Diário da Ana
14 de fevereiro de 2013, sexta-feira
Quando nossos olhos já estavam pregando de sono, decidimos desligar a TV para podermos ir dormir. Nós havíamos visto dois filmes seguidos: Never Say Never (à pedidos do Niall) e Um Amor para Recordar (nós tínhamos, além desse filme, mais duas opções: Cinderela e Efeito Borboleta. Mas nós dois votamos em Um Amor para Recordar). Foi muito fofo pois, no final do filme, olhei de relance para o Niall e vi que ele estava chorando. Bem disfarçadamente, mas estava. Sorri para mim mesma e voltei a chorar. O filme é realmente muito triste e comovente.
Enquanto passava os créditos, nós começamos a comentar sobre o filme, até que, quando nos demos conta, estávamos quase caindo de sono. Niall disse que precisava ir embora, pois já estava muito tarde (2h55 da madrugada). Eu respondi que não mesmo, que era perigoso ele sair à essa hora de carro (é claro que, em partes, foi uma desculpa) e então ele decidiu que dormiria aqui no meu quarto comigo.
Como estávamos sozinhos e, bem, o Niall é um garoto (muito respeitador, por sinal), ele fez questão de dormir no sofá. Achei extremamente fofo da parte dele, Diário!
Mais tarde, enquanto o Niall provavelmente estava no sétimo sono, começou uma chuva muito forte. Fiquei um pouco com medo já que eu era a única acordada (impossível dormir com um príncipe bem na sua frente!) e, se acontecesse alguma coisa, eu estaria sozinha. Resolvi deixar para lá e tentar ao menos cochilar. Porém o forte barulho da chuva, misturado com o ar condicionado quase congelando o quarto, não me deixaram nem fechar os olhos. Eu então decidi acordar o Niall, para, assim, me sentir mais segura.
― Niall... ― Chamei-o baixinho ― Niall!
Ele abriu os olhos muito lentamente e depois os esfregou, me olhando um pouco desorientado.
― Que horas são? ― Perguntou ele, com a voz meio grogue.
― Quase quatro da manhã. ― Murmurei ― É que está chovendo muito e eu estou com medo.
Ele começou a sorrir do que eu havia dito, ainda com os olhos um pouco fechados. Uns segundos mais tarde ele se despertou por completo e perguntou se eu não queria que ele ficasse comigo na cama para ver se assim eu conseguia dormir. Eu, é claro, imediatamente assenti.
Acabei dormindo e só acordei muito tempo depois, com o sol forte da manhã iluminando todo o quarto. Quando me dei conta, vi que a Samanta estava no sofá, teclando em seu notebook. O Niall, que acordou junto comigo, ficou super constrangido, provavelmente pensado o mesmo que eu: a Sam com certeza havia pensando besteira, afinal, eu e o Niall estávamos dormindo abraçados e ele estava sem camisa. Mas você sabe, Diário, que não foi nada disso que aconteceu.
Bem, depois ele teve que ir embora e desde então não nos vimos mais. Quer dizer, até o dia de hoje, que foi quando ele me chamou para dar um passeio pelas áreas turísticas de Londres.
Enquanto me aprontava, empogadíssima, parei para dar uma olhada rápida nas coisas pessoais que eu havia trazido na minha mala. Fiquei um pouco nostálgica, pois lá dentro haviam vários pôsteres do Niall, dois CDS do One Direction, várias revistas com eles na capa e mais um monte de coisas desse tipo. Era estranho, pois agora eu poderia vê-lo ao vivo e a cores, sem precisar comprar a primeira revista que eu vir pela frente.
Remexi um pouco mais dentro da mala e encontrei um monte de cartas e bilhetinhos que eu escrevia para o Niall, quando eu ainda era só mais uma fã dele espalhada pelo mundo.
Em uma delas, havia escrito:
"23 de dezembro de 2011
Niall, eu te amo MUITO! Eu sou a maior Directioner de todas! Eu sou sua fã número um e não vejo a hora de te conhecer pessoalmente. Vou tirar milhões de fotos, pedir para você tatuar o seu autógrafo no meu braço e ainda arrancar um fio de cabelo seu, para eu sempre ter um pedacinho de você guardado comigo!"
Em uma outra eu havia escrito o nome "Niall Horan" um do lado do outro, várias vezes, até completar a frente e o verso da folha do meu antigo caderno. Fiquei assustada ao lembrar que eu tinha feito aquilo um dia.
E todas as cartinhas e bilhetes tinham data. A minha última foi 14 de janeiro de 2013, onde eu escrevi que eu nunca mais iria conhecê-lo, pois minha mãe não havia deixado eu ir para o show grátis do One Direction em Londres. Sorri ao lembrar daquilo. Parecia que fazia tanto tempo...
Quando vi que faltam apenas meia hora para o Niall me buscar, guardei logo as coisas dentro da mala e voltei a me arrumar.
Assim que deu 14h00, corri para o saguão e vi que ele já estava lá, lindo como sempre, me aguardando, enquanto olhava a vista pela janela.
Ele vestia uma camiseta azul, uma calça cinza e um tênis. Dessa vez sem o boné para trás. E, infelizmente, eu não conseguia ver os seus olhos por conta do par de óculos escuros que ele usava.
Assim que me viu, logo se levantou e abriu o maior sorriso. Eu fui indo em sua direção, sem saber direito como agir. É tão constrangedor você andar uma distância considerável até uma pessoa. E essa pessoa estiver te olhando atentamente. Como se deve agir numa situação dessas? Se deve sorrir? Se deve simplesmente ignorar a presença da pessoa e andar como se ninguém estivesse te olhando? Bem, eu não sei. Só sei que eu resolvi optar pela segunda opção.
Quando eu finalmente cheguei até o Niall, antes mesmo que eu pudesse falar, ele foi logo me dando um abraço bem forte e caloroso.
― Pronta para conhecer Londres? ― Ele disse, quando nos desvinculamos do abraço.
― Prontíssima! ― Falei, sorridente ― Só quero ver se você é um bom guia turístico...
― Está duvidando da minha capacidade? ― Brincou ele ― Eu sou um ótimo guia turístico!
Entramos no carro e fomos em direção ao nosso primeiro destino: London Eye, a roda gigantesca de Londres, um dos principais pontos turísticos de lá, segundo o Niall.
Assim que chegamos, fomos direto para o Ticket Office para comprar nossos bilhetes. Ficamos um tempinho na fila, até finalmente conseguimos comprá-los.
Eu me assustei um pouco com o preço do ingresso por pessoa: £17,95. As coisas aqui em Londres são bem caras, Diário. Você tinha que ver! E o pior foi que o Niall fez questão de pagar tudo. Tudo bem, tudo bem, eu sei que ele é rico (ou pelo menos deve ser), mas mesmo assim.
Bem, depois de muito lenga lenga (como é complicado entrar nessa roda!), finalmente entramos em uma das cabines da London Eye.
É incrível a vista de lá. Eu fiquei tão encantada que não desgrudei os olhos um segundo sequer. Quer dizer, às vezes eu olhava de relance para o Niall, para admirar a sua beleza e para me certificar de que aquilo não era um sonho. Percebi que ele fazia o mesmo comigo. De vez em quando ele me olhava, provavelmente para ver a minha reação diante daquela vista maravilhosa. Eu, que não sou boba nem nada, percebi tudo e ficava com os olhos brilhando ainda mais. Mal ele sabia que aquele brilho era por ele e não por eu estar pela primeira vez na London Eye...
Trinta minutos depois, que é o tempo de duração do voo (pelo menos é assim que eles chamam), saímos e fomos visitar o Big Bang, que é localizado bem no centro de Londres.
Eu fotografei tudo. O Big Bang é mais lindo que tudo, eu estou chocada até agora. Mais tarde eu colo aqui as fotos, para você poder ver, Diário.
Eu também tirei várias fotos minhas e do Niall. Na maioria delas ele saía com alguma careta engraçada. E o impressionante é que mesmo assim ele ficava incrivelmente lindo. Se eu fosse inventar de fazer caretas, provavelmente sairia assustadoramente horrorosa.
― Olha! Eu sou um velhinho! ― Falou o Niall de repente, curvando suas costas ― Ei, moça bonita, ― Dizia ele com voz de velho ― está gostando de ver o Big Bang? Aquele cara que estava aqui com você é bonitão, ein... se deu bem.
Eu comecei a gargalhar muito alto, batendo palmas.
O Niall é simplesmente hilário! E a sua voz de velho é mais hilária ainda. Estou escrevendo em você, Diário, e rindo, relembrando aquela cena.
Logo depois o Niall voltou ao normal e começou a rir também, feliz por eu ter achado graça do personagem dele.
― Você é muito engraçado, Niall, fazendo esse velhinho! ― Falei, aos risos ― Mas como piadista é um fracasso!
Ele fingiu estar profundamente abalado.
― Ahhh! Eu não sou um bom piadista?
― Brincadeira! ― O abracei de lado ― Suas piadas são as melhores!
Depois disso fomos na rua Abbey Road. Esse nome lhe parece familiar, Diário? POIS É! A rua mais famosa de Londres (na minha concepção)! A rua onde simplesmente os Beatles atravessaram a faixa de pedestre e bateram a foto mais conhecida deles, que é a capa do álbum Abbey Road.
Eu nem preciso dizer que eu quase chorei de emoção, né? O Niall começou a rir da minha reação ao pisar na mesma faixa de pedestre que os Beatles pisaram.
Fiquei tão feliz e empolgada que o implorei para tirar uma foto comigo imitando os Beatles. Na verdade, eu nem precisei implorar muito, pois ele logo concordou, também animado.
Pedimos para um senhor que estava passando na calçada para bater a foto para a gente. Ele riu um pouquinho da nossa empolgação e concordou sem reclamar, todo simpático.
Aproveitamos que a movimentação de carros estava pouca e corremos para atravessar a faixa. Nesse exato momento em que estávamos andando, o senhor tirou a foto. Agradeci mil vezes e fui conferir como havia ficado o retrato. E eu não me decepcionei: havia ficado igualzinho a foto dos Beatles! Tá, não vamos exagerar. Mas até que ficou bem parecido!
Eu e o Niall ficamos analisando a foto por um tempo, até que nos olhamos e começamos a rir da nossa empolgação boba.
Quando eu abri a boca para confirmar se ele já havia tirado uma foto com os meninos ali naquela faixa, me contive. Seria muito estranho se eu soubesse disso, considerando que ele nunca havia me contado.
― O que você ia falar? ― Perguntou ele.
― Ah, besteira... Eu ia perguntar se você já tinha tirado uma foto aqui.
Ele sorriu, parecendo estar lembrando do momento.
― Já! ― Respondeu ― Eu tirei com o Zayn, Liam, Harry e Louis.
Me fingi de surpresa.
― Sério? Que legal! Deve ter sido bem divertido.
Ele concordou e nós fomos andando em direção ao carro.
Olhei para o meu relógio de pulso e vi que já eram quase 19h30! Eu nem vi o tempo passar! Bem, já era de se esperar. Ao lado do Niall é meio impossível reparar no tempo passando.
Entramos no carro e fomos à caminho do meu hotel. Fiquei completamente triste pelo dia ter passado tão rápido. Se eu pudesse, ficaria dias, semanas, meses, anos passeando por Londres com o Niall, conhecendo a cidade de ponta a ponta.
Durante o percurso, nós não falamos quase nada. Acho que o Niall deve ter percebido que eu estava distante, perdida em meus pensamentos, enquanto admirava o céu azul e ensolarado (sim, Diário, ensolarado Aqui em Londres de 19h30 ainda é dia!).
Por mais que lá fora estivesse quente, dentro do carro estava extremamente frio. Provavelmente o ar condicionado estava ligado no máximo (nesse caso, no mínimo. Bem, você entendeu, Diário).
Um tempo depois, o Niall percebeu que eu estava quase virando um picolé, pois nossas peles se cruzaram. Foi como um choque térmico. A pele dele, bem quente. A minha, quase congelando.
Eu fui aumentar um pouquinho o volume do rádio e, coincidentemente, ele também. Foi aí que nossas mãos se tocaram e ele sentiu a minha pele gelada como um gelo.
― Nossa, Ana, você está muito gelada! ― Falou ele ― Por que não me avisou? Vou ligar o aquecedor.
Eu disse que não precisava, mas ele não me deu ouvidos.
Assim que chegamos no meu hotel, me deu um aperto no coração. Eu detestava qualquer tipo de despedida. Ainda mais se essa despedida for com o Niall Horan. "Porém, de qualquer forma, nós nos veríamos amanhã", pensei. Mal eu sabia o que me esperava no dia seguinte...

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