quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CAPÍTULO 21


Diário da Ana 
31 de janeiro de 2013, sexta-feira


A notícia de que eu e o Niall estávamos namorando foi parar até no Japão. Tudo está um caos em minha vida por conta disso, inclusive a minha relação com o Niall (até então apenas de amigos, infelizmente...).
Há uns dias atrás recebi uma ligação da produção da revista brasileira Capricho, perguntando se eu poderia concedê-los uma entrevista e se ela poderia ser ao telefone mesmo. A Samanta estava fazendo tantas mimicas para eu dizer que sim, que acabei aceitando. Antes da moça da produção, chamada Rebeca, começar a me fazer as perguntas, ela me explicou que a revista com a minha entrevista sairia daqui há alguns dias (no caso, hoje) e que eles precisariam de uma foto minha, de preferência com o Niall. Eu disse que mandaria sem problemas a foto pelo e-mail, o que fez com que eles vibrassem de empolgação, pois até então ninguém havia conseguido uma foto caseira de nós dois - nem eu havia conseguido direito! Tive que bolar um plano para, como quem não quer nada, tirar uma informal com o Niall. Porém depois nós tiramos várias outras fotos juntos no meu iPod, pois nesses seis dias que se passaram ficamos bem mais íntimos.
Agora, nesse momento, a revista está em minhas mãos. A Capricho fez questão de me mandar por correio. Mas nem se preocupe, Diário, vou transcrever a entrevista inteira aqui.

A BRASILEIRINHA QUE CONQUISTOU O CORAÇÃO DO NOSSO IRLANDÊS FAVORITO

Nós sabemos que você e o Niall ficaram muito próximos nesses últimos dias. Como isso aconteceu?

Eu vim a Londres a passeio com a minha melhor amiga e por coincidência conheci uma colega do Niall, que pouco tempo depois nos apresentou. Desde então não nos desgrudamos mais.

E quando você tiver que voltar para o Brasil, como vai ser?

Difícil. Eu estou completamente apegada ao Niall. Mas com certeza manteremos contato, mesmo eu estando no Brasil e ele na Inglaterra.

Antes de viajar para Londres, como era sua vida no Brasil? Você era fã do Niall?

Completamente normal e até um pouco monótona (risos). Eu virava uma esquina e ninguém me notava. Agora, porém, vai ser bem diferente.

Admita, você não era nem um pouquinho fã do nosso irlandês?

(Risos) Eu conhecia ele das revistas e ouvia de vez em quando uma música ou outra do One Direction, mas não cheguei a ser fã.

Rola um clima entre vocês ou é só amizade mesmo?

Nós somos apenas bons amigos e não passa disso. O Niall é legal mas não faz o meu tipo (risos).

Por que você acha que as meninas são loucas pelo Niall?

Acho que por ele ser fofo, gentil, respeitador, educado, simpático e por aí vai. São muitos adjetivos, não dá para falar todos.

Então ele está mesmo livre para nós, né?

Completamente livre (risos).

Foi uma entrevista pequena, porque, obviamente, eu não estava na capa da Capricho, apenas em uma das páginas, em um canto normal, não tão destacado.
Assim que recebi a revista, o Niall estava do meu lado, então tive que traduzir tudo para ele (um pouco doída por dentro, pois tinha partes que eu preferia que ele não soubesse).
― Então eu não faço o seu tipo? ― Foi a primeira coisa que ele disse, em ar de brincadeira, quando eu terminei de ler em inglês para ele.
Comecei a rir, completamente constrangida.
― É óbvio que eu só falei isso de brincadeira. Na verdade, uma coisa dessas não pode ser dita nem de brincadeira.
Ele pareceu satisfeito com a resposta, mas também um pouco sem graça, então logo mudou de assunto.
― E... ― Ele engoliu em seco, como se estivesse engolindo o choro (ou isso pode ser só coisa da minha cabeça. Pessoas apaixonadas enxergam demais...) ― quando você vai voltar para o Brasil?
De repente eu fiquei bem séria, tentando não demonstrar a minha imensa tristeza.
― Não sei... ― Ai, como é difícil conversar sobre despedida. ― Talvez daqui há um mês, no máximo.
― Um mês? ― Ele pareceu surpreso ― Um mês passa tão rápido. Por que vai embora tão cedo?
― Porque as minhas aulas começam mês que vem e se eu perder um dia de aula sequer, minha mãe me mata. Pois é... eu ainda sou filhinha de mamãe.
Niall deu um risinho abatido e ficou mexendo nos dedos, parecendo estar sem forças para dizer qualquer coisa que seja.
― Ana ― Ele tornou a falar de repente ―, eu preciso te dizer uma coisa...
Meu coração gelou.
― Pode dizer...
Assim que ele abriu a boca para falar, alguém bateu na porta. Minha vontade foi de voar no pescoço da pessoa que atrapalhou o meu momento com o Niall, mas resolvi ver quem era civilizadamente. Olhei pelo olho mágico e vi que era a camareira. Quando abri a porta, ela disse:
― Com licença, senhora. Foi aqui que pediram duas toalhas e um travesseiro?
― Não.
E bati a porta na cara dela. Dois segundos mais tarde me arrependi. Ela não tinha culpa de nada, nem sabia que o Niall estava prestes a me dizer uma coisa chocante e bombástica.
― Quem era na porta? ― Ele perguntou, todo fofo.
― Ah, ninguém! ― Falei depressa ― O que você queria me dizer mesmo?
Ele me olhou por um instante e depois falou:
― Eu acabei esquecendo, não devia ser nada de importante.
Eu sabia detectar uma mentira há quilômetros de distância. E ele estava mentindo. Mas por quê? O que ele queria me dizer de tão importante e, pelo visto, constrangedor?
― Fala logo Niall! Você não me engana.
Ele começou a rir.
― Eu estou dizendo a verdade, Ana. Mas eu queria te dizer uma outra coisa também. Na verdade, eu queria te apresentar um lugar.
Meu coração deu um pulo de felicidade. Aonde será que o Niall me levaria? Que coisa mais romântica, não sei nem como não tive um ataque li mesmo, no instante em que ele disse aquilo.
― Tudo bem, então... ― Sorri ― Mas antes vou no banheiro rapidinho.
Ele assentiu e eu fui. Na verdade aquilo foi só uma desculpa para eu me recuperar do choque. Instantes mais tarde eu voltei e logo percebi que havia alguma coisa de errado na expressão do Niall.
― O que foi, Niall? ― Perguntei, um pouco assustada.
― Nada, não. ― Ele disse, extremamente sério e sem coragem de me olhar nos olhos ― Eu preciso ir. Uma outra hora a gente se vê.
E então ele simplesmente se foi, me deixando sozinha, sem entender absolutamente nada.
De repente eu comecei a chorar, pensando no que eu tinha feito para o Niall ter me tratado daquele jeito. "Uma outra hora a gente se vê". O Niall que eu conheço nunca diria isso para mim. No mínimo ele se despediria dizendo "Tenho que ir, Ana... Desculpa. Eu te ligo mais tarde.".
Estava tudo tão perfeito... Perfeito demais para ser verdade.

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