Diário da Ana
01 de fevereiro de 2013, sábado
Chorei tanto ontem de noite que, entre um soluço e outro, acabei dormindo e só acordei no dia seguinte de 10h20 da manhã. Desliguei o despertador do meu celular e logo vi que haviam sete mensagens novas. Uau! Fazia tanto tempo assim que não checava meus SMS?
Duas delas eram da minha mãe perguntando se eu estava bem, por que eu não atendia o telefone, se eu estava me alimentando bem e blábláblá.
Olhei rápido as outras mensagens, sem ter vontade de ler. Porém duas delas me interessaram... A primeira era do André:
"Aninha!!! Tudo bem por aí? Estou morrendo de saudades da minha irmãzinha! Só queria te avisar que... eu estou namorando. Não se preocupe, você e a minha namorada vão virar melhores amigas, eu tenho certeza! Te conto com mais detalhes quando você voltar. Um beijão!"
O quê???!!! O André estava namorando??? Quem é a vaca da vez? Ele simplesmente precisava me contar essa história direito. E logo.
"O QUÊ?????? ANDRÉ, VOCÊ NÃO PODE ESTAR FALANDO SÉRIO! Trate de me dizer agora o nome dessa fulana, a idade, o que faz da vida, se é bonita ou não e, enfim, a ficha completa!!!"
"Estou morrendo de rir aqui! Você é hilária! E cuidado no que fala, ela está bem aqui do meu lado. Enfim, o nome "dessa fulana" é Beatriz, tem 19 anos, faz faculdade de Jornalismo e ela é a garota mais linda que eu já vi. Satisfeita, estressadinha?"
No exato instante em que terminei de ler a mensagem, quase joguei meu celular janela a baixo de tanto ciúme.
Beatriz? Já não gostei. Todas, absolutamente todas (sem exceção!), as Beatrizes que eu conheço são víboras venenosas. Eu detesto esse nome, não simpatizo nem um pouco.
Dezenove anos? Essa garota é um bebê! Tem quase a minha idade. O meu irmão é velho e maduro demais para namorar pirralhas.
Jornalismo? Então quer dizer que ela é uma fofoqueira de quinta... Se o meu irmão terminar com ela com certeza no dia seguinte vai ter uma matéria no jornal com o título: "Não confie nos homens, eles são todos iguais: canalhas!".
Meu irmão não é um qualquer, ele é um príncipe encantado que merece uma princesa e não uma Beatriz da vida.
"Ela é a garota mais linda que eu já vi."? Eu era a garota mais linda que o André já viu. Bem, pelo menos há algumas semanas atrás, antes dele conhecer essa fulana. E eu vou logo avisar para ela que ninguém ocupa o meu cargo. Ninguém.
"Ah, ela está ao seu lado? Ótimo... Então deixe ela ler essa mensagem. Beatriz, o coração do meu irmão só há espaço para mim. Tchau, bye, adiós, au revoir!"
Depois de ter mandado uma resposta para a "Beatriz" se tocar, cliquei na segunda mensagem que me interessou e comecei a ler.
* "Hello, Ana! Is everything okay right there? Here, everything is the same... I still in love with you and I know that you are in love with me... Hahaha! So is how you said: this Niall is a stupid guy... Brincadeira! Eu sei que você nunca diria isso, infelizmente... Enfim. Viu? Não é só você que saber falar inglês... Beijos! Ou melhor, Kisses. Arthur."
"Nunca diria isso mesmo. E eu sei que você sabe falar inglês, não precisa jogar isso na minha cara, ok? Bem, o meu celular está descarregando e eu perdi o carregador. Beijos!"
Eu não queria dar papo para o Arthur, ele é muito convencido. Sem falar que eu detesto quando ele insiste em tocar no assunto "paixão". Quantas vezes vou ter que lembrá-lo que eu gostava dele? Gostava. No passado.
Mais tarde, depois de muito esforço e muita insistência da Sam, comecei a me aprontar para a festa do Harry. Eu aceitei ir apenas por ela mesmo, porque, por mim, eu ficaria debaixo do edredom a minha vida inteira, me derramando em lágrimas e comendo uma panela cheia de brigadeiro. Ah, que saudade que eu estou de comer brigadeiro!
Eu não queria nem imaginar como seria me encontrar com o Niall e não poder abraçá-lo. Provavelmente eu ficaria a festa inteira trancada no banheiro, para não me torturar toda vez que o meu irlandês favorito (como bem disse a Capricho) passar por mim.
Eu fiquei meia hora em frente ao armário só no dilema "Que roupa eu uso?". Eu não sabia se a festa seria informal ou formal ou, sei lá, se seria na piscina. Depois do que pareceram horas, decidi ir com uma saia rodada vermelha cintura alta, uma blusa crop top branca com estampa de gatinhos (eu e minha obcessão por gatos) e um salto alto preto. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, sem a menor paciência de ajeitá-lo decentemente, me maquiei e me sentei na cama, esperando a Samanta terminar de se arrumar (por incrível que pareça ela estava demorando trezentos anos mais do que eu!).
― Samanta, que demora é essa? Nem eu demoro tanto assim! ― Resmunguei ― Anda logo, já estamos um pouco atrasadas!
― Você quer que o Harry me veja horrorosa? E, me poupe, Ana, você demora bem mais. Hoje, milagrosamente, você foi rápida.
Revirei os olhos, tentando disfarçar a minha tristeza.
― Pra quê me arrumar tanto se um certo alguém não vai nem me notar? Não quero gastar meu tempo à toa.
― Ana, deixa de besteira! Eu já disse que o Niall não deve estar chateado com você. Até porque não tem motivos pra isso acontecer! ― Disse Samanta, tentando, em vão, me tranquilizar ― Você vai ver: você vai chegar na festa e o Niall vai te olhar com cara de bobo apaixonado, como sempre.
Dei um sorriso abatido e fui ao banheiro conferir se os meus dentes estavam realmente limpos, só para ter uma distração mesmo, porque eu pouco me importava se eles estavam todos sujos ou não. Eu me importava somente com o Niall.
Alguns minutos mais tarde, nos encontramos com o Sandro no saguão e ficamos esperando o motorista do hotel estacionar o nosso carro em frente àquele palácio. Pouco tempo depois já estávamos dentro do carro, indo em direção ao luxuoso apartamento do Harry.
Eu estava tão ansiosa para conhecer o famoso lar do amor da Samanta e ao mesmo tempo tão triste por não poder conversar com o meu amor.
Quando dei por mim já havíamos entrado no condomínio chique do Harry.
― Meninas, às 1h30 da manhã estarei aqui para buscá-las, tudo bem? ― Falou o Sandro, nos olhando pelo retrovisor.
― Ué, Sandro, achava que você ia ficar na festa com a gente... ― Disse, um pouco triste.
Agora quem seria a minha companhia?
― Não, não. Podem ficar à vontade, não vou atrapalhá-las.
A Samanta abriu um sorriso de orelha a orelha, parecendo estar vibrando por dentro.
― Certo, Sandro. Muito obrigada pela confiança, não vamos te decepcionar! Até 1h30, então! ― Falou a Sam, visivelmente empolgada.
Assim que entramos no apartamento do Harry, meu queixo despencou.
Só a sala daquele local é maior que a minha casa inteira. Sem contar que os móveis são todos chiques e o piso é extremamente lindo: de madeira escura, o meu preferido. Porém não dava para visualizar mais detalhes, pois a sala estava lotada de pessoas, remexendo o esqueleto para lá e para cá, ao som de uma música eletrônica que eu não conheço.
Demoramos um século para achar o aniversariante, pois as luzes coloridas e a fumaça tampavam qualquer coisa que estivesse em nossa frente - o que, por um lado, foi um alívio imenso. Pelo menos assim eu não veria o Niall.
― Samanta! Ana! Que bom que vocês vieram. Já estava achando que iam furar comigo... ― Brincou o Harry, quando finalmente nos encontrou (na verdade, fomos nós que encotramos ele).
Dei um risinho, sem graça de estar segurando vela, pedi licença para os dois e fui em direção a cozinha pegar alguma bebida (sem álcool, claro).
Abri a geladeira na maior cara de pau (sei que é errado fazer isso, mas ninguém estava me notando ali, eles pareciam mais interessados em dançar) e peguei uma lata de pepsi.
Quando eu estava prestes a sair da cozinha, alguém esbarrou em mim acidentalmente, despejando toda a sua bebida na minha blusa. Pareceu até coisa de filme. E como em todos os filmes, adivinha quem era? O mocinho, é claro.
― Me desculpa, Ana, eu não tinha te visto aí! ― Falou o Niall, meio que "desesperado" por ter sujado toda a minha roupa ― Me desculpa!
Eu sorri pela preocupação dele (será que o verdadeiro Niall estava de volta?) e disse:
― Não, tudo bem, sem problemas, Niall. Sei que você não fez por querer.
― Ali no quarto de hóspedes tem algumas roupas minhas. ― Disse ele, ignorando o que eu havia dito ― Eu posso te emprestar alguma camiseta, para você não ficar com essa blusa molhada a festa inteira.
Eu fiz que sim com a cabeça, toda alegre, e o acompanhei até o tal quarto de hóspedes.
Niall remexeu em algumas poucas roupas do armário e puxou de lá de dentro uma camiseta vermelha.
― Aqui. ― Falou ele, me estendendo a camiseta ― Serve?
Sorri, agradecida.
― Claro que serve! Muito obrigada, Niall.
Ele deu um sorrisinho fechado e disse que teria que ir encontrar alguém. Se despediu rapidamente de mim apenas com um aceno e foi embora, me deixando sozinha naquele quarto enorme e, agora, vazio.
Tranquei a porta, troquei de camisa e fiquei um tempo ali, apenas sentindo o cheiro do Niall empregnado em mim. Eu queria para sempre sentir aquele cheiro.
Alguns minutos mais tarde comecei a chorar baixinho, para ninguém me escutar.
Por quê o Niall estava me tratando daquela maneira tão fria e indiferente? Eu não havia feito nada para ele, muito pelo contrário. Uma vez ou outra eu sempre demonstrava os meus sentimentos por ele para finalmente ele se tocar e me pedir em namoro. Porém, pelo visto, isso não iria acontecer nunca.
Depois de ter enxugado todas as minhas lágrimas, saí do quarto e fui procurar um canto para sentar. Até que alguém me parou.
― Liam?
― Oi, Ana... Eu te vi saindo do quarto chorando... Seria indelicado se eu te perguntasse o motivo?
Achei tão fofo o modo como o Liam mediu as palavras para me fazer aquela pergunta, tentando não parecer intrometido, que acabei respondendo.
― Eu estava chorando pelo Niall. ― Despejei as palavras de uma vez só.
Quando me virei para sair, vi que o motivo do meu choro estava bem atrás de mim. E provavelmente ele tenha escutado tudo.
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* Olá, Ana! Tudo bem por aí? Por aqui tudo igual... Continuo apaixonado por você e sei que você por mim... Hahaha! Bem que você disse que esse Niall é um idiota...

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