou bem tagarela, mas só converso sobre coisas que amigos conversam e não namorados ou pretendentes conversam. E o Niall também... Vai ser bem mais complicado namorá-lo, mas eu vou lutar até o fim para que isso aconteça. Já a Samanta, se bobear, já deve estar até casando com o Harry.
― Isso mesmo, Sam! Na verdade, eu acho que ele já percebeu isso há muito tempo, viu? Você é diferente de todas as outras, você é especial.
― Own, minha pequena e linda Ana! ― Brincou Samanta, apertando as minhas bochechas ― O Harry está acostumado a ganhar uma garota com um sorriso, mas ele vai perceber que não é bem assim que as coisas funcionam.
Comecei a olhá-la, admirada.
― Quero ser você quando crescer.
Nós duas rimos.
 ― Vai aprendendo com a mestre! ― Falou Samanta, rindo e bagunçando o meu cabelo.
Um tempo depois, quando o relógio marcou 11h00 em ponto, alguém (ou vários alguéns, pois a batida, percebi, não vinha só de uma ou duas mãos, vinha de várias!) começou a bater na porta do meu quarto de hotel. Fiquei um pouco assustada, mas fui lá ver quem era. Assim que abri a porta, tomei o maior susto de toda a minha vida. Havia, bem na minha frente, um mar de repórteres, câmeras e microfones apontados para mim, perguntando ao mesmo tempo, um por cima do outro. Eram tantos flashes, que nem raciocinei direito. Certamente em outra situação bateria a porta na cara deles.
― Você e o Niall Horan, integrante da banda inglesa One Direction, se conhecem há quanto tempo? ― Dizia um repórter, enquanto os outros faziam outras perguntas.
Eu não respondi nada, apenas gritei o Sandro, que provavelmente estava perambulando pelo corredor. Em alguns instantes ele apareceu, ordenando que todos saíssem dali. Obviamente, nenhum deles obedeceu, então o Sandro deve que tomar medidas drásticas: começou a empurrá-los, para que eu conseguisse fechar a porta. E em alguns minutos eu consegui.
― Vocês viram o mesmo que eu vi? ― Disse, paralisada e completamente sem acreditar no que eu havia acabado de ver e presenciar.
O Sandro deu um sorrisinho fechado, um pouco desconfortável, e saiu, para nos deixar mais a vontade.
― Caramba, Ana! ― Exclamou a Sam ― Eu simplesmente não estou acreditando! Um bando de repórteres atrás de você! Isso está mesmo acontecendo de verdade?
Comecei a rir, chocada.
― Eu não sei. Sinceramente, eu não sei. ― Disse, boquiaberta ― Me belisca, Sam, porque eu acho que estamos dentro de um sonho.
― Você acha? Isso aqui é um sonho! Mas um sonho real.
Peguei o meu celular e comecei a discar o número do André, não ligando nem um pouco para a conta que viria depois. Aquela era uma situação de extrema emergência e importância, não é uma simples conta que iria me impedir de fazer a ligação!!!
― Alô? André? ― Disse, impaciente, com a voz trêmula.
― Oi, Ana. O que houve?! Que voz é essa?!
― O que houve? Vai agora no site da revista People e veja a manchete! Vai, vai, vai!
O André disse que ok e alguns segundos mais tarde tornou a falar.
― É você aquela garota com aquele cara do One Direction??? 
― Sim, sim, sim! Sou eu! Sou eu!
― Ana, o que você andou aprontando por aí, ein? Por que está com esse cara em um estádio de futebol? Me explica isso direito!
― Ai, André, agora não! É uma longa história. E eu já tenho que desligar, senão o papai vai me matar, você sabe. Enfim, só liguei pra isso mesmo. E se você contar para o papai ou pra mamãe o que viu nesse site, sou eu que vou te matar. Está avisado. Beijão, maninho lindo do meu coração!
― Ana, você va...
Desliguei imediatamente, para não ter que ouvir os sermões de sempre do André. Logo em seguida foi a vez de eu ligar para uma outra pessoa. Botei no viva voz, para que a Samanta pudesse ouvir também.
― Niall???
― Eles também estão aí no seu hotel? ― Foi a primeira coisa que ele disse.
― Estão, sim... Mas não se preocupa, está tudo bem comigo. E você, como está?
― Bem também... Olha, me desculpa, eu não queria te expor desse jeito.
Como o Niall consegue ser fofo, lindo e gentil até numa hora dessas? Dúvidas até então sem respostas.
― Niall, não precisa se desculpar, não foi culpa sua. Pra falar a verdade, eu nem ligo muito, só estava preocupada de você estar chateado ou algo do tipo.
― E eu achava que você estava chateada comigo.
Muito obrigada, repórteres!
Sem condições de eu suportar a fofura do Niall, sinceramente...
― Óbvio que não, Niall! Eu vou ligar para a recepção do hotel agora e pedir para que eles expulsem os repórteres daqui.
― É, faça isso mesmo. Agora eu vou ter que desligar, Ana...
Ainda não me acostumei com ele dizendo o meu nome, "Ana". É tão lindo...
Com muita dor no coração, eu disse:
― Tudo bem... Um beijo.
― Outro. E desculpa mais uma vez.
Assim que desliguei o celular, a Samanta começou a berrar, louca de felicidade.
― O Niall é tão fofo! ― Ela disse, quase pulando no meu pescoço.
Não conseguia ouvir e pensar em mais nada, apenas no quanto o Niall é fofo e lindo e no quanto eu sou sortuda.
Um tempo depois fui avisada pelo hotel que os repórteres já haviam ido embora. Eu e a Samanta então descemos para o saguão, para ver como estava a movimentação. Assim que pisamos para fora do elevador, um monte de olhares curiosos foram voltados para mim. Me senti até na pele de um famoso sendo olhado pelos seus fãs (a única diferença é que eles pulariam na celebridade e não apenas ficariam olhando).
De repente, uma garotinha, aparentando ter uns sete anos, me cutucou.
― Você que é a nova namorada do Niall?
Antes mesmo que eu pudesse responder, ela continuou:
― Pode tirar uma foto comigo?
Ela então puxou a câmera de dentro da bolsa, deu para a Samanta tirar e se posicionou em minha frente - tive que me abaixar um pouquinho, pois ela era muito baixinha. Eu sorri para a foto, meia sem jeito e sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo comigo.
― Muito obrigada! Você é linda, o Niall tem bom gosto! E, ah, pode dizer pra ele que eu amo muito ele? Eu sou a fã número 1! Ah, e diz que o meu nome é Kate.
Comecei a sorrir, adorando aquilo tudo, e disse que claro que falaria com o Niall. Ela agradeceu mais uma vez e se distanciou, mostrando para todas as amiguinhas a foto que havia batido comigo, "a namorada do Niall". Adorei esse meu novo título - embora seja falso.
― Ana, você pode escrever sua assinatura num papel pra eu vender e comprar um carro, por favor? ― Brincou Samanta, completamente impressionada com a minha "fama" (provavelmente provisória).
Comecei a rir.
― Ai, Sam, sua boba! Também não é pra tanto, né... Quem me dera!
Nós duas começamos a rir uma da outra, até que meu olhar foi empurrado para a entrada do hotel. Mais precisamente para a pessoa que estava lá. Niall.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 18


Diário da Samanta
24 de janeiro de 2013, quinta-feira


Querido diário,
Pra ser sincera, hoje eu acordei com uma enorme dúvida na cabeça: tudo foi um sonho ou realmente foi realidade? Acordei confusa, duvidosa e assustada com tudo que anda acontecendo. Algum tempo atrás, eu estava no meu apartamento no Brasil, chorando e olhando para os meus pôsteres do Harry e hoje, eu estou com o número dele no meu telefone. E só de pensar que o que parecia impossível se tornou possível de uma hora pra outra, quando eu menos esperava... Que loucura. Completa loucura. O dia hoje amanheceu lindo! O céu está aberto, todo azul e cheio de nuvens branquinhas e fofas! Levantei cedo, por incrível que pareça. Dormi muito mal, Harry não saía da minha cabeça. Decorei tudo que ele disse ontem, todos os olhares e indícios que ele me deu. Minha vontade é de ligar nesse exato momento pra ele e sair correndo para vê-lo, mas não é a coisa certa a fazer. Eu preciso ir com calma. Levantei da cama, fui até o banheiro e tomei um banho bem demorado de espuma. Encostei minha cabeça na quina da banheira e relaxei, sentindo a água juntamente com o sabão tocarem a minha pele. Respirei fundo e fechei os olhos, precisava pensar e processar tudo que eu tinha passado no dia anterior. Minha reflexão foi interrompida pelo toque alto do meu celular. Que toque irritante, eu preciso mudar urgentemente!

- Alô? – Falei em português, até porque alguém do Brasil deveria estar do outro lado da linha, como meu pai, minha mãe ou algum dos meus amigos.
- Hello? I’m talking with Samanta, right? – Disse uma voz confusa, rouca, lenta e extremamente linda; era Harry. Tomei um susto no mesmo instante. (Vou traduzir tudo que ele disse, diário).
- Ah, oi, Harry! É a Samanta sim. Desculpa ter falado português, achei que era alguém lá do Brasil! – Ri.
- Tá tudo bem. – Falou Harry. – Eu espero não estar te acordando, é que precisava falar com você e não consigo esperar.
- Na verdade, está atrapalhando o meu banho. – Falei, com um ar de humor.
- Parece que liguei numa boa hora então. – Provocou ele, dando uma leve risada.
- Garotos. – Falei, rindo. – Deixa eu adivinhar: Colocou a cabeça no seu travesseiro e não conseguiu dormir pensando em mim? – Brinquei.
- “Tá tão na cara assim?” – Perguntou Harry, querendo fazer graça, me deixando completamente boba.
- Nossa, você ainda tá nessa? Sinto cheiro de gente apaixonada. – Falei, provocando uma risada muito charmosa do Harry que fez eu me derreter toda.
- E eu sinto o cheiro do seu perfume hoje no meu carro. Torna o meu sonho realidade? – Propôs Harry, me fazendo tremer na banheira.
- Torno sim. Vai ser a minha boa ação do dia. Sou uma pessoa generosa, Harry. – Disse, escondendo a minha vontade de sair gritando de felicidade pelo hotel.
- Sorte a minha. – Falou ele, dando uma risada encantadora. – Eu posso estar passando 19:00h em frente ao Royal Park Hotel para te pegar, então?
- Parece bom pra mim! Mas pera aí, como sabe onde eu estou hospedada? Anda me seguindo ou...? – Falei, com um tom de ironia.
- Digamos que eu peguei algumas informações com a Amanda. – Disse Harry, logo depois de forçar sua garganta para melhorar sua voz.
- Inclusive o meu número de celular, acertei?
- Yeah... – Ele riu. (decidi colocar esse “yeah” assim mesmo ao invés do “sim” traduzido porque foi tão lindo ele falando assim, diário...)
- Ah, então tudo bem. Agora se me permite, vou continuar o meu banho. – Ri.
- Claro, sem problemas. Estarei te esperando na recepção do hotel no horário combinado. – Me lembrou ele. – Te vejo mais tarde.
- Tá bom, tentarei ser pontual! Beijo, Harry. – Falei, desligando o telefone em seguida e rindo feito uma boba.

Quando percebi, Ana estava encostada com os braços cruzados na porta do banheiro, me encarando com um olhar desconfiado.

- Foi isso mesmo que eu ouvi? Você vai sair com o Harry hoje?! – Perguntou ela, correndo na direção da banheira e se ajoelhando ao lado da mesma.
- É! Ele me convidou pra jantar com ele e eu aceitei, claro! – Expliquei, com um sorriso de orelha a orelha. – Eu não te disse que quando ele me conhecesse iria comer na palma da minha mão? – Falei, dando uma gargalhada da situação louca que eu estava vivenciando.
- Falou mesmo! – Disse Ana, rindo junto comigo e com os olhos brilhando. – E eu também tenho planos pra hoje, querida. - Ana levantou a sobrancelha.
- Deixa eu adivinhar... Niall?!
- Exatamente! – Exclamou Ana.

Na mesma hora, eu saí da banheira enrolada em uma toalha e nós nos abraçamos, todas felizes! Começamos a saltitar pelo quarto, cantando e pulando. Passamos um tempão conversando sobre os meninos e sobre como seria hoje! Estávamos todas nervosas com os nossos encontros com... Niall James Horan e Harold Edward Styles. Ainda não me acostumei a escrever esse tipo de coisa! Mais tarde, decidi sair com Sandro para conhecer um pouco mais das proximidades do nosso hotel! Principalmente as lojas de roupas! Precisava que uma roupa perfeita pra essa noite. Passei horas provando e escolhendo peças a dedo, e finalmente, encontrei uma perfeita! Depois das compras básicas, voltei com Sandro para o hotel e almoçamos juntos no saguão. Depois de comer, voltei para o quarto e percebi que Ana já tinha ido para o seu encontro com Niall! Espero que seja tudo perfeito para ela! Passei um tempão no quarto, andando de um lado pra o outro pensando no meu jantar com o Harry. Eu estava tão nervosa e insegura. Ao mesmo tempo, ansiosa e empolgada. Tentei assistir televisão pra me distrair, mais logo percebi que já eram 17:30h! Harry viria daqui a uma hora e meia apenas! Tomei um banho e fui me arrumar. Passei um bom tempo escolhendo uma roupa perfeita pra a noite de hoje. Finalmente, vesti um dos meus melhores vestidos: um vermelho, justo e confortável! Calcei um salto alto e simples e peguei uma carteira de festas branca. Fiz um penteado simples no meu cabelo e coloquei uma maquiagem leve, mas marcante. Coloquei quase todo o vidro de perfume em mim, afinal de contas, Harry deixou claro que amou o meu cheiro! Me olhei umas quinhentas vezes no espelho para ver se estava tudo certo. Vi como eu ficava andando, como eu ficava com a mão na cintura e de todo o jeito que se pode imaginar! Minhas pernas estavam bambas. Olhei para o relógio e já era 19:15! Escovei os meus dentes e retoquei o batom. Saí do quarto, andei pelo corredor e entrei no elevador. Estava respirando fundo e tentando ficar calma. Há uma altura dessas, Harry já devia estar na recepção, impecável, todo pra mim! Isso sua até ridículo, mas por mais louco que pareça, é verdade. As portas do elevador abriram e eu avistei Harry sentado em um dos sofás imensos e elegantes da recepção. Fui andando em direção a ele e ele me viu, levantando do sofá, ajeitando seu blazer e me olhando dos pés à cabeça. Quando eu finalmente parei em sua frente, Harry me olhou boquiaberto, coçando sua cabeça. Harry é bem mais alto que eu, ele mede 1,82 segundo alguns sites. Essa altura dele me deixa extremamente atraída e derretida.

- Você está absolutamente linda. – Disse ele, logo depois, engolindo seco.
- Você também não está nada mal. – Falei, sorrindo e fazendo ele rir, desviar o olhar e me olhar novamente.

Harry suspirou e segurou a minha mão, me olhando. Senti borboletas no meu estômago no exato momento que sua pele tocou a minha, espero que tenha conseguido disfarçar! Andamos até a frente do hotel para ir até o carro de Harry, um land rover preto, como eu sempre via nas fotos na internet! Ele estava estacionado um pouco atrás de uma lanchonete que tinha em frente ao hotel, escondido. Harry me explicou que havia feito isso para despistar os possíveis paparazzis que o seguiriam. Harry abriu a porta do carro para mim, no passageiro, e eu entrei. Logo depois ele rodeou o carro e entrou também, no banco do volante.

- Vou te levar ao meu restaurante favorito. – Disse ele, me olhando e rodando a chave para ligar o carro.
- Vamos ver se você tem bom gosto. – Comentei, dando um sorriso.

Harry riu e balançou a cabeça de um lado para o outro, pensando no que eu havia acabado de dizer (http://data.whicdn.com/images/44203733/691940177_large.gif). Logo já estávamos andando pelas ruas de Londres. Essa cidade é tão linda! E fica mais linda ainda comigo aqui, do lado do Harry. Demoramos uma meia hora para chegar no restaurante. Ficamos conversando no trajeto sobre os lugares que ele conhecia aqui, sobre os melhores cantos para sair e em como uma comida precisava ser para nos agradar. Nós ríamos feito dois amigos que se conheciam há muito tempo, aquilo era inacreditável! Harry é um garoto tão doce. Safado e galanteador, mas doce. Essa doçura dele me deixa totalmente encantada. E claro, o seu jeito conquistador e meio mulherengo de ser, também. Finalmente, chegamos no restaurante. Harry estacionou o carro e logo, descemos. O restaurante era lindo! Era todo de vidro com madeira escura. Haviam muitas luzes lá! Era um rústico elegante e chique, incrível. Amo lugares como este! Entramos e pedimos uma mesa para dois. Fomos acompanhados de um garçom até ela e nos sentamos. Tudo era lindo: as taças, os pratos, os talheres. Era tudo feito do melhor material, sem dúvidas. Um material fino, delicado e caro. Os garçons usavam smokings e toalhas brancas apoiadas em seus braços esquerdos, parecia coisa de filme! Haviam lustres de cristal por toda parte e as cadeiras eram lindíssimas e confortáveis. Tudo estava absolutamente perfeito.

- Então? Eu tenho o meu gosto aprovado por você ou...? – Perguntou Harry, apoiando os braços na mesa, me encarando e querendo sorrir.
- Em termos de decoração, com certeza.
- É bom saber que temos algo em comum. – Harry disse, me fazendo rir (http://data.whicdn.com/images/36622154/tumblr_m9vmctjyrU1r3w9hzo2_500_large.gif). – Qual a diferença do Brasil para a Inglaterra? – Perguntou ele, mudando totalmente de assunto e mordendo o lábio, me olhando atencioso.
- Digamos que lá é um país bem liberal. Tem uma cultura bem diferente daqui, definitivamente. As comidas são diferentes, as danças, os lugares. Só conhecendo pra entender.
- Posso considerar isso um convite? - Perguntou Harry, me olhando fixamente.
- Você que interpretou desse jeito. – Respondi, rindo e tremendo por dentro.
- E se eu dissesse que posso querer te fazer uma visita? – Harry passou a língua em seus lábios rapidamente e apoiou os braços na mesa, segurando minhas mãos com as suas, as encarando.
- Essa não seria uma boa escolha. As pessoas diriam que eu sou sua namorada ou coisa parecida. – Ri.
- Não é má ideia. – Sorriu ele, acariciando minhas mãos.
- Suas fãs não ficariam muito satisfeitas com a situação. – Expliquei, sorrindo e afastando as minhas mãos das dele.
- E você? Ficaria? – Perguntou Harry, mexendo em seu queixo e me lançando um olhar intimidador (http://data.whicdn.com/images/47266509/tumblr_mfntooltJk1rhl6q3o1_500_large.gif).

Fiz um olhar sínico para Harry e peguei o cardápio, ainda o encarando.
- O que?! – Perguntou Harry, sem entender e rindo da minha atitude. (http://data.whicdn.com/images/43146305/tumblr_ma3rce5Tw71roh64do2_500_large.gif).
Apenas o olhei e ri, logo em seguida, lendo o cardápio. Um tempo depois, pedimos nossos pedidos e ficamos conversando sobre diversas coisas. Passamos um tempão no restaurante, trocando ideias e experiências. Pegamos um brownie com sorvete de creme como sobremesa. Estava tudo correndo muito bem, para a minha alegria! Harry levantou sua mão, fazendo o sinal para que o garçom trouxesse a conta.

- Espero que você saiba que eu não vou deixar que gaste o seu dinheiro. – Disse Harry, percebendo que eu estava tirando minha carteira de minha bolsa.
- E eu espero que você saiba que eu não sou tão dura assim. – Falei, o fazendo rir.
- Ah, qual é, eu não quis dizer isso! – Ele se explicou, colocando a mão na testa. – Um cavalheiro não faz uma desfeita dessas com uma dama, só isso. – Sorriu.

Harry insistiu que pagaria a conta e acabou fazendo isso, me convencendo. Saímos do restaurante e passamos o trajeto todo de volta para o hotel em silêncio, apenas ouvindo o som do ar-condicionado. Quando finalmente chegamos em frente ao hotel, Harry encostou o carro na calçada e me olhou, virando seu corpo em minha direção.

- Obrigado pela noite incrível. – Disse ele, apoiando sua mão no meu joelho.
- Eu que agradeço. – Sorri.

Quando me dei conta, Harry havia inclinado seu pescoço em minha direção e estava aproximando seu rosto do meu, lentamente. Droga, como eu podia resistir a isso? Que garoto mais lindo! A cada segundo que se passava, eu sentia sua respiração calma e quente já mais perto do meu rosto. Harry colocou sua mão direita na minha nuca e me olhou nos olhos, desviando rapidamente seu olhar para a minha boca. Eu daria tudo por aquele beijo, mas não podia entregar tudo assim de bandeja. Quando percebi que sua boca estava prestes a tocar a minha, fiz um esforço e virei o meu rosto, senti seus lábios quentes em minha bochecha. Harry se afastou e olhou para baixo, sorrindo e suspirando. Eu ri, o olhei e abri a porta do carro, saindo. Alguns passos e eu já estava na recepção do hotel, ofegante e pensando naquilo que tinha acabado de acontecer. Saí correndo para o elevador e subi até o nosso quarto! Ana já estava lá, sentada na cama e me esperando para conversarmos. Encostei minha cabeça no travesseiro e Ana fez o mesmo ao meu lado.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 17


Diário da Ana
24 de janeiro de 2013, quinta-feira


Eu estava em frente ao espelho fazia pouco mais de cinquenta minutos. Eu não sabia se aquele look era realmente o ideal para assistir a um jogo de futebol americano, mas, sem sombra de dúvidas, ele era muito lindo. Fiquei me analisando por mais um tempão, até que o relógio marcou exatamente 15h00. Meu coração acelerou um pouco - na verdade, muito - e então eu resolvi dar uma última checada bem rápida em mim, antes que eu me atrasasse. Short jeans clarinho: ok; cabelo ondulado (efeito babyliss, porém tentei ao máximo fazer com que não parecesse que passei horas em frente ao espelho tentando fazer as ondas): ok; maquiagem básica de sempre - vulgo base, corretivo, pó, rímel e batom nude (tudo para fingir que eu estava 100% ao natural): ok; blusa escrito "I Love 1D": NEM UM POUCO OK!!! Como eu pude cometer esse erro tão grotesco??? Troquei de blusa em tempo recorde, me olhei mais uma vez no espelho, calcei meu tênis all star com estampa floral e fui em direção ao saguão, completamente tensa.
Calma aí... é melhor eu voltar um pouquinho no tempo, não é, Diário? Você deve estar um pouco confuso e sem entender para onde eu estava indo. Porém, tenho quase certeza de que você já deve ter deduzido...
Eu passei a madrugada inteira em claro, revivendo em minha mente cada momento do dia anterior - desde o momento em que eu cheguei ao Nando's até a minha volta para o hotel. E até agora ainda não caiu a minha ficha. É simplesmente inacreditável! Até uns dias atrás eu achava que esse tipo de coisa só acontecia nas fanfics que eu leio sobre o One Direction e que, jamais, em hipótese alguma, isso viria a acontecer na minha vidinha monótona que até então eu vivia no Rio de Janeiro, no meu condomínio com pessoas normais e tediosas. Por mais que eu tivesse vários planos de casar com o Niall, eu nunca acreditei fielmente que isso fosse realmente acontecer - na verdade, eu nem sequer imaginaria que eu viesse a trocar mais que duas palavras com ele. E mais: que ele me convidaria para sair...
Às vezes eu penso que estou dentro de um sonho e que logo, logo irei acordar, porque o que tenho vivido nesses últimos três dias simplesmente não parecem reais. Eu choro todas as noites, relembrando tudo que sonhei e tudo que já se concretizou desses meus sonhos... É surreal.
Bem, voltando ao foco inicial (senão eu vou acabar chorando). Eu havia me levantado às cinco da manhã e fiquei fazendo nada até 12h00, que foi quando recebi o telefonema dele.
― Alô?
― Ana? ― A pessoa do outro lado da linha falou, com um sotaque diferente.
Até então eu não sabia quem era, só deduzi que não fosse do Brasil, por isso comecei a falar em inglês.
― Sim, é ela. Quem é?
― Oi, Ana! Sou eu, o Niall. Lembra de mim?
Meu coração deu um pulo de felicidade e os meus olhos começaram a lacrimejar. Por pouquíssimo não desabei em lágrimas.
Respirei fundo (isso está realmente acontecendo comigo??? Se não, não quero acordar agora!!!) e disse:
― Oi, Niall! É claro que me lembro de você! ― Não resisti e dei um risinho ― Tudo bom?
― Tudo! Ana... ―  Ele parecia meio sem jeito ― eu estou te ligando para saber se você não quer ir comigo a um jogo de futebol hoje... É muito legal, acho que você ia gostar!
Sentei no telefone e comecei a chorar, gritar e rir ao mesmo tempo. Peguei uma toalha que estava próxima e comecei a morder com toda a minha força, chorando muito. Quinze segundos mais tarde, consegui me recompor e tornei a falar.
― Claro, eu adoraria! Eu estava até pensando em sair mesmo, mas não conheço nada por aqui, então fico meia sem saber para onde ir...  E acho que você daria um ótimo guia turístico!
Niall riu e disse:
― Você demorou tanto pra responder que eu pensei que estivesse pensando em uma desculpa para não ir...
Meu coração se derreteu por completo quando ele disse aquilo. Eu? Um mero ser mortal dispensar Niall James Horan? Coitada de mim.
―  Não! Não foi nada disso! Eu... eu só... ― Tentei me explicar ― fui ali rapidinho ver o que a camareira queria.
Se eu fosse irmã do Pinóquio meu nariz certamente estaria do tamanho do Cristo Redentor.
― Ah bom! ― Ele deu um risinho ― Então... eu te pego às 15h00?
―  Aham!!! Quer dizer... tudo bem. Estarei pronta às 15h, então. Até lá!
― Até! Um beijo.
E então ele desligou, me deixando sozinha olhando para um ponto fixo e refletindo cada detalhe da conversa. Depois de três minutos presa em meus devaneios, dei um grito e comecei a pular na cama, louca de felicidade. Infelizmente a Samanta não estava lá para compartilhar essa alegria toda comigo... Ela havia dado uma saidinha para conhecer Londres com o Sandro.
Porém, o fato era: eu sairia com Niall Horan. Eu, Anastácia Florentino Vieira, sairia com Niall James Horan. Eu só podia estar sonhando. Não é possível. Simplesmente não é.
Bem, como tudo já está devidamente explicado, vamos voltar ao início do primeiro parágrafo: o relógio havia marcado 15h00 em ponto. Fui correndo chamar o elevador e depois do que pareceram horas ele finalmente se abriu. Enquanto ele descia, eu ficava repassando tudo que planejei dizer para o Niall. Seria mais ou menos assim: "Oi, Niall! Está aí há muito tempo?" e ele, educado do jeito que é, provavelmente responderia: "Não, faz só alguns minutinhos", "Ah, que bom! Em qual estádio vamos assistir o jogo?" e, bem, depois disso a conversa rolaria naturalmente. O elevador chegou no saguão. Minhas mãos começaram a suar frio, porém eu ignorei e fui andando, até que eu encontrei ele. Ele estava sentado em um sofá, com uma calça jeans, uma camiseta polo vermelha e um tênis (como não entendo muito de tênis, não sei dizer qual era a marca e muito menos o modelo).
― Oi, Niall! Está aí há muito tempo? ― Perguntei, simpática, seguindo o meu planejamento.
Ao mesmo tempo que respondia que não, ele se levantou e me deu um abraço seguido de um beijo da bochecha. Senti meu rosto corar no mesmo instante.
Estava tão nervosa que acabei esquecendo da segunda coisa que eu havia planejado dizer. Enquanto pensava no que falar, Niall foi mais rápido e disse:
― Você já foi a algum jogo de futebol?
Começamos a nos direcionar a saída do hotel, enquanto conversávamos.
― Quase sempre eu vou no Maracanã ver os jogos, eu amo futebol! Mas futebol americano eu não entendo muito... Talvez fique perdida durante a partida. Quando o time que torceremos fizer ponto, me avisa que aí eu comemoro.
Niall começou a rir.
― Pode deixar que eu te ensino como se joga futebol americano! É fácil, você vai aprender bem rápido.
― Eu espero que sim, viu! Não quero ficar lá com cara de pateta.
Niall nem reagiu ao que eu disse, fiquei até um pouco sem graça. De repente, ele ficou bem sério e pareceu estar preocupado com alguma coisa.
― O que houve, Niall? ― Perguntei, incrédula.
Ele me parou, bem quando estávamos saindo do hotel, e disse, próximo a mim (tão próximo que eu pude até sentir o cheiro do seu hálito: parecia Halls de hortelã):
― Olha, Ana, nós temos que entrar bem rápido no meu carro, ok? Lá fora tem um monte de paparazzi querendo fotografar com quem eu estou saindo e eles podem te machucar.
Ao invés de ficar preocupada, eu fiquei encantada e deslumbrada com tanta fofura e cavalheirismo. Meu coração só faltou derreter ali mesmo. Niall estava preocupado comigo. E mais: eu era a garota que estava saindo com Niall Horan. Ok, constatado: aquilo só podia ser um sonho.
Eu estava tão hipnotizada, que até me esqueci de respondê-lo.
― Tudo bem? ― Ele disse, para ver se eu tinha realmente escutado.
― Ah ― Voltei ao mundo real ―, tudo bem... O seu carro está muito longe?
― Não, ele está bem aqui em frente, mas os paparazzi costumam ser muito rápidos e brutos. Vem, me dá a sua mão.
Ele então segurou bem firme a minha mão e foi me direcionando até o carro, em meio a uma multidão de paparazzi. Eu costumava chamar os artistas que tampavam o rosto com as mãos de frescos, mas agora vi que os flashes eram tão fortes que é impossível não botar nem um dedinho sequer no rosto, para se proteger. Por mais que os meus olhos estivessem doendo um pouco, eu não conseguia deixar de amar aquilo tudo. Eu sempre sonhei em ser uma cantora famosa e ter milhares de paparazzi me seguindo, para no dia seguinte eu sair na capa de alguma revista de fofoca. Aquele mundo, que para tantos artistas era um horror, para mim era maravilhoso.
Quando finalmente entramos no carro, alguns paparazzi batiam no vidro, implorando para uma foto nossa juntos. Quando dei por mim, eu estava sorrindo e acenando para as câmeras. Eu me deixei levar pelos meus quinze minutos de fama e acabei me empolgando além do limite (e também eu estava meio que com pena dos paparazzi...). Imagina só eu e o Niall saindo em capas de revistas no dia seguinte? A manchete seria: "Suposta namorada do Niall faz pose para os fotógrafos, aproveitando seus quinze minutos de fama!". Seria um mico enorme, mas pensando bem eu nem me importo. Pelo menos eu estava ao lado do amor da minha vida e é só isso que importa.
Niall arrancou o carro dali no instante em que os paparazzi saíram do caminho.
― Desculpa pelo sufoco.
― Que isso! ― Sorri ― É o trabalho deles, né...
Niall arqueou as sobrancelhas e mordeu uma das bochechas, parecendo um pouco irritado. Então logo resolvi mudar de assunto, para quebrar o clima pesado:
― Você tirou sua carteira de motorista há pouco tempo, não é?
Ele me olhou por um segundo, com uma expressão incrédula, e voltou a olhar para frente.
― Como sabe disso?
Ops.
Gaguejei uma desculpa qualquer e ele pareceu ter acreditado.
Ficamos conversando sobre várias coisas durante o trajeto até o Wembley, que eu descobri que é o nome do estádio.
Quando chegamos lá, fiquei completamente deslumbrada. O campo é enorme e incrivelmente verde e as cadeiras são... adivinha? Vermelhas! Nem preciso dizer que amei de cara, não é?
Sentamos próximos ao campo e o Niall logo me alertou que lá também haviam paparazzis. Fiquei apavorada com o quanto esses caras podem perseguir alguém. Depois ele começou a me explicar como é que se joga futebol americano e eu entendi mais ou menos... Bem, pelo menos agora eu tinha uma noção. Niall me disse também que os times que iam jogar eram o San Francisco 49ers e Jaguars. Ele meio que falou grego pra mim, pois eu nunca nem tinha ouvido falar naqueles times, mas tudo bem.
No meio do jogo, uma fã veio até o Niall, toda eufórica, e disse:
― Niall! Eu não acredito! Pode tirar uma foto comigo?
Ele ficou todo contente e disse que sim. Eu, é claro, fui a fotógrafa. Confesso que fiquei com um pouco de ciúme pois, além da garota ser mil vezes mais bonita que eu, ela ainda teve a cara de pau de anotar o seu telefone e dar para o Niall.
― Você não vai ligar pra ela, não, né? ― Perguntei como quem não quer nada.
Niall começou a rir e disse:
― Hum... Você está com ciúmes? É isso mesmo que eu estou vendo?
Fiz a maior cara de indignada.
― Quem disse que eu estou com ciúmes? Óbvio que não! Só acho que você não deve ligar para uma desconhecida... vai que ela é uma maníaca ou sei lá?
Ele então riu ainda mais.
― Não acho que ela seja uma maníaca, mas se você diz... Então eu não ligo.
Eu sorri satisfeita para ele e ele sorriu pra mim. Ficamos um tempo assim, nos olhando, como se não existisse jogo algum na nossa frente para assistirmos. Parecia que só havia nós dois naquele estádio enorme. Niall abaixou os olhos, parecendo constrangido, e depois voltou a me olhar.
― Você quer comer alguma coisa? Porque eu estou morrendo de fome!
― Ah, quero sim, obrigada! Pode ser qualquer coisa... eu confio no seu gosto!
Ele sorriu, fez uma cara engraçada, massageou a barriga e disse:
― Olha que eu como de tudo, ein...
― Eu sei. ― Mais uma mancada Ana? Assim não dá! ― Quer dizer... eu imaginei. Eu também como de tudo, nem se preocupe!
Aproveitei os minutos que fiquei sozinha, enquanto ele ia buscar a nossa comida, para botar pra fora toda a minha alegria. Eu já não aguentava mais ficar entalada com ela na garganta. Comecei a gritar e a vibrar, fingindo que era pelo time Jaguars ter marcado ponto.
Poucos minutos mais tarde Niall voltou, equilibrando duas latinhas de Pepsi em uma mão e dois cachorros-quentes em outra.
― Hum... Que delícia! Acertou em cheio, Niall! Eu sou apaixonada por cachorro-quente!
 ― Ufa! Fiquei com medo de você não gostar! ― Disse ele, sorrindo (como sempre! Ah, como eu amo aquele sorriso...!), se sentando ao meu lado.
Ficamos comendo e conversando muito até o jogo terminar, que foi quando me bateu uma tristeza profunda. Por que esse jogo não poderia durar, sei lá, três dias? Ou quem sabe três meses? Não, melhor: três anos! Eu só queria ficar ali pra sempre, ao lado do meu Niall cavalheiro, risonho e fofo...
― Eu nem vi o tempo passar! ― Falou Niall, se levantando junto com metade do estádio.
Eu devo ter feito cara de cachorro abandonado e carente, pois, no mesmo instante, Niall me puxou pela cintura e me deu um abraço bem apertado de vinte segundos.
A cada segundo que se passava, meu coração derretia ainda mais.
― Vamos? ― Niall disse, quando nos desvinculamos do abraço.
Fiz que sim com a cabeça e fui andando ao seu lado, até que, em um momento, Niall entrelaçou a sua mão na minha. Ficamos andando assim, de mãos entrelaçadas, até entrarmos no carro.
Esse sonho não poderia estar mais perfeito, Diário...

sábado, 26 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 16

Diário da Samanta
23 de janeiro de 2013, quarta-feira


Querido diário,
Hoje, sem dúvidas, foi o dia mais feliz da minha vida inteira! Eu nem estou acreditando que vou escrever os próximos acontecimentos aqui em você. Acho que nem você mesmo vai acreditar! Aliás, ninguém NUNCA vai acreditar! Minhas mãos estão tremendo até agora. Não só elas, minhas pernas também estão! Estou surpresa que o meu coração ainda não saiu pela boca. Hoje foi simplesmente surreal, inacreditável, inimaginável! Acho que morri e fui para o paraíso. Ai, ok, vou parar de enrolar e contar de uma vez por todas o porquê da minha extrema felicidade! Hoje nós fomos almoçar com a Amanda no Nando’s (a comida de lá é INCRÍVEL), e simplesmente conhecemos o ONE DIRECTION. Eu sei, parece loucura, mas acredite, eu estou com a minha consciência totalmente sã e limpa! E Ana está de prova que eu não fiquei louca. ELA SIMPLESMENTE TROCOU O TELEFONE DELA COM NIALL JAMES HORAN! Meu Deus do Céu. Parece um sonho. Até acho que a ficha nunca vai cair! Eles são tão... incríveis. São exatamente como eu achei que seriam! Educados, gentis, fofos, engraçados, ótimos amigos, tranquilos e claro, extremamente e incondicionalmente lindos! Eles cinco precisaram falar com Amanda e foram almoçar com a gente! Niall e Ana conversaram o almoço inteiro, eu fiquei muito feliz por ela, porque sei que ela realizou o sonho da vida! E eu, meu bem, não fiquei nem um pouco pra trás: conversei muito com o Harry Styles:
- Prazer, meu nome é Harry! – Disse ele, dando um sorriso e apertando a minha mão, logo após de ajeitar o seu cabelo (http://data.whicdn.com/images/29480462/tumblr_m4r51mQkVM1rtg3bno1_500_large.gif).
- Prazer, o meu é Samanta! – Falei, sorrindo.
Nos sentamos um em frente ao outro. Harry tirou o seu casaco preto e o colocou nas costas de sua cadeira.
- Nós esperamos não estar atrapalhando em nada você, sua amiga e a Amanda. – Falou Harry, me olhando fixamente.
- Ah, claro que não. A gente só tava conversando, nada formal demais.
- Menos mal. – Sorriu ele. – Você é brasileira que nem a Amanda?
- Tá tão na cara assim? – Ri.
- Não, na verdade, foi só uma suposição. – Explicou ele, depois de uma risada baixa.
- E você é britânico que nem aquela moça? – Perguntei, desviando o olhar para uma senhora que estava em uma mesa ao lado, com um ar de humor.
- “Tá tão na cara assim?” – Harry me imitou, logo depois de ter visto a senhora (http://weheartit.com/entry/39857508/via/JaiswalEsha).
- “Ah, sei lá, foi só uma suposição.” – Retruquei, imitando ele.
Harry deu um riso encantador de lado e mordeu o lábio inferior, me encarando. O clima tava ficando muito constrangedor, então decidi quebrar o silêncio que estava entre nós dois, enquanto Ana ria e conversava com Niall e Zayn, Liam e Louis conversavam com Amanda. Eu não fazia ideia do que dizer, então para a minha felicidade, Harry quebrou o silêncio por si só:
- Você tá morando aqui na Inglaterra ou só veio visitar mesmo? – Perguntou ele, passando a mão em seu cabelo (http://weheartit.com/entry/40119722).
- Eu só vim visitar, vou voltar pra o Rio de Janeiro daqui há alguns dias. – Falei, passando os dedos entre o meu cabelo. – Mas se quiser comprar um apartamento aqui em Londres pra mim, seria legal!
- Talvez eu compre. – Disse Harry, me olhando e levantando as sobrancelhas.
Nós rimos juntos. Eu estava rindo simplesmente de tudo! Rindo da minha sorte, rindo do que ele tinha acabado de dizer, rindo de como aquela situação soava engraçada, rindo de mim conversando com Harry Edward Styles. Na verdade, eu estava tão feliz que podia rir por anos e anos! Era impressão minha ou Harry não parava de me encarar? Minhas mãos estavam soando, aquilo nunca tinha acontecido antes quando eu estava com algum garoto. Eu passava as minhas mãos na calça jeans e tentava agir normalmente. Minha garganta estava seca, mil pensamentos se passavam pela minha cabeça. Decidi chamar o garçom e pedir uma água mineral. A água veio muito rápido, pareceu mágica! Harry abriu a água e me deu (http://25.media.tumblr.com/tumblr_m1nr3b4Piw1qgafl2o2_250.gif). Aquilo tinha sido o cúmulo da gentileza, eu nem podia acreditar em como aquele garoto é perfeito. Respirei fundo, olhei para ele e sorri, indicando que estava agradecida. Nós ficamos conversando coisas sem um assunto específico, ríamos feito duas crianças. A voz rouca e grossa do Harry me fascinava, aquela voz lenta me deixava totalmente derretida. Às vezes, tinha a impressão de estar de boca aberta e babando pelo jeito encantador dele, então, tentava agir normalmente. Um tempo depois, os meninos e o Harry conversavam com Amanda sobre alguns negócios sobre a banda. Conversa vai, conversa vem, chegou a hora deles irem embora. Me bateu uma tristeza interior, eu não queria desgrudar do Harry nem por um segundo. Eu havia esperado tanto por esse momento, e tinha passado tão rápido! Nós ficamos lá jogando conversa fora por umas duas horas, mas pareciam ter passado apenas 5 minutos. Abracei Zayn, Louis, Liam e Niall. Abraçar eles me dava uma sensação indescritível! Aquelas roupas confortáveis e elegantes que eles usavam! O cabelo do Liam tá crescendo, não está mais tão raspado! Ele tá muito lindo. O Louis com aquele topete, uau. Que garoto mais charmoso, poxa! E o Zayn com aquela barba e aquele brinco dele... Com aquelas tatuagens no braço direito! Nem acredito que vi o “ZAP” pessoalmente!!! Os olhos do Niall são tão azuis que dão até dor de cabeça! Confesso que agora estou dividida entre o cabelo do Harry e o dele! Aqueles fios loiros e sedosos, nossa! Parecem que eles falam: “Me toque, me toque!” Eu me segurei para não fazer isso. Ah, claro, e o Harry... Ele usava uma calça jeans preta colada, uma camiseta branca básica e uma jaqueta preta. Deus devia estar muito inspirado quando criou esse garoto...
- Então, isso é um adeus? – Perguntei, vendo ele se aproximando de mim.
- Pra falar a verdade, só depende de você agora. – Disse Harry, me olhando fixamente com aqueles olhos grandes e verdes e dando aquele sorriso de lado extremamente lindo que só ele sabe dar.
- Ah, é? Isso por acaso é um convite pra alguma coisa? “Ah, sei lá, é só uma suposição.” – Perguntei, brincando com ele.
- Você não perde uma, né? – Riu ele, olhando rapidamente pra baixo e novamente para os meus olhos. – Mas você ganhou, está certa de novo. Convite aceito?
- Hm, não sei. Eu ainda preciso pensar, sabe? Você pode me dar seu celular e eu te ligo avisando. – Provoquei ele, levantando a sobrancelha direita e dando um sorriso fechado.
- Fechado, então. – Disse ele, pegando o meu celular do meu bolso e digitando seu número.
- Ei, só porque você faz parte de uma banda famosa não significa que pode ir pegando o celular do bolso dos outros, sabia? – Ri, fazendo ele rir.
- Agora eu sei... – Respondeu ele, me olhando de um jeito que me deixou realmente muito envergonhada.
- Ei, Harry! Anda logo com isso! Você arranja um tempo pra namorar depois! – Gritou Zayn da porta do restaurante, do lado dos outros meninos e já de saída.
-O dever te chama. – Sorri.
- É, chama sim. – Disse ele, me dando um abraço apertado, demorado e extremamente gostoso.
Nos separamos, ele olhou para mim e fez um gesto com o dedo indicador se afastando de sua testa, como se estivesse dizendo: “Até mais.” Se virou e foi andando até a porta, até sair do restaurante.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 15

Diário da Ana

23 de janeiro de 2013, quarta-feira



Disquei os números do telefone da Amanda e botei no viva voz. A cada chamada, eu e a Samanta ficávamos mais apreensivas. Seis chamadas mais tarde, ela atendeu.
― Alô?
― Amanda? Sou eu, Ana!
― Ah, oi, Ana! Tudo bom?
― Uhum, tudo sim... Estou te ligando para saber se o almoço de hoje ainda está de pé...
― Claro, linda! Inclusive já está quase na hora, né? Vou só avisar para os meninos que vou dar uma saidinha rápida e depois encontrarei eles no estúdio.
Meu coração gelou.
Afastei o telefone e comecei a gritar em silêncio, vibrando junto com a Samanta. Estávamos a ponto de jogar o celular pela janela de tanta empolgação e alegria. "Vou só avisar para os meninos que vou dar uma saidinha rápida"... aquelas palavras não saíam da minha mente.
Engoli, com muito esforço, toda a minha empolgação e disse:
― Ah... claro, sem problemas... Daqui há quarenta minutos nos encontramos no saguão, então?
― Fechado! Espero vocês lá! Um beijão!
― Outro!
Assim que desliguei o celular, eu e a Samanta nos olhamos, sorrimos e demos o maior grito da história da humanidade! Jogamos todos os travesseiros no chão e começamos a pular em cima da cama, berrando muito, feito duas estéricas.
Quando nos demos conta, faltava apenas meia hora para encontrarmos com a Amanda no saguão, então fomos correndo nos aprontar.
Tomei um banho, fiz babyliss nos meus cabelos, depois os prendi em um rabo de cavalo e me maquiei (sem esquecer, é claro, do meu velho amigo olho de gatinho e batom vermelho), para ficar ao menos apresentável. Depois revirei o armário inteiro procurando uma peça bonita, até que encontrei um vestidinho florido lindo. E, para finalizar, coloquei um salto alto amarelo, para me dar uns dez centímetros a mais (não queria ficar constrangida perto da Amanda, que deve ter uns 1,75 – ela parece uma das modelos da Victoria Secret's).
Avisamos para o Sandro que iríamos dar uma saidinha e que não era para ele se preocupar (e muito menos avisar para os meus pais), pois iríamos com uma amiga de confiança. Demos uma olhadinha rápida no espelho, para conferir se estava tudo ok, e voamos para o saguão. A Amanda já estava lá – mais linda do que nunca (fiquei até com uma invejinha branca dela).
― Amanda! ― Exclamei, ainda um pouco ofegante por ter ido de escada ao invés de elevador (não tínhamos tempo para esperar a boa vontade dele).
― Meninas! ― Ela disse, mostrando os seus lindos dentes brancos e perfeitamente alinhados ― Como vocês estão lindas! Querem arranjar algum gatinho inglês, é?
Nós três rimos e fomos em direção ao carro da Amanda, que por sinal é muito chique e... vermelho! Minha cor favorita – e provavelmente a dela também!
― E então, meninas, aonde querem almoçar?
― Hum... ― Fingi estar pensando ― que tal no Nando's?
A Samanta deu um risinho e me lançou uma piscadela.
― Ótima escolha, Ana! A comida de lá é simples e gostosa! ― Falou Amanda, me olhando pelo retrovisor.
Concordei, com ar de riso. Mal ela sabia que eu não estava indo no Nando's exatamente pela comida...
Conversa vai, conversa vem, até que chegamos no nosso tão desejado destino...
Ao entrarmos, não pude deixar de reparar em cada detalhe do restaurante, imaginando o Niall em uma das mesas, pedindo o seu prato com aquele seu sorriso lindo e encantador. Estava tão esperançosa que até cheguei a cogitar que ele estivesse no banheiro, mas quinze minutos se passaram e nenhum irlandês lindo e loiro saía de lá de dentro. Fiquei um pouco triste, mas logo me animei quando o meu prato chegou: frango picante com batata frita e milho. Novamente não pude deixar de imaginar o que o Niall pediria se estivesse aqui... será que o mesmo que eu pedi?
A Samanta e a Amanda pediram o mesmo prato: taco, arroz e milho.
– Hum... isso aqui tá muito bom! ― Dizia a Samanta enquanto mastigava ― Muito bom mesmo!
― Samanta! ― Falei, em tom de brincadeira ― É falta de educação falar de boca cheia!
A Amanda deu um risinho para descontrair e pediu licença para atendar a um telefonema. Eu e a Samanta nos entre olhamos, prestando atenção em cada detalhe da conversa.
― Alô? ― Disse ela em inglês para a tal pessoa do outro lado da linha ― Ah, eu vou me atrasar um pouquinho, tudo bem? Eu estou aqui no Nando's com umas colegas... Desculpem, não estava nos meus planos.
Meu coração gelou só de imaginar com quem ela estaria falando...
― Ah, então tudo bem. Se vocês querem vir... Eu encontro vocês aqui, então. Um beijo! Ok, tudo bem... Até daqui a pouco. Outro!
A Amanda desligou. O meu coração estava batendo tão forte e tão alto que eu estava vendo a hora de alguém escutar.
Eu – e percebi que a Samanta também – não queria ser indiscreta e perguntar com quem ela estava falando, por isso fiquei esperando que ela mesma dissesse.
― Era os meninos do One Direction. ― Falou ela, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Meu coração deu um pulo, rodopiou, andou de monta-russa e ainda saltou de paraquedas no exato momento em que ela disse aquelas seis palavrinhas mágicas.
Tenho que te confessar uma coisa, Diário... foi extremamente difícil vibrar apenas interiormente. A minha vontade era de sair gritando e pulando pelas mesas, comer todas as batatas fritas que tenho direito e nem me preocupar com a conta depois. Mas eu não fiz nada disso, é claro.
― Ah... eles vão vir para cá? ― Disse, forçando desinteresse ― Se quiser nós podemos ir embora, para não atrapalhar...
― É... nós podemos ir. Vamos entender, é sério. ― Completou Samanta, me apoiando.
Nós sabíamos que ela iria recusar, afinal, não correríamos um risco desses se não soubéssemos.
― Ah, não, meninas! Que besteira! ― Disse a Amanda e eu e a Sam demos um leve suspiro de alívio ― Vocês podem ficar, não vai ser nada demais. Na verdade, vai ser uma reunião bem informal, só os meninos vão vir mesmo.
― Então tudo bem... ― Falou a Sam ― Só não queremos atrapalhar.
― Mas vocês não vão, meninas. Sem cerimônia comigo, ok?
Uns quinze minutos se passaram e o meu coração só acelerava. Eu não sei se conseguiria aguentar olhar para frente e dar de cara com seis maravilhas entrando e vindo em direção a nossa mesa. Eu estava com muito medo de começar a chorar e a Amanda perceber que eu sou fã deles.
Eu esperei tanto por esse momento... Tanto. Ainda não tinha caído a ficha de que a qualquer momento eles apareceriam bem na minha frente e almoçariam comigo. Isso é bem mais do que eu imaginei. Muito mais, aliás. Na minha cabeça só iríamos nos olhar por três segundos, bater uma foto e darmos um último abraço de despedida. Porém, naquele momento, aconteceria algo muito mais duradouro e eu poderia até virar amiga deles. Era a minha chance, eu simplesmente não podia desperdiçar ela. Nem eu e nem a Samanta.
Repassei na minha cabeça tudo o que a Sam havia me dito umas horas atrás: para eu não me comportar como uma fã estérica e começar a chorar e berrar. Era para eles me enxergarem apenas como a amiga da garota da produção, para assim ser mais fácil ganhar a confiança deles.
― Eles chegaram. ― A voz da Sam saiu falha.
Levantei a minha cabeça e fui hipnotizada por um garoto baixinho, loiro e de lindos olhos azuis andando em nossa direção.
Minhas mãos começaram a tremer muito (quando eu digo muito, é muito mesmo)e a suar frio.
A cada passo que eles davam, se aproximando mais e mais de nós, o meu coração palpitava muito mais rápido.
Percebi que a qualquer momento eu desabaria em lágrimas, então fechei os meus olhos com bastante força e logo em seguida abri. Felizmente consegui controlar o choro.
Eles pararam em frente a nossa mesa.
Eu estava tão gelada que pensei que fosse desmaiar.
― Oi, Amanda! ― Disse o Louis, sorrindo, e então se virou para nós ― Oi, meninas!
Eu gelei.
― Oi... Louis? ― Disse com a voz trêmula, fingindo não saber direito o nome dele, quando na verdade eu sabia até a data de nascimento de seus pais.
― Isso! Louis! ― Ele respondeu, todo simpático, e se sentou ao meu lado.
― Bom, meninos, essas daqui são as minhas colegas, Ana e Samanta. ― Falou a Amanda, nos apresentando.
Cada um deles nos cumprimentou, apertando as nossas mãos.
Mas foi o cumprimento de um que me paralisou.
― Prazer, Ana. ― Ele disse, apertando a minha mão, sorrindo e com os olhos cravados nos meus ― Sou o Niall.
Fiquei um tempo paralisada 
– e fazendo o possível e o impossível para não chorar –, sem querer soltar a sua mão. Até que ele ficou meio sem graça e se sentou na minha frente, ainda segurando a minha mão – na verdade, eu que estava segurando a mão dele (mas prefiro acreditar que foi o contrário).
― Bom, Nanda... primeiro nós vamos querer almoçar, ok? Depois a gente fala sobre negócios. ― Falou Niall e todos riram, descontraídos.
Eu comecei a rir também, com os olhos marejados e o choro entalado na garganta. Eu estava dentro do grupinho de amigos deles... eu estava rindo com as gracinhas do Niall, assim como eles riam nos vídeos diários que faziam. Eu só podia estar sonhando.
― Mas é sério, gente! Eu não como desde cedo. ― Niall se justificou.
― Todos nós não comemos desde cedo, Niall! ― Disse o Harry, com seu charmoso sotaque inglês.
Eles não pareciam reais. Por mais que estivessem bem na minha frente, eu custava a acreditar que eles eram realmente de verdade. Estava tão acostumada a vê-los pela TV que, vê-los assim, pessoalmente, me parecia surreal, um sonho que logo acabaria. Eles eram tão iguais as fotos... pareciam até ter saído de um dos meus pôsteres e criado vida.
― Eu acho que vou pedir um sanduíche de presunto... ― Falou Liam, olhando para o cardápio.
Quando virei rapidinho para o lado, reparei que, do outro lado da mesa, a Sam já estava batendo o maior papo com o Harry. Confesso que morri de inveja (branca, é claro). Como ela conseguiu arranjar um assunto assim tão rápido? Eu precisava pensar em algo para falar com o Niall...
Mas ele foi mais rápido.
― Você é daqui de Londres? ― Perguntou o Niall, olhando para mim.
Eu ainda não havia me acostumado com a presença deles. Assim que ele me perguntou aquilo, meu coração palpitou ainda mais rápido.
Cadê aquela Ana faladeira e super sociável? Justo na hora que eu mais preciso dela, ela simplesmente desaparece.
Fiquei um tempo sem saber o que responder, sem saber de onde eu vim e o que eu estava fazendo em Londres. Até que o Niall repetiu a pergunta, provavelmente achando que eu não tivesse escutado.
― Ah, não... eu sou do... ― De onde eu sou mesmo? ― do Brasil. E você?
É claro que eu sei de onde ele é. Sei de cor e salteado.
― Ah, bem que eu percebi que você não era daqui! Eu sempre quis conhecer o Brasil, dizem que lá é muito bonito. ― Eu estava tão hipnotizada pelos seus olhos que não consegui escutar meia palavra do que ele estava dizendo ― Eu sou da Irlanda.
― É, o Brasil é muito lindo mesmo. Por quê não nos faz uma visitinha qualquer dia desses? Garanto que as suas fãs iriam adorar! ― Ri um pouquinho, para descontrair e fingir que, para mim, ele não passava de um garoto normal e fofinho.
Niall também riu, ainda com os olhos cravados nos meus.
― É um pouco complicado... mas nós estávamos pensando mesmo em ir para o Brasil, quando a nossa agenda deixar.
Eu nem reparei no que os outros estavam fazendo, parecia que só havia eu e o Niall naquela mesa e que o resto do mundo havia congelado.
Eu ri e disse:
― Ao contrário da sua, a minha agenda é bem liberal, ela deixa tudo... ― Niall começou a rir e eu vibrei por dentro ― Sabe, eu ainda estou no segundo ano do ensino médio e só sou famosa no meu condomínio.
Ele então começou a rir ainda mais, me fazendo a garota mais feliz e sortuda do mundo.
― Você é muito engraçada! ― Disse ele aos risos ― Antes nem no meu condomínio eu era famoso!
Eu comecei a gargalhar – só não sei pelo quê, exatamente. Eu estava tão boba de felicidade que se ele falasse "pudim" eu teria um ataque de riso.
― Estamos parecendo dois bobos rindo! ― Falei, rindo ainda mais ― É melhor você pedir a sua comida agora.
Niall foi parando de rir aos poucos.
― Tem razão! ― Disse ele ― Vou pedir o mesmo que o seu. Acho que além de bobos, temos o mesmo gosto.
Meu coração conseguiu a proeza de palpitar ainda mais rápido no instante em que ele disse aquilo. Parece que foi há um segundo atrás que eu estava pensando no que o Niall pediria se estivesse aqui comigo no Nando's. E agora ele realmente estava. E ia pedir o mesmo que o meu.
Enquanto o garçom não chegava com o pedido do meu agora colega Niall (nem acredito que estou escrevendo isso! O André vão pirar quando eu contar!), ficamos conversando sobre tudo: colégio, Irlanda, Brasil, fama e várias outras coisas.
― Eu gosto de cantar, mas é só um hobby mesmo, sabe? Meu sonho mesmo é ser veterinária.
Eu omiti um pouquinho – mas só um pouquinho –, porque, na verdade, o meu sonho é ser uma cantora famosa e ser veterinária, para cuidar de todos os gatinhos doentinhos e cachorrinhos.
― Ah... depois eu vou querer te ver cantar, viu?
Meu coração gelou.
Depois ele queria me ver cantar? Então isso significa que vamos nos encontrar outra vez! Significa que ele quer se encontrar comigo outra vez!
― Tudo bem... ― Disse, um pouco sem graça 
– ele iria se decepcionar ― Você tem algum animalzinho de estimação?
Gata chamada Jess.
― Tenho uma gata chamada Jess e você?
― Sério??? ― Me fingi de surpresa ― Eu tenho um gatinho chamado... ― Droga, droga, droga! ― Harry.
O Niall teve um ataque de riso.
― Harry? ― Ele não conseguia parar de rir.
― O que foi? ― Estava me surpreendendo cada vez mais com o quanto eu podia ser sonsa, sínica e mentirosa.
― O que foi aí, ein? ― Perguntou o Zayn, rindo um pouco, contagiado pela risada do Niall.
― O gato da Ana se chama HARRY! ― Respondeu Niall, com a mão na barriga, provavelmente sentindo dor de tanto rir.
É tão lindo ouvir o meu nome saindo da boca do Niall... Meu estômago embrulha só de lembrar.
De repente, todos da mesa começaram a gargalhar – inclusive a danadinha da Samanta, que uma hora daquelas já deveria estar trocando telefone com o Harry.
― Eu preciso conhecer esse gato xará do Harry! ― Falou o Louis, rindo à beça.
Depois do que pareceram horas rindo (e eu vermelha de tanta vergonha), eles finalmente pararam e voltaram a conversar entre si. Apenas eu e o Niall estávamos separados do grupinho de conversa deles – parecíamos até um casal apaixonado...
Quando todos terminaram de comer, a Amanda disse que ela e eles teriam que ir embora, pois estavam um pouco atrasados para uma reunião. Meu coração se despedaçou em mil pedacinhos. E se eu nunca mais voltasse a ver o Niall?
Eu disse que, para não atrapalhar, eu e a Samanta poderíamos pegar um táxi de volta para o hotel, já que não contribuímos em nada para pagar a conta do almoço 
– por mais que tivesse sido barata –, esse era o mínimo que podíamos fazer.
Todos se despediram de mim. O Niall foi o último.
Ele estava de pé, se despedindo da Samanta (percebi que, com ela, ele apenas deu um abraço normal), quando olhou para mim, deu um sorriso e foi vindo em minha direção.
Assim que ele chegou mais perto, minhas mãos começaram a suar frio e minhas pernas ficaram bambas. Ele me deu um abraço de seis segundos (sim, eu contei) e logo em seguida um beijo na bochecha. Depois se afastou um pouco, olhou bem nos meus olhos e disse:
― Tchau, Ana... Adorei conversar com você!
― Eu também! ― Sorri ― Nos vemos depois, então?
Ai, Diário... eu não resisti!
― Claro! ― Ele disse, pegando algo do bolso – dois segundos mais tarde percebi que era o seu celular ― Qual é o seu número?
Meu coração congelou.
Comecei a ditar o número do meu celular com a voz trêmula, rezando para que ele não notasse.
― Eu te ligo, então! ― Ele disse, sorrindo, sem desgrudar os olhos dos meus – percebi que eles estavam brilhando um pouco... (não me chame de iludida, Diário!).
Por fim, Niall me deu um último abraço e se foi, juntamente com os outros.
Quando perdemos eles de vista, dei um suspiro, olhei para Samanta e... começamos a chorar.

CAPÍTULO 14


          Diário da Samanta
Dia 22 de janeiro de 2013, terça-feira

Querido diário,

Hoje o dia está sendo incrível!!! Foi ótimo o fato de nós termos conhecido a Amanda no café da manhã! Ela é uma porta perfeita para chegarmos até o One Direction! Ai, nem acredito que isso está realmente acontecendo. Deve ser o destino, só pode! Nem consigo explicar como eu me senti quando li "PRODUÇÃO ONE DIRECTION" na camisa dela!  Eu e Ana passamos um tempão falando com ela e arrancando informações pequenas, mas que já são um passo enorme! Ela se despediu e foi embora! Eu e Ana nos olhamos paralisadas e com os olhos arregalados! É sério que nós tínhamos realmente tido aquela conversa com alguém que trabalha com os nossos meninos? Uau! Isso é SURREAL. Nós seguimos ela até o estacionamento, sem ela nos ver, claro, e vimos que ela entrou num Land Rover branco! Ótimo, já sabemos qual o carro dela! Saímos correndo para o nosso carro alugado e Sandro estava lá, chegando o porta-luvas! Entramos quase quebrando as portas no carro e gritamos para Sandro seguir o Land Rover branco! Sandro tomou um susto e entrou imediatamente  no carro, ligando o mesmo e focando o olhar no carro da Amanda!
- Senhoritas, podem me dizer o que está acontecendo? – Perguntou ele, preocupado.
- Ah, Sandro! É uma longa história! Prometo que logo depois que voltarmos, te explico direitinho! – Disse Ana, me olhando com um olhar nervoso.

Logo quando o Land Rover deu a partida, Sandro também deu. Seguimos o carro da Amanda por uns 20 minutos! Subimos viadutos, passamos por avenidas e por milhões de prédios! Eu estava me sentindo em um filme de perseguição! Aquilo era uma aventura! Não conseguia acreditar que estava vivendo aquilo, de uma hora pra outra! Eu e Ana estávamos atentas ao carro e cochichando sobre o nosso plano! Depois de muito andar, finalmente vimos Amanda entrando num estacionamento de um estúdio cercado de seguranças. Haviam muitas fãs fora do local, esperando ansiosas para ver sei lá quem estava lá dentro! E claro, esse era o One Direction. Sandro parou o carro um pouco antes e eu e Ana começamos a sussurrar.

- E agora, o que fazemos? – Perguntou Ana, ansiosa.
- Calma! Nós já sabemos onde eles estão.  E conhecemos essa tal de Amanda, que é muito próxima deles e está hospedada no nosso hotel, isso é um passo gigante, Ana!
- Eu sei! – Falou, empolgada. – Vamos descer e esperar eles fora do estúdio, para tirar fotos e tudo mais!
- Não, Ana! Não! – Segurei os ombros dela. – Nós não podemos conhecer eles assim, como fãs histéricas e que passam horas em frente ao estúdio para vê-los! Nós temos que conhecê-los através da Amanda, como garotas normais e que não querem nada com eles!  Certo?
- Certo... – Concordou Ana, dando um sorriso malicioso.

Anotamos a placa do carro da Amanda e fomos embora, de volta para o hotel. Sandro subiu para o seu quarto para dar um cochilo, enquanto eu e Ana ficamos no saguão do hotel, conversando sobre tudo aquilo! Sentamos em uma mesa e não paramos de gritar e falar com empolgação sobre o nosso plano!

- Ai, Ana! Vai dar tudo certo! Eu to sentindo! Com a Amanda perto da gente, vai ser tudo muito mais fácil! – Exclamei, com os olhos brilhando.
- Pois é! Vamos ficar aqui na recepção para ver quando ela vai chegar, perguntarmos onde é o quarto dela e...
- Olá, meninas. Será que podemos sentar aqui com vocês? – Interrompeu um garoto alto, de cabelo castanho escuro e olhos cor de mel, ao lado de um outro garoto, moreno claro, de cabelo castanho e olhos verdes.
- Er, é que... – Começou Ana.
- Podem sim! – Falei, dando uma leve pisada no pé dela.
- Eu sou o John e esse é o Eric. E vocês são...? – Falou o mesmo garoto, sentando do meu lado, enquanto Eric sentou ao lado da Ana.
- Eu sou a Samanta e essa é a Ana. Nós estamos hospedadas aqui! Vocês estão?
- Na verdade, não. Somos sobrinhos do dono do hotel e estamos aqui fazendo hora. – Explicou Eric. – Vocês não são daqui da Europa, né?
- Não, nós somos do Brasil! Estamos aqui só de férias por algum tempo. – Sorriu Ana.
- Ah, entendi... Logo eu percebi que vocês tinham algo a mais. – Falou John, aproximando sua cadeira da minha e me olhando fixamente.
- Ah, qual é! As britânicas são lindas. Você não tem do que reclamar. – Falei, o encarando e levantando a sobrancelha direita, fazendo John dar um sorriso de lado.
- Eu ouvi dizer que as brasileiras são bem mais que um rostinho bonito. – Retrucou ele, mordendo o lábio inferior. – E eu queria descobrir se isso é verdade.
- Ah, sei. – Ri. – Vamos fazer o seguinte... – Falei, colocando a mão no sei queixo. – Nós estamos no quarto 112 e seria muito bom se vocês pudessem nos visitar mais tarde, tipo umas 20:00h da noite...
- Ah, é? – Sussurrou ele, dando um sorriso malicioso. – Sem dúvidas, estaremos lá.

Eles se despediram e saíram da mesa.

- Sam, nós não estamos no quarto 112! Estamos no quarto 304! – Disse Ana, confusa.
- Eu sei disso, né, Ana? – Ri. – Espero que a visita deles ao quarto 112 seja das melhores!

Nos olhamos e começamos a gargalhar juntas. Bom, diário, só para constar: Lógico que nós conversamos em inglês com o John e o Eric, mas eu estou traduzindo tudo para você.
Passamos mais um tempão no saguão, pedimos uns coquetéis e ficamos conversando, rindo e planejando coisas. Logo, vimos a Amanda entrando no hotel. Ela estava passando pela nossa mesa.

- Amanda! Aqui! – Gritei, acenando para ela.
- Ah, oi, meninas! – Disse ela, se aproximando e sorrindo.
- Senta aqui com a gente, vamos conversar um pouco! – Falei.
- Tudo bem! – Aceitou ela, sentando ao nosso lado.
- Quer beber ou comer alguma coisa? Fica por nossa conta! – Falou Ana, pegando o cardápio.
- Pra falar a verdade, estou morta de fome! – Ela riu. – Vamos pedir alguma coisa e dividir a conta!
- Claro! – Falei.

Ficamos um tempão conversando e trocando ideias, comendo e bebendo. Amanda é uma pessoa muito legal! Espero que ela seja legal nos levando para conhecer o One Direction. Eu e Ana precisamos virar amigas da Amanda, assim, as nossas chances serão bem maiores!

- Bom, meninas. Estou indo para o meu quarto! Estou muito cansada. – Falou ela, nos abraçando e colocando a parte do dinheiro dela em cima da mesa. – Foi um prazer ficar conversando aqui com vocês!
- Ah, pra gente foi ótimo também! – Falei, sorrindo. – Podíamos almoçar juntas amanhã, que tal?
- Ah, seria um boa! – Ela disse, concordando.

Trocamos os nosso telefones e perguntamos em que quarto ela estava hospedada, caso precisássemos de algo com ela! Ela está no quarto 544! Perfeito! Marcamos mais um ponto! Nos despedimos, pagamos a conta e eu e Ana fomos para o nosso quarto. Assim que entramos, começamos a gritar feito loucas e a pular na cama! Cantamos, rimos e fizemos cócegas uma na outra! Estamos tão felizes com isso tudo! Agora que estamos em Londres, não podíamos deixar a perda do show nos desanimar. Temos que lutar e fazer de tudo para conhecer o One Direction, já que nunca estivemos tão perto assim deles! Depois disso, eu e Ana ficamos assistindo televisão e tomamos banho. Agora, vamos jantar lá em baixo com o Sandro! Diário, see you later!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 13


Diário da Ana
22 de janeiro de 2013, terça-feira, 4h56 da manhã


Perdemos o show, Diário. Perdemos o show das nossas vidas.
Por mais que eu e a Samanta soubéssemos que o show seria às 21h, ficamos esperançosas de o avião dar a louca e chegar em Londres a tempo - por isso escondemos nossos relógios para não ficarmos preocupadas e fomos na fé. Mas nada disso aconteceu. Chegamos no local do show e já eram 2h45 da manhã, dá para acreditar? Ainda haviam pessoas desmontando suas barracas, tirando suas faixas escrito "I Love One Direction" e pegando seus carros para ir para casa. Porém, nós, diferente dessas pessoas, havíamos acabado de chegar e ainda íamos comprar nossas faixas e cartazes... se tivesse sobrado alguém lá para vendê-las.
Voltei para o hotel totalmente frustrada e desiludida, com os olhos inchados e ardendo muito - pensei até que não conseguiria suportar a ardência.
Me joguei na cama e fiquei apenas olhando para o teto por cerca de quarenta minutos, sem desviar o olhar um segundo sequer, perdida em meus pensamentos. De repente, o meu celular começou a fazer um som que indicava duas mensagens novas.
Li a primeira, que dizia:
"Oi, minha linda! Como foi o show? Se divertiu muito? Aqui são 23h... aí deve ser bem tarde, né? Foi mal... não aguentei de curiosidade. Um beijo grande! Arthur."
Ler aquelas palavras... "Como foi o show? Se divertiu muito" foi como facadas no meu peito. É tudo muito recente, ainda estou muito arrasada para suportar ler uma coisa daquelas, me lembrando da maravilha que eu perdi simplesmente por um mero atraso. E, bem, sem falar que o Arthur não é a pessoa exatamente certa para conversar comigo numa hora dessas. Tudo bem, ele é o meu melhor amigo e eu gosto muito dele, porém ele não se contenta em ser só o meu amigo. Por várias vezes já tentei alertá-lo de que eu não quero nada além de amizade, mas em todas elas ele diz que um dia vai me reconquistar (sim, nós já fomos namorados, Diário... desculpe por não ter te contato antes).
Na hora eu estava tão arrasada, que acabei sendo bem amarga com o Arthur... eu simplesmente respondi: "Não teve show nenhum.".
A segunda mensagem era do André.
"Eu soube de tudo, Aninha... O Sandro ligou para cá há pouco tempo. Poxa, eu sinto muito mesmo... Mas não se preocupe, haverá outras oportunidades! Um beijão, minha irmãzinha predileta!" 
Naquele momento, a positividade do André não conseguia me contagiar. E além do mais, não haveria outra oportunidade. Como eu vou conhecer o One Direction agora? Vou caçá-los por Londres nesses quatro dias que me restam aqui? Impossível... os milhares de seguranças que eles tem não deixariam eu chegar nem perto. E tem também o Sandro, que agora deu para ser um fofoqueiro. Ele não tinha nada que ter contato para os meus pais que perdemos o show sem antes ter deixado a poeira abaixar. Agora com certeza o meu pai está na internet tentando trocar as nossas passagens para voltarmos para o Brasil amanhã mesmo, para não me deixar "triste e solitária". Mal eles sabem que eu vou ficar triste e solitária se eles me obrigarem a voltar para o Brasil sem antes ter conseguido fazer alguma coisa para conhecer os meus meninos.
Eu já estou decidida. Eu não vou voltar para o Brasil tão cedo. Nem tampouco em apenas quatro dias. Vou arranjar um jeito de fazer com que meus pais me deixem por aqui por mais uns dois meses (que é o tempo que voltam as minhas aulas). Até lá, com certeza, eu terei conhecido o One Direction, porque eu vou fazer o possível e o impossível para que isso aconteça. Ou eu não me chamo Anastácia Florentino Vieira.
Ops... mais uma coisa que eu esqueci de te contar, Diário... eu não me chamo apenas Ana. Eu me chamo, na verdade, Anastácia – igual a minha avó paterna. Só que, como você já deve ter deduzido, eu detesto com todas as minhas forças esse nome, que mais parece ser o nome de uma vovó mesmo e não de uma adolescente de dezesseis anos. Ana é um nome mais jovial... por isso peço que todos me chamem por ele (na verdade, só os íntimos sabem que eu me chamo... bem, aquele nome).
"Sei que sente muito André. E também sei que haverá outra oportunidade, mas só se o papai não inventar de trocar a minha passagem para hoje.  Portanto trate de avisá-lo que estou muito feliz aqui e não quero voltar para aí. Vou dormir. Boa noite! E não precisa me desejar uma boa noite também, porque a minha já está ótima. Bye, bye!"
Eu menti do início ao fim nessa mensagem que mandei para o André. Porém a minha intenção foi boa, eu não queria preocupá-los dizendo que estava completamente infeliz e me sentindo abandonada, já que a Samanta foi dormir reclamando de dor de cabeça, o Sandro está no quarto ao lado, provavelmente no sétimo sono, e a minha família está do outro lado do mundo. Eu queria prová-los que consigo ser feliz em um outro país longe deles, para assim o papai trocar a minha passagem de volta para o Brasil para daqui há uns meses...
O Arthur, mais tarde, me mandou uma outra mensagem. Lá no Brasil já deveria ser quase meia noite.
"Como assim não teve, Ana? Me explica essa história direito... Beijo!"
Na mesma hora eu respondi (já que era a única coisa que eu tinha para fazer sozinha em um quarto de hotel às 3h40 da manhã):
"Simplesmente não teve, Arthur."
O garoto é insistente.
"Nossa, que amargura... a coisa deve ter sido séria. Que tal se conversássemos sobre outra coisa para te distrair um pouquinho?"
"Não quero conversar."
Eu queria muito conversar. Não com ele. Com o Niall Horan.
"Nem comigo?"
"Principalmente com você", pensei em digitar.
Dois segundos depois comecei a sentir pena dele... eu estava sendo muito má com alguém que só queria o meu bem.
"Desculpa, Arthur... é que estou realmente chateada. Só não quero que comente nada disso com a Juliana, ok? Porque aí ela vai falar para a mãe, que consequentemente vai falar para a minha, já que elas são carne e unha."
"Pode deixar, isso fica só entre a gente. Mas e aí, como é Londres? E o hotel?"
"Até parece que você nunca veio em Londres, Arthur! Seu irmão mora aqui e você vive visitando ele! Enfim... o hotel é muito lindo, parece que estou dentro de um sonho."
"Eu sei. Só queria saber como é Londres da sua visão, boba!"
"Hum."
"Você está tão diferente... eu costuma te ver alegre, toda fofa e meiga..."
"Eu sei, Arthur... fico assim quando algo me abala profundamente. Bem, é melhor eu ir dormindo e o senhor também. Um beijinho bem estalado (como eu certamente diria se estivesse normal...)!"
"Hahaha é mesmo! Gosto dessa Ana... Um beijo estalado pra você também, ruivinha."
Dei um sorriso entristecido e guardei o celular na minha bolsa. Até eu estava sentindo falta de mim antes de ter dado de cara com o local do show vazio.
Agora eu realmente tenho que ir dormir, Diário. Amanhã promete – quer dizer, hoje. Eu sinto.

* * *

Acordamos de 9h30 e descemos para tomar café da manhã. A mesa estava tão cheia de comida que eu não sabia exatamente o que pegar. Depois de muito olhar, resolvi comer duas fatias de pão, queijo, suco de morango e um pedaço de torta de limão. Estava um pouco constrangida, pois, enquanto eu, o Sandro e a Samanta nos servíamos, percebi que algumas pessoas estavam nos olhando. Não sei se pelo meu cabelo ser cor de cereja, por nós estarmos falando português, ou por eu e a Sam estarmos com os olhos inchados (mais parecendo dois pandas) ou, quem sabe, por estarmos acompanhadas de um cara alto e de terno. Bem, resolvi não me importar e fui até a mesa do canto me sentar (que por sinal é bem chique, me senti até um pouco desconfortável). Em alguns instantes a Samanta e o Sandro vieram também.
Durante o café nós não falamos absolutamente nada, apenas estávamos concentrados em nossas comidas.
― Sam... ― Comecei a dizer, quebrando o silêncio.
― Hum? ― Ela disse, aparentemente chateada pelo que houve ontem.
― Nós não vamos desistir de conhecer eles só porque perdemos o show, né?
Percebi que o Sandro estava se sentindo um pouco desconfortável com o assunto em que ele não se encaixava. Ele então começou a olhar fixo para a janela, enquanto mastigava, fingindo que não estava ouvindo nada, para nos deixar mais a vontade.
― É claro que não, Ana! E eu já tenho um plano...
Subiu uma felicidade repentina no instante em que ela disse aquilo. Comecei a sorrir feito uma boba, sentindo a minha antiga eu de volta. Aquela alegre e positiva. Por mais que ela tivesse sumido apenas por algumas horas, eu senti muito a falta dela.
― E qual é, Sam? ― Perguntei, provavelmente com os olhos brilhando ― Fiquei curiosa agora!
Ela olhou de relance para o Sandro e falou baixinho:
― Agora não.
O Sandro, que não é bobo nem nada, percebeu tudo, então disse:
― Meninas... eu vou ter que ir checar o carro agora. Eu volto daqui a pouco. Por favor, permaneçam onde estão, não posso perdê-las de vista.
Eu e a Sam demos um risinho uma para outra e esperamos ele sair.
― É o seguinte ― Ela começou a dizer no instante em que perdemos o Sandro de vista ―, eu soube que o One Direction vai ficar aqui por mais algumas semanas, ou seja, temos tempo suficiente para botarmos o meu plano em ação.
― Ok, certo. ― Disse impaciente ― E qual é o plano?
Assim que a Sam ia abrir a boca para finalmente falar, ela desviou o olhar para uma outra coisa e simplesmente ficou paralisada. Virei para trás para ver o que era, até que eu também paralisei.
E não, não era o One Direction. Mas era quase isso.
― Eu não estou acreditando. ― Ela falou pausadamente, ainda com o olhar cravado na... na pessoa.
Até que a tal pessoa percebeu que estava sendo observada. Nós então desviamos o olhar bem rápido, para não dar bandeira.
― Você viu o que eu vi? ― Perguntei, com um sorriso tão grande que até doía.
― A camisa! ― Falamos ao mesmo tempo, como se tivéssemos combinado.
― "Produção One Direction"! Está escrito "Produção One Direction" atrás da camisa dela, Sam! Eu só devo estar sonhando acordada! Me belisca, me belisca!
Eu e ela começamos a gargalhar de felicidade, parecendo duas bobonas.
Até que resolvemos ir lá até a tal garota (pois é, ela parece ser muito nova para já estar trabalhando na produção do 1D. Eu e a Sam demos para ela uns vinte anos e olhe lá) para nos informarmos melhor...
― Excuse me... ― Falei, um pouco receosa do meu sotaque estar horrível.
Bem, inglês não é um problema para mim e nem para a Samanta, considerando que passávamos horas assistindo filmes americanos sem legenda, justamente para aprendermos a língua. E depois de uns dois anos vimos resultado: estávamos falando quase que fluentemente. Às vezes, em casa, eu e o André só conversávamos em inglês, para aprofundá-lo ainda mais.
― Sim? ― A garota disse, se virando para mim.
Eu e a Sam nos olhamos chocadas. Ela também fala português! E é ainda mais bonita cara a cara. Ela tem olhos bem verdes, longos cabelos castanhos cacheados e a pele morena. E além de tudo, convivia com o One Direction. Me senti uma ninguém perto dela.
― Você fala português? ― Perguntou a Sam, ainda visivelmente em choque.
A garota riu e depois disse:
― Sim. Eu sou brasileira, nasci no interior de São Paulo. Ah, e eu me chamo Amanda, prazer.
Eu e a Sam estávamos tão empolgadas com a descoberta, que começamos a interrogá-la, afinal, não é todo dia que viajamos para Londres, encontrarmos uma pessoa da produção do One Direction e descobrimos que ela é do nosso país.
― Como conseguiu ser da produção do One Direction? ― Questionei.
― Você mora em Londres? ― A Samanta perguntou quase que na mesma hora que eu perguntei.
Amanda começou a rir com a nossa empolgação.
― Vocês são fãs do One Direction, né? ― Ela simplesmente perguntou, ignorando as nossas perguntas.
Quando eu ia responder que com certeza sim, a Samanta foi mais rápida e disse:
― Não, não somos, não.
Olhei para ela com a maior cara de ponto de interrogação. A Amanda percebeu e falou, incrédula: "São ou não?". Novamente a Samanta foi mais rápida, respondendo por mim:
― Não somos. Na verdade, estamos em Londres a passeio. Perguntamos se você é da produção dessa banda, porque nosso sonho é trabalhar em produção também, só que da cantora Katy Perry, conhece?
A Amanda fez que sim e deixou que a Samanta continuasse a falar. É claro que ela conhecia. Quem não conhece Katy Perry?
― Então... como conseguiu ser da produção deles? Estamos loucas para saber.
― É, estamos mesmo. ― Concordei, embora sem saber aonde a Sam estava querendo chegar.
Amanda pareceu ter acreditado em nós e percebido que éramos de confiança e não apenas estávamos querendo arrancar informações para conhecer os patrões dela... Ela então nos contou tudo:
― Bem, ao contrário de vocês, eu sou muito fã do One Direction ― O meu queixo quase despencou ―, então eu comecei a arranjar maneiras de conviver com eles. Como o meu pai trabalha nessa área e eu já que eu sou maior de idade, ele conseguiu arranjar esse emprego para mim... desde então eu não desgrudo mais dos meninos. Estou até conseguindo ficar amiga deles... Bom, acho que já contei demais, não é?
Senti meu corpo inteiro vibrar de empolgação. Eu só podia estar mesmo sonhando, porque aquilo simplesmente não era possível. Aquela garota só podia ter caído dos céus para nos ajudar a conhecer o 1D! Eu pude até ter um pequeno vislumbre de nós, Niall e eu, nos casando no Brasil, com um monte de fãs querendo arrombar a porta para roubar o meu noivo.
― Ah, sim, você já contou demais... ― Disse, ainda em choque ― Muito obrigada pelas informações, Amanda. Eu não sei nem como te agradecer!
― Que isso! ― Ela disse, sorrindo ― Hoje mesmo vou encontrá-los... só não posso dizer aonde senão o meu chefe me mata!
Nós três rimos, parecendo amigas de infância. Eu estava bem descontraída por fora, mas por dentro apenas uma coisa percorria o meu pensamento: vou seguí-la, vou seguí-la, vou seguí-la.
― Mas nós nem somos fãs deles... ― A Samanta disse como quem não quer nada.
― Eu sei, meninas, mas é que eu realmente não posso, por mais que eu saiba que vocês não sejam fãs. Bem, eu nem deveria estar falando essas coisas para vocês... É melhor eu ir. Até logo!
― Só uma última pergunta! ― Falei rápido, antes que ela fosse embora ― Você está hospedada aqui?
― Estou sim... Até logo.
Até bem logo...

CAPÍTULO 12

Gravador da Samanta 
21 de janeiro de 2013, segunda-feira

Querido gravador,

Eu e a Ana estamos aqui, prestes a pousar em Londres! Que loucura, né? Nem to acreditando que to dizendo isso. Ela tá cochilando aqui do meu lado, por isso estou falando meio baixo. O piloto acabou de informar que daqui a aproximadamente 10 minutos, estaremos aterrizando no aeroporto de Heathrow! Isso mesmo, o aeroporto que o One Direction sempre pisa quando vai viajar! Logo logo eu estarei em um lugar que eles já estiveram. WOW. A senhora que está sentada do lado de Ana, na janela, falou que tem medo de olhar a altura, por isso, manteve a janela fechada a viagem inteira. Sim, ela não está entendendo o que estou falando, ela é americana! Que coisa, só porque eu queria ver a vista espetacular de Londres! Então, tentei olhar por qualquer outra janela de qualquer outro passageiro, mas minha vista não é muito boa para longe. A viagem não foi nem um pouco cansativa. Eu dormi a maior parte do tempo e ouvi música. Músicas animadas e pra cima, porque esse momento merece toda a alegria possível: Rock me, Live while we are young, Kiss you, Up all night e Stole my heart. A comida do avião não é péssima, como eu achei que seria, é até gostosa. Sandro, o motorista de Ana, dorme feito uma pedra na nossa frente! Ele está roncando faz umas três horas sem parar. Parece “música” aos meus ouvidos. Ana acabou de acordar! Senhorita Ana, como se sente sabendo que estamos acima da cidade mais linda do universo?!

Ana: “Bem animada! Ainda falta muito para chegarmos, Sam?”

Não, devem falta só alguns segundos! Não ligue, gravador. A Ana ainda está meio sonolenta e confusa, mas quando ela estiver bem acordada, tenho certeza que vamos ficar gritando feito loucas pelo aeroporto, lutando pelo gravador. Ana acabou de rir! Olha, Sandro acordou! Diga oi para o gravador Sandro!

Sandro: “Er... Olá, gravador. Olá senhoritas. Como estão indo de viagem?”
Ana: “Ah, muito bem, Sandro. Obrigada!”

Aaaaaai, acabamos de pousar! Que incrível! Ana tomou um susto quando as rodas tocaram o chão! Meu Deus, que engraçado! (risos de Ana e Samanta) Olha, relembrando, gente: Saímos do avião, pegamos nossas bagagens, alugamos o carro e vamos o mais rápido possível para o hotel, deixar nossas bagagens, nos arrumar e ir para o show pegar um bom lugar!

Ana: “Isso! Mal posso esperar para ver o aeroporto de Heathrow! Deve ser lindo!”

Ai, deve mesmo, Ana! Os avisos de apertar os cintos acabaram de desaparecer. Estamos pegando nossas bagagens de mão e saindo do avião, para pegar as malas, mas as pessoas são meio lerdas. (risos de Ana) Pronto, já estamos no corredor, indo pegar as malas. Estamos vendo a vista da cidade aqui das paredes de vidro! Claro, não dá pra ver muito bem, já que está de noite. Mas mesmo assim, tenho certeza que é linda! É toda iluminada, ai. Não consigo conter minha felicidade! Ana está aqui do meu lado, com os olhos brilhando e de boca aberta, nem deve estar me ouvindo falar, de tão deslumbrada com o aeroporto e a vista. Sandro está andando na nossa frente, levando minha mochila e a bolsa de Ana, ele também nem deve estar me ouvindo. Ah, ele acabou de me olhar! (risos) Desculpa por subestimar você. Sandro. Minhas pernas estão bambas. Não estou acreditando que estou pisando em solo britânico, meu Deus! Parecia uma coisa tão distante para mim, e agora, é uma realidade. Isso é inacreditável. Eu devo estar sonhando! Au, Ana acabou de me beliscar!

Ana: “Queria te mostrar que não estamos sonhando!” (rindo)

Hahá, engraçadinha. Pronto, chegamos na esteira das malas! Nossa, elas já estão vindo ali. Todas enfileiradas! Sandro foi pegar um carrinho para colocarmos as bagagens. Não, Ana, espera! Eu pego as malas, você não aguenta o peso!

Ana: “Ei, eu não sou tão fraca assim, tá?” (voz manhosa)

Não é que você seja fraca, amiga. Você é... frágil, só isso. Ai, essas malas estão bem pesadas! Nós trouxemos roupa para um ano, não para 4 dias! Pronto, estamos colocando as bagagens aqui no carrinho para irmos alugar o carro. Temos que alugar um carro bonito, confortável!

Ana: “E um que seja vermelho!” (exclamou, animada)

Vermelho? Você não se cansa de vermelho não, Ana? Tudo seu é vermelho! Até seu cabelo.

Ana: “Tudo nada! Não seja exagerada, Sam.” (rindo)

Já passamos do portão e estamos indo em direção ao lugar que alugam carros aqui no aeroporto. As pessoas aqui em Londres se vestem tão bem que me deixam boquiaberta! Olha essas mulheres lindas, estilosas e elegantes! Com seus saltos chiques, cabelos impecáveis e bolsas deslumbrantes. Ah, e os homens são extremamente atraentes e lindos! Estou vendo um mais lindo que o outro. As pessoas estão nos olhando com olhos estranhos, deve ser por causa do cabelo da Ana ou porque estou parecendo uma louca falando com um gravador. Não ligo! Vou gravar TUDO.

Sandro: “Qual carro as senhoritas preferem?”

Ai, não faço ideia! Ana, escolhe. É melhor. Eu confio em você! Vai escolhendo enquanto eu vou ali no banheiro.

Ana: “Ah, tá bom!” (Abrindo o livro de modelos e sorrindo)

Ah, ali! A porta do banheiro. Estou apertada desde a viagem dentro do avião! Não tive coragem de ir no banheiro de lá, eu morro de medo! O banheiro do avião é minúsculo e assustador. Vou ter que te desligar, gravador, para usar o banheiro! Mais assim que eu lavar minhas mãos, te ligo de novo. Prometo.
(GRAVADOR OFF/GRAVADOR ON)

Pronto! Uau, até o banheiro do aeroporto é lindo! Estou chocada. As descargas ligam sozinhas! Ali está, Sandro pegando as chaves do carro e assinando o contrato de aluguél. Espero que Ana tenha escolhido um carro descente! Pronto, pessoal, cheguei.

Sandro: “Podemos ir para o carro, senhoritas. Já está tudo correto.”
Ana: “Você vai adorar o carro que escolhi! Parece ser aconchegante, perfeito e super discreto!”

Ah, então tá. Bom, estamos aqui saindo do aeroporto, indo pegar o carro. Andando, andando e andando. Ana, dá pra acreditar que daqui a umas horas, veremos o One Direction que tanto amamos e sonhamos em conhecer?

Ana: “Não, não dá! Ai, que emoção!” (Saltitando no estacionamento)

Pois é! Ah, é esse carro? Boa escolha, gostei! É preto, elegante e de couro por dentro. Muito fofo! Amei na verdade, apesar de ser muito estranho o volante ficar do lado direito do carro aqui na Inglaterra (http://farm4.static.flickr.com/3486/3795756317_96567dfb66.jpg)! Pode entrar primeiro, Ana. Primeiro as damas! (risos de Ana) Sandro está colocando as malas no porta-malas. Uau, esse carro é confortável. Esse banco é melhor que a minha cama! Estou sentindo que essa viagem vai ser maravilhosa! Ana não para de sorrir! Nem eu!!! Pronto, Sandro entrou no carro. Estamos indo agora para o hotel, ele tem o endereço direitinho. Estamos saindo do estacionamento. Quando chegarmos no hotel e já estivermos no quarto, eu te ligo, gravador! Bye!
(GRAVADOR OFF/GRAVADOR ON)

GRAVADOR, VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! O QUARTO DO HOTEL É LINDO! NÃO SÓ O QUARTO, MAS O HOTEL INTEIRO É LINDO! Ana está aqui pulando na cama, que nem uma criancinha! É tudo perfeito! Nunca vi nada igual a isso! A cama de casal é confortável demais! O colchão é imenso, cabem eu, Ana e mais trezentas pessoas! Os travesseiros, almofadas e edredons são macios e com cheiro incrível! Há uma televisão imensa de plasma na parede, um closet imenso e lindo para as nossas roupas e calçados! O chão é de carpete e há um espelho gigante que toma conta de uma parede inteira! O quarto é extremamente imenso. Há vários cômodos, até uma mini sala de estar! (http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/08/313_3121-wilson-4.jpg)! E o banheiro, é mais lindo impossível! Tem uma banheira de hidromassagem imensa! Esse banheiro é maior que o meu quarto! Tem duas pias imensas de mármore e ainda, chuveiro! É tudo tão delicado, antigo, sofisticado! Eu estou me sentindo num palácio! (http://www.clickatualidade.com.br/wp-content/uploads/2012/06/decoracao-banheiro-chique.jpg) ! As janelas do quarto dão para a London eye, aquela roda gigante linda e famosa aqui de Londres (http://agenciagancho.com.br/blog/wp-content/uploads/london-eye-twitter.jpg )! É tudo tão lindo e perfeito. Parece um sonho! Os pais de Ana realmente fizeram uma escolha inacreditável! Eu devo estar no paraíso. Bom, quando voltarmos do show, teremos mais tempo de observar isso! Agora temos que nos arrumar rápido para irmos! Ana está trocando de roupa no banheiro e se arrumando. Eu estou me maquiando aqui no espelho da penteadeira. Base, pó bem leve, blush discreto, rímel preto e um gloss. Soltei meu cabelo e estou passando minhas mãos nele! Pronto, Ana saiu do banheiro! Agora estamos indo chamar Sandro no seu quarto que é do lado do nosso, para irmos logo para o show! O corredor é imenso e lindo! Há espelhos por toda parte e é tudo tão largo e espaçoso! O chão é incrível, cheio de detalhes lindos! Esse hotel parece coisa de outro mundo (http://www.pitacosdapi.com.br/wp-content/uploads/2010/12/corredor.jpg)! Pronto, Sandro abriu a porta! Estamos entrando no elevador e indo para o carro.

Ana: “Estou sentindo um frio na barriga gigante, Sam. Acho que vou desmaiar no caminho.” (Respirando fundo e de olhos fechados)

Eu te ajudo, se não desmaiar primeiro. Ai meu Deus, calma, Samanta, respira. Você só vai ver 5 meninos lindos, talentosos e que você ama. SÓ? Ok, vou tentar ficar calma. Já estamos aqui no carro. Estamos apreensivas e nervosas. LÓGICO, não é pra menos! Você, gravador, está entre as minhas pernas, enquanto eu não paro de mexer no meu cabelo e ajeitar a minha roupa. Ana faz o mesmo! Sandro dirige calmo e atento com o endereço do local do show. Ai, Ana! Nós vamos fazer dessa noite, inesquecível! Vamos cantar, pular, gritar, enlouquecer! O dia que a gente tanto esperou e chorou pra ter, chegou. Estou tão nervosa que os meus olhos estão lacrimejando, meu coração está a mil por hora e minhas mãos estão suando. (PAUSA NA GRAVAÇÃO)

Estamos aqui, há trinta minutos, nessa apreensão! Pronto, parece que chegamos! O lugar é imenso e está todo iluminado, uau! É um estádio gigante. E está cheio de pessoas fora dele! Hã, pessoas fora, como assim?!

Ana: “Sandro, que horas são?” (Confusa e coçando a cabeça)
Sandro: “Bom, senhorita Samanta. São... 2:45h!” (Olhando o seu relógio)

O que?! 2:45H? COMO ASSIM? O show começava às 21:00h aqui em Londres, Ana! Já se passou muitas horas! Nós nem olhamos o horário! Ficamos tão apressadas e deslumbradas com a viagem que esquecemos de verificar as horas! Como nós pudemos ser tão bobas? As pessoas estão saindo do estádio, entrando nos seus carros e indo embora! Há meninas chorando, meninas com cartazes enrolados, faixas nas cabeças e luzes fluorescentes em seu corpo! Eu não to acreditando nisso. Eu não estou acreditando que perdemos o show! Não estou acreditando que perdemos a nossa oportunidade! (chorando) Nada dá certo, NADA! Nós viemos para Londres, pagamos hotel, fizemos de tudo para isso dar certo e no fim das contas, tudo dá errado! Que droga, que droga! Eu detesto minha vida! Detesto meu destino, detesto tudo!

Ana: “Nós perdemos uma oportunidade única, Sam! Talvez nunca mais tenhamos ela de novo! Nunca mais!” (Chorando e me abraçando)
Sandro: “Er... eu posso fazer algo por vocês, senhoritas?”
Ana: “Pode, Sandro. Dirigir para o hotel!” (Desiludida e soluçando)


(GRAVAÇÃO OFF)