Diário da Ana
24 de janeiro de 2013, quinta-feira
Calma aí... é melhor eu voltar um pouquinho no tempo, não é, Diário? Você deve estar um pouco confuso e sem entender para onde eu estava indo. Porém, tenho quase certeza de que você já deve ter deduzido...
Eu passei a madrugada inteira em claro, revivendo em minha mente cada momento do dia anterior - desde o momento em que eu cheguei ao Nando's até a minha volta para o hotel. E até agora ainda não caiu a minha ficha. É simplesmente inacreditável! Até uns dias atrás eu achava que esse tipo de coisa só acontecia nas fanfics que eu leio sobre o One Direction e que, jamais, em hipótese alguma, isso viria a acontecer na minha vidinha monótona que até então eu vivia no Rio de Janeiro, no meu condomínio com pessoas normais e tediosas. Por mais que eu tivesse vários planos de casar com o Niall, eu nunca acreditei fielmente que isso fosse realmente acontecer - na verdade, eu nem sequer imaginaria que eu viesse a trocar mais que duas palavras com ele. E mais: que ele me convidaria para sair...
Às vezes eu penso que estou dentro de um sonho e que logo, logo irei acordar, porque o que tenho vivido nesses últimos três dias simplesmente não parecem reais. Eu choro todas as noites, relembrando tudo que sonhei e tudo que já se concretizou desses meus sonhos... É surreal.
Bem, voltando ao foco inicial (senão eu vou acabar chorando). Eu havia me levantado às cinco da manhã e fiquei fazendo nada até 12h00, que foi quando recebi o telefonema dele.
― Alô?
― Ana? ― A pessoa do outro lado da linha falou, com um sotaque diferente.
Até então eu não sabia quem era, só deduzi que não fosse do Brasil, por isso comecei a falar em inglês.
― Sim, é ela. Quem é?
― Oi, Ana! Sou eu, o Niall. Lembra de mim?
Meu coração deu um pulo de felicidade e os meus olhos começaram a lacrimejar. Por pouquíssimo não desabei em lágrimas.
Respirei fundo (isso está realmente acontecendo comigo??? Se não, não quero acordar agora!!!) e disse:
― Oi, Niall! É claro que me lembro de você! ― Não resisti e dei um risinho ― Tudo bom?
― Tudo! Ana... ― Ele parecia meio sem jeito ― eu estou te ligando para saber se você não quer ir comigo a um jogo de futebol hoje... É muito legal, acho que você ia gostar!
Sentei no telefone e comecei a chorar, gritar e rir ao mesmo tempo. Peguei uma toalha que estava próxima e comecei a morder com toda a minha força, chorando muito. Quinze segundos mais tarde, consegui me recompor e tornei a falar.
― Claro, eu adoraria! Eu estava até pensando em sair mesmo, mas não conheço nada por aqui, então fico meia sem saber para onde ir... E acho que você daria um ótimo guia turístico!
Niall riu e disse:
― Você demorou tanto pra responder que eu pensei que estivesse pensando em uma desculpa para não ir...
Meu coração se derreteu por completo quando ele disse aquilo. Eu? Um mero ser mortal dispensar Niall James Horan? Coitada de mim.
― Não! Não foi nada disso! Eu... eu só... ― Tentei me explicar ― fui ali rapidinho ver o que a camareira queria.
Se eu fosse irmã do Pinóquio meu nariz certamente estaria do tamanho do Cristo Redentor.
― Ah bom! ― Ele deu um risinho ― Então... eu te pego às 15h00?
― Aham!!! Quer dizer... tudo bem. Estarei pronta às 15h, então. Até lá!
― Até! Um beijo.
E então ele desligou, me deixando sozinha olhando para um ponto fixo e refletindo cada detalhe da conversa. Depois de três minutos presa em meus devaneios, dei um grito e comecei a pular na cama, louca de felicidade. Infelizmente a Samanta não estava lá para compartilhar essa alegria toda comigo... Ela havia dado uma saidinha para conhecer Londres com o Sandro.
Porém, o fato era: eu sairia com Niall Horan. Eu, Anastácia Florentino Vieira, sairia com Niall James Horan. Eu só podia estar sonhando. Não é possível. Simplesmente não é.
Bem, como tudo já está devidamente explicado, vamos voltar ao início do primeiro parágrafo: o relógio havia marcado 15h00 em ponto. Fui correndo chamar o elevador e depois do que pareceram horas ele finalmente se abriu. Enquanto ele descia, eu ficava repassando tudo que planejei dizer para o Niall. Seria mais ou menos assim: "Oi, Niall! Está aí há muito tempo?" e ele, educado do jeito que é, provavelmente responderia: "Não, faz só alguns minutinhos", "Ah, que bom! Em qual estádio vamos assistir o jogo?" e, bem, depois disso a conversa rolaria naturalmente. O elevador chegou no saguão. Minhas mãos começaram a suar frio, porém eu ignorei e fui andando, até que eu encontrei ele. Ele estava sentado em um sofá, com uma calça jeans, uma camiseta polo vermelha e um tênis (como não entendo muito de tênis, não sei dizer qual era a marca e muito menos o modelo).
― Oi, Niall! Está aí há muito tempo? ― Perguntei, simpática, seguindo o meu planejamento.
Ao mesmo tempo que respondia que não, ele se levantou e me deu um abraço seguido de um beijo da bochecha. Senti meu rosto corar no mesmo instante.
Estava tão nervosa que acabei esquecendo da segunda coisa que eu havia planejado dizer. Enquanto pensava no que falar, Niall foi mais rápido e disse:
― Você já foi a algum jogo de futebol?
Começamos a nos direcionar a saída do hotel, enquanto conversávamos.
― Quase sempre eu vou no Maracanã ver os jogos, eu amo futebol! Mas futebol americano eu não entendo muito... Talvez fique perdida durante a partida. Quando o time que torceremos fizer ponto, me avisa que aí eu comemoro.
Niall começou a rir.
― Pode deixar que eu te ensino como se joga futebol americano! É fácil, você vai aprender bem rápido.
― Eu espero que sim, viu! Não quero ficar lá com cara de pateta.
Niall nem reagiu ao que eu disse, fiquei até um pouco sem graça. De repente, ele ficou bem sério e pareceu estar preocupado com alguma coisa.
― O que houve, Niall? ― Perguntei, incrédula.
Ele me parou, bem quando estávamos saindo do hotel, e disse, próximo a mim (tão próximo que eu pude até sentir o cheiro do seu hálito: parecia Halls de hortelã):
― Olha, Ana, nós temos que entrar bem rápido no meu carro, ok? Lá fora tem um monte de paparazzi querendo fotografar com quem eu estou saindo e eles podem te machucar.
Ao invés de ficar preocupada, eu fiquei encantada e deslumbrada com tanta fofura e cavalheirismo. Meu coração só faltou derreter ali mesmo. Niall estava preocupado comigo. E mais: eu era a garota que estava saindo com Niall Horan. Ok, constatado: aquilo só podia ser um sonho.
Eu estava tão hipnotizada, que até me esqueci de respondê-lo.
― Tudo bem? ― Ele disse, para ver se eu tinha realmente escutado.
― Ah ― Voltei ao mundo real ―, tudo bem... O seu carro está muito longe?
― Não, ele está bem aqui em frente, mas os paparazzi costumam ser muito rápidos e brutos. Vem, me dá a sua mão.
Ele então segurou bem firme a minha mão e foi me direcionando até o carro, em meio a uma multidão de paparazzi. Eu costumava chamar os artistas que tampavam o rosto com as mãos de frescos, mas agora vi que os flashes eram tão fortes que é impossível não botar nem um dedinho sequer no rosto, para se proteger. Por mais que os meus olhos estivessem doendo um pouco, eu não conseguia deixar de amar aquilo tudo. Eu sempre sonhei em ser uma cantora famosa e ter milhares de paparazzi me seguindo, para no dia seguinte eu sair na capa de alguma revista de fofoca. Aquele mundo, que para tantos artistas era um horror, para mim era maravilhoso.
Quando finalmente entramos no carro, alguns paparazzi batiam no vidro, implorando para uma foto nossa juntos. Quando dei por mim, eu estava sorrindo e acenando para as câmeras. Eu me deixei levar pelos meus quinze minutos de fama e acabei me empolgando além do limite (e também eu estava meio que com pena dos paparazzi...). Imagina só eu e o Niall saindo em capas de revistas no dia seguinte? A manchete seria: "Suposta namorada do Niall faz pose para os fotógrafos, aproveitando seus quinze minutos de fama!". Seria um mico enorme, mas pensando bem eu nem me importo. Pelo menos eu estava ao lado do amor da minha vida e é só isso que importa.
Niall arrancou o carro dali no instante em que os paparazzi saíram do caminho.
― Desculpa pelo sufoco.
― Que isso! ― Sorri ― É o trabalho deles, né...
Niall arqueou as sobrancelhas e mordeu uma das bochechas, parecendo um pouco irritado. Então logo resolvi mudar de assunto, para quebrar o clima pesado:
― Você tirou sua carteira de motorista há pouco tempo, não é?
Ele me olhou por um segundo, com uma expressão incrédula, e voltou a olhar para frente.
― Como sabe disso?
Ops.
Gaguejei uma desculpa qualquer e ele pareceu ter acreditado.
Ficamos conversando sobre várias coisas durante o trajeto até o Wembley, que eu descobri que é o nome do estádio.
Quando chegamos lá, fiquei completamente deslumbrada. O campo é enorme e incrivelmente verde e as cadeiras são... adivinha? Vermelhas! Nem preciso dizer que amei de cara, não é?
Sentamos próximos ao campo e o Niall logo me alertou que lá também haviam paparazzis. Fiquei apavorada com o quanto esses caras podem perseguir alguém. Depois ele começou a me explicar como é que se joga futebol americano e eu entendi mais ou menos... Bem, pelo menos agora eu tinha uma noção. Niall me disse também que os times que iam jogar eram o San Francisco 49ers e Jaguars. Ele meio que falou grego pra mim, pois eu nunca nem tinha ouvido falar naqueles times, mas tudo bem.
No meio do jogo, uma fã veio até o Niall, toda eufórica, e disse:
― Niall! Eu não acredito! Pode tirar uma foto comigo?
Ele ficou todo contente e disse que sim. Eu, é claro, fui a fotógrafa. Confesso que fiquei com um pouco de ciúme pois, além da garota ser mil vezes mais bonita que eu, ela ainda teve a cara de pau de anotar o seu telefone e dar para o Niall.
― Você não vai ligar pra ela, não, né? ― Perguntei como quem não quer nada.
Niall começou a rir e disse:
― Hum... Você está com ciúmes? É isso mesmo que eu estou vendo?
Fiz a maior cara de indignada.
― Quem disse que eu estou com ciúmes? Óbvio que não! Só acho que você não deve ligar para uma desconhecida... vai que ela é uma maníaca ou sei lá?
Ele então riu ainda mais.
― Não acho que ela seja uma maníaca, mas se você diz... Então eu não ligo.
Eu sorri satisfeita para ele e ele sorriu pra mim. Ficamos um tempo assim, nos olhando, como se não existisse jogo algum na nossa frente para assistirmos. Parecia que só havia nós dois naquele estádio enorme. Niall abaixou os olhos, parecendo constrangido, e depois voltou a me olhar.
― Você quer comer alguma coisa? Porque eu estou morrendo de fome!
― Ah, quero sim, obrigada! Pode ser qualquer coisa... eu confio no seu gosto!
Ele sorriu, fez uma cara engraçada, massageou a barriga e disse:
― Olha que eu como de tudo, ein...
― Eu sei. ― Mais uma mancada Ana? Assim não dá! ― Quer dizer... eu imaginei. Eu também como de tudo, nem se preocupe!
Aproveitei os minutos que fiquei sozinha, enquanto ele ia buscar a nossa comida, para botar pra fora toda a minha alegria. Eu já não aguentava mais ficar entalada com ela na garganta. Comecei a gritar e a vibrar, fingindo que era pelo time Jaguars ter marcado ponto.
Poucos minutos mais tarde Niall voltou, equilibrando duas latinhas de Pepsi em uma mão e dois cachorros-quentes em outra.
― Hum... Que delícia! Acertou em cheio, Niall! Eu sou apaixonada por cachorro-quente!
― Ufa! Fiquei com medo de você não gostar! ― Disse ele, sorrindo (como sempre! Ah, como eu amo aquele sorriso...!), se sentando ao meu lado.
Ficamos comendo e conversando muito até o jogo terminar, que foi quando me bateu uma tristeza profunda. Por que esse jogo não poderia durar, sei lá, três dias? Ou quem sabe três meses? Não, melhor: três anos! Eu só queria ficar ali pra sempre, ao lado do meu Niall cavalheiro, risonho e fofo...
― Eu nem vi o tempo passar! ― Falou Niall, se levantando junto com metade do estádio.
Eu devo ter feito cara de cachorro abandonado e carente, pois, no mesmo instante, Niall me puxou pela cintura e me deu um abraço bem apertado de vinte segundos.
A cada segundo que se passava, meu coração derretia ainda mais.
― Vamos? ― Niall disse, quando nos desvinculamos do abraço.
Fiz que sim com a cabeça e fui andando ao seu lado, até que, em um momento, Niall entrelaçou a sua mão na minha. Ficamos andando assim, de mãos entrelaçadas, até entrarmos no carro.
Esse sonho não poderia estar mais perfeito, Diário...

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