quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 7


Diário da Ana
17 de janeiro de 2013, quinta-feira



Boa noite, Diário!!!
Hoje foi um longo e cansativo dia – além de extremamente divertido e... interessante. Haha!
Ai... estou tão exausta. Minha vontade é de não escrever sobre o dia de hoje, mas eu sei que preciso, afinal, não faria uma desfeita dessas com você.
Bem, antes de todos da minha casa acordarem, eu já estava de pé há um tempão, separando os meus perfumes, sapatos e jóias para a viagem (eu estou tão empolgada que mal consegui dormir! Faltam apenas quatro dias!!! Estou na contagem regressiva!!!).
Logo em seguida fui deitar um pouco, porque minhas costas já estavam doendo de tanto eu me esticar para tentar pegar o meu salto alto preferido lá no topo do armário – e olha que eu estava em cima de um banquinho (culpa dos meus 1,59!).
Alguns minutos mais tarde a Samanta me ligou avisando que combinou com os nossos amigos para de 12h00 nos encontrarmos na praia (que fica bem pertinho daqui, é só atravessar a rua – eu sei, morar no Leblon é um sonho!).
Olhei meio que instantaneamente para meu o relógio de pulso e vi que já eram 11h20! Eu teria que me virar nos 30 (como diria o Faustão) para conseguir me aprontar a tempo!
Corri para o meu armário, peguei o meu melhor biquíni (com estampa de gatinho, para eu me sentir perto do Harry em qualquer lugar que eu esteja) e comecei a passar o meu protetor solar fator 98 (pois é, fator 98! O André conseguiu achar essa proeza na 25 de março, quando foi em São Paulo visitar sua ex namorada) – proteção nunca é demais. Porém, claro, não passei tanto, já que queria pegar um bronze e deixar minhas bochechas mais coradinhas.
Passei um gloss bem rápido, amarrei minha tanga na cintura, me despedi do André e dos meus pais e voei para a praia.
Todos já estavam lá quando eu cheguei (me atrasei só um pouquinho).
― Até que enfim a rainha chegou! ― Começou Samanta ― Demorou pra escolher entre o biquíni rosa bebê e o rosa pink? ― E por fim, riu.
A Samanta conseguia ser muito irritante, às vezes.
― Deu para fazer gracinhas agora, é? ― Forcei um riso e me virei para o Gabriel ― Ela só está querendo se exibir para você.
Todos começaram a rir e eu me senti vingada.
― Ah é, verdade. Tinha me esquecido disso. ― Ironizou Samanta, revirando os olhos.
Revirei os olhos também e me sentei na cadeira de plástico ao lado da do Arthur.
― E aí, galera? ― Disse Arthur, com o seu sotaque carioca carregadíssimo ― Vamos dar um mergulho?
― Ah, não, Arthur! Agora não! ― Choraminguei ― Vamos primeiro tomar um solzinho...
"E apreciar a bela vista", pensei.
― Eu topo, Arthur! ― Falou Samanta, já se levantando e tirando o seu short.
― Gente, a Ana tem razão. ― Disse Juliana ― Nós acabamos de almoçar, não é bom mergulharmos agora. Conheço casos de pessoas que já morreram por isso.
O Gabriel começou a rir, com aquela sua risada esquisita e escandalosa.
― Um mergulhinho básico não mata ninguém, não, Jujuba! ― E de repente se virou para a Samanta ― Principalmente acompanhado de uma ratinha dessas...
O Arthur quase se engasgou com a sua água de coco de tanto rir.
― Ratinha? ― Ele perguntou, aos risos.
― Sim, ratinha. Eu acho os ratos muito mais bonitos e charmosos que os gatos. E é por isso que a Sam não merece ser chamada só de gatinha.
Eu não sabia se ria ou se chorava.
O Gabriel é muito retardado. Que pessoa em sã consciência chama uma garota de "ratinha"? E principalmente se essa garota for a Samanta.
― Gabriel, se você me chamar de rato mais uma vez, prepare-se pra perder esses seus olhos azuis que você tanto se orgulha. ― Samanta estava quase explodindo.
― Enfim! ― Quase gritei ― Vamos ficar só mais um pouquinho aqui, por favor!
Ok, Diário, eu não consigo me segurar. Eu tenho que te confessar uma coisinha...
A razão da minha insistência toda para ficar lá só mais alguns minutinhos era que... tinha um garoto idêntico ao Zayn sentado bem do meu lado.
Quando eu me virei, toda inocente, e dei de cara com ele, quase caí durinha no chão. Eu simplesmente precisava dar uma de paparazzi e tirar uma foto dele – disfarçadamente, é claro – para guardar de recordação. Mas eu não sabia como! Por isso eu precisava ficar lá, arquitetando um plano... e rezando para ele também me notar.
Bem, se eu não posso ter o Zayn verdadeiro, eu posso muito bem ter uma xerox...
― Qual é o motivo dessa insistência toda, ein, Ana? ― Juliana perguntou, um pouco desconfiada.
Comecei a gaguejar uma desculpa qualquer, até que o Arthur sacou tudo.
― Aposto que ela quer ficar aqui só para fisgar algum idiotinha desses aqui do nosso lado.
Senti meu rosto queimar quando ele disse aquilo.
― Shhhh! ― Sussurrei ― Fala baixo. Enlouqueceu?
Samanta olhou em volta, tentando procurar o tal idiotinha, até que seus olhos pararam na direção dele.
Morri de ciúmes quando ela arregalou os olhos e começou a sorrir, toda deslumbrada.
― Nossa... Agora nem eu quero mais entrar no mar. ― Comentou ela, visivelmente encantada.
― Ei, tira o olho! ― Disse, dando um beliscão nela ― Eu vi ele primeiro.
― Tá bom, desesperada! ― Riu Samanta, assustada ― Pode ficar tranquila, ele é todo seu.
Fiquei toda satisfeita, afinal de contas, não queria disputar a atenção de um garoto com a Samanta (embora ela não faça esse tipo).
Bem, o fato é que só faltam quatro dias para o show e eu já queria entrar no clima tentando ser notada pela "xerox do Zayn" (afinal, não é todo dia que esbarramos com um Zayn por aí).
Acabou que os meninos, a Ju e a Samanta resolveram ir dar um mergulho mesmo, enquanto eu fiquei lá, sozinha, sem desviar um segundo sequer o olhar do meu Zayn particular. Só que ele é tão lerdo que nem percebeu que tinha uma boba fitando ele.
Até que eu resolvi partir para o ataque – senão eu ficaria só naquilo e voltaria para o meu apartamento arrependida e com cara de trouxa.
Bem na hora que eu estava decidida a fazer algo, passou um moço vendendo água de coco.
Perfeito.
― Moço da água de coco! ― Chamei e ele logo se aproximou ― Por favor, eu vou querer um.
Com a minha arma na mão, andei até a cadeira ao lado (mais precisamente a cadeira dele) e, sem querer... derrubei o coco bem no pé dele – que fez "Au!" e olhou assustado pra mim, parecendo estar morrendo de dor.
― Ai, como sou desastrada! Me perdoa! Que cabeça a minha... ― Disse, pegando o coco – que estava todo sujo de areia.
Ele sorriu, todo gentil, e disse:
― Tudo bem... acontece!
Meu coração gelou só de ouvir a voz dele falando com a minha humilde pessoa.
De repente, uma garota bem bonita, parecida com a Bruna Marquezine (só que uns cinco anos mais velha), se aproximou, equilibrando dois copos de guaraná em uma mão.
― Algum problema, amor? ― Perguntou ela, olhando para mim.
Amor?
― Não, nenhum. É só que...
Ela interrompeu:
― Você conhece essa garotinha que está nos olhando?
Garotinha? Quem aquela coroa pensa que é?
Quando o Zayn ia começar a se explicar, eu fui mais rápida e disse:
― Não, não conhece, não.
E me virei, indo em direção ao mar, completamente frustrada.

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