07 de março de 2013, sábado
Acordei tomando um susto, com o
alto toque do meu celular que estava no meu criado mudo. Meu coração disparou e
quase saiu pela minha boca, sorte que eu o engoli antes que isso acontecesse.
Juliana estava me ligando.
- Alô... – Falei, ainda meio
grogue.
- Sam, bom dia!!! Não estou te
acordando, estou? – Ela perguntou do outro lado da linha, me fazendo querer dar
um soco em alguém.
- Isso não vem ao caso. –
Respondi, bem mau-humorada.
- Pelo jeito, acordei sim! –
Juliana riu. – Enfim, foi por uma boa causa, acredite! Lembra daquela festa à
fantasia que eu estava pensando em dar na minha casa já que os meus pais estão
viajando?
- Claro que lembro! – Falei, já
ficando um pouco animada e vibrando por dentro.
- Eu decidi que ela vai
acontecer! E vai ser hoje à noite!
- Uhu, festa! – Exclamei,
levantando da cama e fazendo uma dansinha da vitória.
- Você vem não vem? – Juliana
perguntou.
- É claro que vou, Juliana! Eu
sou a que mais queria que essa festa acontecesse. – Falei, rindo. – Será que eu
posso levar um acompanhante?
- Acompanhante? Que história é
essa? - Ela perguntou, parecendo bastante interessada no assunto.
- Se você deixar que eu leve,
você irá descobrir! – Fiz um pouco de mistério.
- Depois dessa, pode com toda
certeza! – Juliana realmente queria ver o tal acompanhante.
- Tá bom, então! Estarei na sua
casa de noite com ELE. – Fiz questão de dar ênfase no “ele”, só pra colocar um
clima maior de curiosidade no ar.
- Se ele tiver um amigo, pode
levar ele também! – Ela falou, me fazendo gargalhar. Juliana nunca havia tido
um namorado, mas sempre quis ter um. Juliana não é lá essas coisas, por isso,
infelizmente, nenhum garoto se interessa por ela. Pelo menos pelo o que eu
saiba. Hoje em dia, os garotos só se atraem por beleza. A futilidade no mundo
cresce mais a cada dia que passa.
- Pode deixar. – Ri. – Nos vemos
na festa!!! Hasta La vista, baby! – Comemorei, desligando o telefone em
seguida.
No mesmo instante, procurei o
número de John na lista telefônica e o disquei.
- Here’s John (Aqui é o John). –
Ele falou, com seu lindo sotaque britânico.
- E quem mais seria? – Falei,
também em inglês, rindo do que ele tinha dito.
- Encantadora como sempre! – John
riu, descobrindo que era eu do outro lado da linha. – Estou ansioso para saber
qual será o programa turístico de hoje!
- Hm, vejamos... Iremos conhecer
uma casa muito bonita, que mais parece um castelo, de uma amiga minha. Para a
nossa sorte, lá, essa noite, vai ter uma festa! – Falei, animada.
- Festa? – John perguntou,
parecendo meio preocupado.
- É, uma festa! – Respondi,
estranhando a sua reação. – Por que essa desconfiança com as festas? – Ri,
curiosa.
- Bem, é que as coisas não deram
muito certo na última festa que decidimos ir juntos. – John deu um leve riso
após a frase. Memórias desagradáveis voltaram na minha mente.
- Porque a festa foi ruim. Tudo
relacionado à ela: O dono, o local, as pessoas. Mas nem se preocupe, eu vou te
levar pra uma festa de verdade essa noite. – Disse, orgulhosa com tudo que
houve.
- Vou confiar. – Ele cedeu, fofo
como sempre.
- Combinado! Umas 20:00h vou
passar em frente ao seu hotel e vamos juntos, tá bom?
- Parece perfeito pra mim.
- Vou desligar agora, vou falar
com os meus pais! Beijão, nos vemos de noite! – Me despedi.
- Tá bom, então! Se cuida. – John
também se despediu.
- Ah, esqueci de te avisar: É
festa à fantasia! – Avisei.
- Hã, como assim? Como eu vou
arranjar uma fantasia? Não conheço nada por aqui! – Ele riu, preocupado e
perdido.
- Me surpreenda! – Ri e
desliguei.
Com certeza John iria dar um
jeito, ele não é nem um pouco bobo. Ele pode pegar um táxi e pedir pra o
taxista o levar até uma boa loja de fantasias. Opões aqui no Rio é o que não se
falta! Saí do meu quarto, fui até a sala e avisei para os meus pais sobre a
festa. Meu pai resolveu que me levaria. Kaitlin e Letícia resolveram que
queriam ir junto. Falei que a festa era da minha amiga, não da amiga delas, mas
como sempre, fizeram a cabeça da minha mãe e minha mãe me obrigou a levá-las.
Fala sério, não é culpa minha se elas são insuportáveis e não são convidadas
para alguma festa! Aposto que elas iam ficar pegando no meu pé e grudadas no
meu pescoço. Essa noite, eu quero me divertir, sem preocupações, esquecer do
mundo! Esquecer quem eu ainda não consegui esquecer, mas continuo tentando. Sei
que não falo muito ultimamente sobre isso por aqui, diário, mas é que prefiro
nem escrever sobre isso, porque quanto mais se pensa sobre certo assunto, mais
o pensamento vai se prolongando e trazendo mais e mais memórias. Olha só, já
estou falando sobre isso! Vou parar. Bom, a questão é que vou ter que levar as
minhas irmãs na festa ou então, não poderei ir. Fazer o que, né? Certas coisas
são necessárias.
A minha tarde passou rápido: Fui
ao shopping com a minha família para almoçar e ficamos um tempo andando por lá mesmo.
Como sempre, babei as vitrines e sem poder comprar nada, claro. Por que as
roupas mais bonitas são as mais caras? Eu sei que é uma pergunta que tem uma
resposta meio óbvia, mais mesmo assim, as coisas não deviam ser como são! Os
piores alimentos são os mais saudáveis, e os mais gostosos, são os que mais
fazem mal. Que injustiça! Outro exemplo: Os garotos mais bonitos, na maioria
das vezes, são gays! Ironia do destino? Talvez. Mas ironia com as garotas,
claro. Porque com os outros gays, isso é uma maravilha! John é lindo, e não é
gay. Ainda bem. Na verdade, tenho quase certeza que não. Ele sempre mostrou um
certo interesse em mim. E não, não é coisa da minha cabeça. Ele sempre teve um
brilho diferente no olhar quando me viu. E o Harry... quero dizer, o Louis, o
Liam e o Zayn, também não são gays, obviamente. Nem o Niall. Eu nem devia tocar
nesse nome aqui também, já que um dos motivos pela minha desgraça foi esse
indivíduo, que antes eu admirava mais que tudo, mas agora, tenho uma raiva
incontrolável. Tanto por Ana, quanto por mim mesmo. Por falar em Ana, falei com
ela hoje! Ela me contou que também vai para a festa. Nós duas somos loucas por
festa, loucas mesmo! Afinal, quem não gosta de uma boa e velha festa?
Quando voltei com meus pais e
minhas irmãs do shopping, já era hora de começar a me arrumar para a festa da
Juliana! Nem sabia por onde começar. Na verdade, eu nem tinha uma fantasia aqui
no apartamento e nem havia lembrado de alugar. E obviamente, estava muito em
cima da hora pra decidir fazer isso. O jeito foi procurar peças avulsas e
tentar misturas tudo, para tentar formar uma fantasia descente! Resultado:
Peguei um vestido preto, uma blusa preta e coloquei em volta do meu pescoço.
Achei uma velha máscara que eu tinha usado há muito tempo numa apresentação da
escola e coloquei também. Era uma máscara de gato. Só lembro de Ana! Misturei
algumas pulseiras, anéis, colares... No fim das contas, acabei me fantasiando
de um grande e belo gato preto. Até que não ficou tão ruim assim! Umas 19:50,
eu já estava completamente arrumada! Não esqueci de maquiagem, perfume e tudo
mais. Eu fui para a sala e vi que Letícia e Kaitlin também já estavam prontas!
Milagrosamente, porque elas sempre era as últimas a ficarem prontas. Suspirei
aliviada. Afinal, ainda tínhamos que ir para o Copacabana Palace buscar John e
voltar para o Leblon, onde também fica a casa de Juliana. Letícia estava
fantasiada de cigana e Kaitlin nem estava fantasiada. Que sem graça! No mínimo,
ela devia achar que é “mico” se fantasiar. Mas mico mesmo é ir para uma festa à
fantasia SEM fantasia. Deixa ela pra lá. Descemos do edifício e entramos no
carro. Fui do lado do meu pai e as minhas irmãs, nos bancos de trás. Partimos
em direção ao hotel de John. Estava ansiosa para ver sua fantasia! Ria sozinha,
meu pai e minhas irmãs não entendiam o motivo. Mas eu, sim. Depois de algum
tempo, finalmente chegamos em frente ao Copacabana Palace. Abaixei a janela e
acenei para John, que estava já fora da recepção. Ele me viu, sorriu e veio em
direção ao carro.
- Goodnight, mister. Goodnight,
ladies. – John disse, assim que entrou no carro e fechou a porta.
- Oi, John! – Sorri, olhando para
trás. Ele sorriu de volta. Percebi que Kailtin e Letícia olhavam para ele
boquiabertas. Desesperadas.
- Oi, gatinha. – John respondeu,
analisando a minha máscara e rindo.
- Eu sei que não está falando
isso por causa da minha fantasia. – Levantei a sobrancelha direita e sorri.
- Talvez esteja certa. – Ele me
olhou de um jeito completamente galanteador. Na mesma hora, virei e direcionei
o meu rosto para a rua.
Continuamos a viagem e
finalmente, após um bom tempo e engarrafamento, chegamos na casa de Juliana.
Dei um beijo no meu pai e ele me disse para ligar quando quisesse ir embora.
Ouvi com atenção e saí do carro com John e minhas irmãs. Todos ficaram
impressionados com a casa de Juliana. Também, não é pra menos, parecia mais um
palácio, como eu sempre costumo dizer. A casa fica na área mais chique e nobre
do Leblon. Juliana é bem rica. Finalmente, decidimos entrar e dar início à
festa. Quando abrimos as portas da frente, nos deparamos com milhares de
figuras na sala. Figuras, que eu digo, eram as pessoas fantasiadas. Todos de
fantasias diferentes! Estava uma loucura. Todos dançando, comendo, conversando
e bebendo. Aquilo sim era uma festa de verdade! Kailtlin e Letícia estavam tão
famintas, que assim que avistaram as comidas, partiram para cima e sumiram.
Restamos só eu e John.
- A sua fantasia é a mais
criativa, sem dúvidas! – Zoei John, já que ele nem estava tão fantasiado assim.
- Como se a sua fantasia fosse a
melhor da festa! – Ele retrucou, me fazendo ficar com expressão de indignada.
- Grande cavalheiro! – Exclamei,
batendo no ombro dele e já me virando para sair dali, querendo fazer manha.
- E você não está se comportando
como uma dama! – John puxou a minha mão, me virando para ele e retrucando mais
uma vez.
- Já entendi! Você está
aprendendo a ter respostas comigo! – Ri. – Preciso parar de ser assim. –
Brinquei.
- E nós precisamos dançar! – John
começou a dançar feito uma criança, todo lindo e encantador.
- Achei que você não soubesse
dançar! – Gritei. – Além de respondão, é mentiroso. Estou descobrindo várias
coisas ao seu respeito.
- E por acaso eu estou dançando
bem? – Ele sorriu, olhando nos meus olhos.
- Pra falar a verdade, não. –
Caímos na gargalhada.
- Você é incrível, sabia? – Ele
se aproximou, me fitando de um jeito irresistível.
- Miau. – Respondi, fazendo ele
rir e tirar a minha máscara.
- Eu acho essa máscara bem mais
bonita. – John falou, desviando seu olhar para a minha boca. – Bem melhor.
No mesmo instante, John também
retirou sua máscara, não pensou duas vezes e colocou sua mão na minha nuca,
aproximando o meu rosto do seu. Nossos lábios se selaram. Não sabia se aquilo
era certou ou errado, mas na dúvida, correspondi. Aquele beijo podia mudar
tudo, quem sabe? E, sinceramente, eu torcia para que isso, finalmente,
acontecesse.

Nenhum comentário:
Postar um comentário