06 de março de 2013, sexta-feira
Sexta-feira, como você demorou
para chegar! Na verdade, veio de lesma, mas finalmente, chegou! Contei
os segundos, minutos, as horas para te ver, se sentir, te viver (se é que é
correto dizer isso). Enfim, resumindo: SEJA BEM-VINDA. E MUITO BEM-VINDA.
Terça-feira, quarta-feira e quinta-feira levaram praticamente uma eternidade
para passar, não conseguia pensar em mais nada a não ser na chegada de John aqui
no Rio de Janeiro. Admito que quando estava em Londres, não dava muita bola pra
ele e até mesmo não ia muito com a sua cara, mas acabei percebendo que John me
anima e coloca o meu astral lá pra cima! Se apenas ouvir a voz dele no telefone
já me deixou absurdamente feliz, imagina quando o ver? Vai ser quase um alívio.
Decidi esquecer tudo de ruim de aconteceram nessas férias e tocar a minha vida
para frente, afinal de contas, não posso deixar de viver uma vida toda por
causa de dois míseros meses. Não adianta sofrer por alguém que nem se quer
sente sua falta ou entende o seu lado. Se aquilo tudo aconteceu, foi porque
realmente tinha que acontecer. Eu preciso parar um pouco de focar o meu
pensamento na vida de outra pessoa e começar a focar na minha própria vida. É o
jeito. É preciso.
Dormi a noite toda como uma pedra,
relaxada e para acordar totalmente disposta hoje! O dia, pelo visto, vai ser
longo! Assim que abri os olhos, um sorriso abriu junto. Pulei da cama, corri
para o banheiro, tomei um belo de um banho e cantarolei. Milagre. Fazia tempo
que eu não cantava no chuveiro. Estava sentindo falta dessas coisas simples que
eu deixei de fazer enquanto perdia tempo me lamentando, com a cabeça lá no
passado. Assim que terminei o banho matinal, me sequei e fui escolher uma roupa
para ir no aeroporto! Me vesti, terminei de me aprontar, peguei minha bolsa e
coloquei todos os itens importantes e essenciais no dia-a-dia: carteira,
maquiagem, celular, perfume (teria colocado spray de pimenta se tivesse um). Saí
do quarto felicíssima e fui em direção à sala.
- Uau! Parece que alguém acordou
bem-humorada. – Letícia comentou, sentada no sofá e me fitando.
- Os deuses ouviram nossas
preces! – Kaitlin foi na onda. As duas riram.
- Parece que sim! – Respondi,
feliz e saltitando. Letícia e Kaitlin se entreolharam e estranharam meu
comportamento.
- Como você está linda, filha! –
Minha mãe me encarou. – Tudo isso é pra ir buscar esse tal menino no aeroporto?
- Que foi? Eu não posso mais
querer me arrumar e me sentir bonita não, mãe? Que coisa! – Ri, sentando na
mesa de jantar e servindo um copo de suco de abacaxi.
- Essa daí esqueceu o garoto de
cabelo cacheado daquela banda rapidinho. – Kaitlin insistiu em comentar.
- Kailtin, não vá começar!
Você...
- Tá tudo bem, mãe! – Interrompi.
– Ela está certa. Eu realmente o esqueci. – Fiz questão de deixar aquilo bem
claro.
A sala ficou totalmente em
silêncio. Bebi todo o suco que estava no copo, levantei da mesa e o deixei na
pia, na cozinha. Voltei para o meu quarto, escovei os meus dentes e retoquei o
batom.
- Eu não vou almoçar em casa
hoje, tá bom, mãe? Eu e o John vamos comer juntos em algum restaurante. – Meio que
fiz um pedido para ela, já afirmando.
- Tudo bem, senhorita já maior de
idade. – Minha mãe riu, me fazendo rir junto.
- Não é justo a Samanta sair com
um gatinho britânico e eu e a Kaitlin ficarmos aqui que nem duas patetas nesse
apartamento! – Letícia resmungou, me fazendo rir alto.
- Quem sabe um dia a vida sorria
para vocês duas, caras irmãs. – As provoquei, colocando minha bolsa no ombro.
As duas me lançaram um olhar repleto de raiva.
- Tome cuidado, Samanta! Não faça
nada que não deva. – Minha mãe me aconselhou.
- Mãe, você sabe com quem está
falando? – Ri e a beijei na testa. – Não se preocupa, eu tenho total noção das
coisas. John é um cara legal, você logo irá conhecer ele.
- Uh, namoro oficial. – Kaitlin riu.
- Nossa, essa daí só pensa em
namorado. Não se preocupa, irmã. Assim que eu puder eu arranjo um outro
desesperado pra você também. – Letícia gargalhou e minha mãe deu um leve riso.
Sorri e me despedi de todos,
saindo do apartamento. Fui até a rua principal e peguei um ônibus em direção ao
Galeão. Sentia um frio na barriga a cada rua que passava. Minha ansiedade
estava a mil por hora! Sentei do lado de uma senhora bem simpática. Nós duas
conversamos. Ela me disse que também estava indo para o aeroporto, pegar o
filho dela que estava vindo de São Paulo. Que coincidência! A vida às vezes é
bem engraçada. Tempo depois, finalmente desci no aeroporto. Entrei pela entrada
principal e fui me informar de onde seria o desembarque do voo internacional
vindo de Londres. Aquilo soava estranho! Ainda não acreditava que estava indo
pegar um colega que eu conheci na Inglaterra. Olhei para o meu relógio e
percebi que estava bem em cima da hora! Andei depressa até o portão e percebi
que já haviam várias pessoas aguardando ali perto pelos passageiros. Me juntei
à aquelas pessoas e fiquei atenta ao portão, esperando ver John. Pessoas vindas
da viagem começaram a sair. Meu coração disparou! John podia sair a qualquer
momento, de surpresa. Eu vibrava por dentro e ao mesmo tempo, tremia. De
repente, avistei John sair do portão, parecendo totalmente perdido e olhando em
volta. Finalmente, seu olhar encontrou o meu. Ele esboçou um sorriso e veio em
minha direção.
- Como é bom te ver! – John me
abraçou, soltando sua mala no chão.
O abracei de volta. John estava
absurdamente cheiroso. Ficamos ali uns 10 segundos abraçados e finalmente, nos
distanciamos.
- Bem-vindo ao Rio de Janeiro,
gringo! – John riu.
- Eu já estou amando essa cidade!
A vista do avião era incrível. – John disse, empolgado e fascinado.
- Não se preocupa, isso é só o
começo! – Fiz mistério.
- Estou com um leve
pressentimento que essa será a melhor viagem que eu já fiz. – Ele me olhou,
encantador.
- Olha, eu não duvido. – Rimos juntos.
- Eu estou morrendo de fome. Que
tal irmos para o meu hotel, para deixarmos as minhas bagagens e de lá, você me
leva à algum restaurante e me surpreende?
- Isso é o que eu faço de melhor,
querido. – Novamente, rimos.
A risada de John era gostosa de
se ouvir, charmosa. Era visível: Eu realmente estava feliz com ele. Pegamos um
táxi e fomos para o hotel que ele iria ficar hospedado. John ficou nada mais
nada menos do que no Copacabana Palace. Quase surtei quando paramos em frente à
ele! Eu sempre quis ver como era um quarto daquele palácio! Fiquei super
empolgada. John pegou a chave do quarto na recepção e subimos até o andar. Meu
queixo caiu quilômetros! Aquilo não era um quarto, era um mundo! Nós dois
pulamos na cama e ficamos abismados com o tamanho e luxo de tudo. Logo depois,
pegamos novamente o mesmo táxi que estava nos esperando embaixo e fomos ao “Porcão”,
um famoso restaurante daqui do Rio. John nunca havia comido churrasco. Na
verdade, ele não sabia nem do que se tratava. Chegando no restaurante, descemos
e pegamos uma mesa. Assim que o rodízio começou, John ficava mais doido ainda
com as opções que tinha. Ele não recusava nada que aparecia, apenas ia enchendo
o prato cada vez mais e mais. Eu ria de tudo aquilo, me engasgava quase toda
hora. Conversa ia e comida vinha. Nem parecia que eu havia tido aula hoje cedo,
na verdade, nem parecia que escola existia. Ali, com John, parecia que eu havia
voltado a ter férias! Sabia que a visita dele me faria bem novamente. Passamos
a tarde juntos. Quando pedimos a conta do restaurante, já não conseguíamos nem
andar de tanto que tínhamos comido! Fizemos uma aposta para ver quem tomava
mais sorvete e adivinha quem ganhou: eu! Não me lembro da última vez que comi
tanto como hoje. Foi simplesmente fantástico! Logo depois que saímos do
restaurante, fomos andar pela praia de São Francisco, já em Niterói. O dia foi
tão bom que passou voando. Quando nos demos conta, já era 20:00h! Hora de eu ir
pra casa, claro. John fez questão de me deixar na porta do condomínio. Entramos
no táxi e fomos. Quando chegamos, o taxista estacionou.
- Obrigado por me suportar e
gastar o seu tempo comigo. – John me olhou, sorrindo.
- Eu me diverti! – Ri.
- Eu também. – John segurou minha
mão, me olhando.
- Mas como sempre, o fim da
diversão chega, né? – Me lamentei.
- Ei, amanhã é sábado! E sábado
é, obrigatoriamente, dia de diversão. Nem tudo está perdido! – John me fez
sorrir.
- É verdade. – O olhei.
- Boa noite. – Ele falou, olhando
no fundo dos meus olhos e me dando um abraço caloroso. O taxista estava em
silêncio e provavelmente, observando tudo do retrovisor. Fiquei completamente
envergonhada.
- Boa noite. – Respondi, dando um
beijo na bochecha de John e saindo do abraço. – Vê se não se perde pelo Rio de
Janeiro, hein! Vai ser difícil de te encontrar já que você não é branquelo que
nem a maioria dos britânicos. – John riu.
- Pode deixar.
Saí do táxi e entrei no
condomínio. Subi o elevador e entrei no apartamento, com a minha própria chave.
Minhas irmãs dormiam nos sofás e minha mãe estava provavelmente no quarto com o
meu pai, que já devia ter chegado do trabalho. Decidi não fazer barulho e não
falar com ninguém, apenas fui para o meu quarto, troquei de roupa e me joguei
na cama. Bem-vinda de volta, vida.

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