sexta-feira, 26 de abril de 2013

CAPÍTULO 46

Diário da Samanta
06 de março de 2013, sexta-feira

                                                 


Sexta-feira, como você demorou para chegar! Na verdade, veio de lesma, mas finalmente, chegou! Contei os segundos, minutos, as horas para te ver, se sentir, te viver (se é que é correto dizer isso). Enfim, resumindo: SEJA BEM-VINDA. E MUITO BEM-VINDA. Terça-feira, quarta-feira e quinta-feira levaram praticamente uma eternidade para passar, não conseguia pensar em mais nada a não ser na chegada de John aqui no Rio de Janeiro. Admito que quando estava em Londres, não dava muita bola pra ele e até mesmo não ia muito com a sua cara, mas acabei percebendo que John me anima e coloca o meu astral lá pra cima! Se apenas ouvir a voz dele no telefone já me deixou absurdamente feliz, imagina quando o ver? Vai ser quase um alívio. Decidi esquecer tudo de ruim de aconteceram nessas férias e tocar a minha vida para frente, afinal de contas, não posso deixar de viver uma vida toda por causa de dois míseros meses. Não adianta sofrer por alguém que nem se quer sente sua falta ou entende o seu lado. Se aquilo tudo aconteceu, foi porque realmente tinha que acontecer. Eu preciso parar um pouco de focar o meu pensamento na vida de outra pessoa e começar a focar na minha própria vida. É o jeito. É preciso.
Dormi a noite toda como uma pedra, relaxada e para acordar totalmente disposta hoje! O dia, pelo visto, vai ser longo! Assim que abri os olhos, um sorriso abriu junto. Pulei da cama, corri para o banheiro, tomei um belo de um banho e cantarolei. Milagre. Fazia tempo que eu não cantava no chuveiro. Estava sentindo falta dessas coisas simples que eu deixei de fazer enquanto perdia tempo me lamentando, com a cabeça lá no passado. Assim que terminei o banho matinal, me sequei e fui escolher uma roupa para ir no aeroporto! Me vesti, terminei de me aprontar, peguei minha bolsa e coloquei todos os itens importantes e essenciais no dia-a-dia: carteira, maquiagem, celular, perfume (teria colocado spray de pimenta se tivesse um). Saí do quarto felicíssima e fui em direção à sala.

- Uau! Parece que alguém acordou bem-humorada. – Letícia comentou, sentada no sofá e me fitando.
- Os deuses ouviram nossas preces! – Kaitlin foi na onda. As duas riram.
- Parece que sim! – Respondi, feliz e saltitando. Letícia e Kaitlin se entreolharam e estranharam meu comportamento.
- Como você está linda, filha! – Minha mãe me encarou. – Tudo isso é pra ir buscar esse tal menino no aeroporto?
- Que foi? Eu não posso mais querer me arrumar e me sentir bonita não, mãe? Que coisa! – Ri, sentando na mesa de jantar e servindo um copo de suco de abacaxi.
- Essa daí esqueceu o garoto de cabelo cacheado daquela banda rapidinho. – Kaitlin insistiu em comentar.
- Kailtin, não vá começar! Você...
- Tá tudo bem, mãe! – Interrompi. – Ela está certa. Eu realmente o esqueci. – Fiz questão de deixar aquilo bem claro.
A sala ficou totalmente em silêncio. Bebi todo o suco que estava no copo, levantei da mesa e o deixei na pia, na cozinha. Voltei para o meu quarto, escovei os meus dentes e retoquei o batom.

- Eu não vou almoçar em casa hoje, tá bom, mãe? Eu e o John vamos comer juntos em algum restaurante. – Meio que fiz um pedido para ela, já afirmando.
- Tudo bem, senhorita já maior de idade. – Minha mãe riu, me fazendo rir junto.
- Não é justo a Samanta sair com um gatinho britânico e eu e a Kaitlin ficarmos aqui que nem duas patetas nesse apartamento! – Letícia resmungou, me fazendo rir alto.
- Quem sabe um dia a vida sorria para vocês duas, caras irmãs. – As provoquei, colocando minha bolsa no ombro. As duas me lançaram um olhar repleto de raiva.
- Tome cuidado, Samanta! Não faça nada que não deva. – Minha mãe me aconselhou.
- Mãe, você sabe com quem está falando? – Ri e a beijei na testa. – Não se preocupa, eu tenho total noção das coisas. John é um cara legal, você logo irá conhecer ele.
- Uh, namoro oficial. – Kaitlin riu.
- Nossa, essa daí só pensa em namorado. Não se preocupa, irmã. Assim que eu puder eu arranjo um outro desesperado pra você também. – Letícia gargalhou e minha mãe deu um leve riso.

Sorri e me despedi de todos, saindo do apartamento. Fui até a rua principal e peguei um ônibus em direção ao Galeão. Sentia um frio na barriga a cada rua que passava. Minha ansiedade estava a mil por hora! Sentei do lado de uma senhora bem simpática. Nós duas conversamos. Ela me disse que também estava indo para o aeroporto, pegar o filho dela que estava vindo de São Paulo. Que coincidência! A vida às vezes é bem engraçada. Tempo depois, finalmente desci no aeroporto. Entrei pela entrada principal e fui me informar de onde seria o desembarque do voo internacional vindo de Londres. Aquilo soava estranho! Ainda não acreditava que estava indo pegar um colega que eu conheci na Inglaterra. Olhei para o meu relógio e percebi que estava bem em cima da hora! Andei depressa até o portão e percebi que já haviam várias pessoas aguardando ali perto pelos passageiros. Me juntei à aquelas pessoas e fiquei atenta ao portão, esperando ver John. Pessoas vindas da viagem começaram a sair. Meu coração disparou! John podia sair a qualquer momento, de surpresa. Eu vibrava por dentro e ao mesmo tempo, tremia. De repente, avistei John sair do portão, parecendo totalmente perdido e olhando em volta. Finalmente, seu olhar encontrou o meu. Ele esboçou um sorriso e veio em minha direção.

- Como é bom te ver! – John me abraçou, soltando sua mala no chão.
O abracei de volta. John estava absurdamente cheiroso. Ficamos ali uns 10 segundos abraçados e finalmente, nos distanciamos.

- Bem-vindo ao Rio de Janeiro, gringo! – John riu.
- Eu já estou amando essa cidade! A vista do avião era incrível. – John disse, empolgado e fascinado.
- Não se preocupa, isso é só o começo! – Fiz mistério.
- Estou com um leve pressentimento que essa será a melhor viagem que eu já fiz. – Ele me olhou, encantador.
- Olha, eu não duvido. – Rimos juntos.
- Eu estou morrendo de fome. Que tal irmos para o meu hotel, para deixarmos as minhas bagagens e de lá, você me leva à algum restaurante e me surpreende?
- Isso é o que eu faço de melhor, querido. – Novamente, rimos.

A risada de John era gostosa de se ouvir, charmosa. Era visível: Eu realmente estava feliz com ele. Pegamos um táxi e fomos para o hotel que ele iria ficar hospedado. John ficou nada mais nada menos do que no Copacabana Palace. Quase surtei quando paramos em frente à ele! Eu sempre quis ver como era um quarto daquele palácio! Fiquei super empolgada. John pegou a chave do quarto na recepção e subimos até o andar. Meu queixo caiu quilômetros! Aquilo não era um quarto, era um mundo! Nós dois pulamos na cama e ficamos abismados com o tamanho e luxo de tudo. Logo depois, pegamos novamente o mesmo táxi que estava nos esperando embaixo e fomos ao “Porcão”, um famoso restaurante daqui do Rio. John nunca havia comido churrasco. Na verdade, ele não sabia nem do que se tratava. Chegando no restaurante, descemos e pegamos uma mesa. Assim que o rodízio começou, John ficava mais doido ainda com as opções que tinha. Ele não recusava nada que aparecia, apenas ia enchendo o prato cada vez mais e mais. Eu ria de tudo aquilo, me engasgava quase toda hora. Conversa ia e comida vinha. Nem parecia que eu havia tido aula hoje cedo, na verdade, nem parecia que escola existia. Ali, com John, parecia que eu havia voltado a ter férias! Sabia que a visita dele me faria bem novamente. Passamos a tarde juntos. Quando pedimos a conta do restaurante, já não conseguíamos nem andar de tanto que tínhamos comido! Fizemos uma aposta para ver quem tomava mais sorvete e adivinha quem ganhou: eu! Não me lembro da última vez que comi tanto como hoje. Foi simplesmente fantástico! Logo depois que saímos do restaurante, fomos andar pela praia de São Francisco, já em Niterói. O dia foi tão bom que passou voando. Quando nos demos conta, já era 20:00h! Hora de eu ir pra casa, claro. John fez questão de me deixar na porta do condomínio. Entramos no táxi e fomos. Quando chegamos, o taxista estacionou.

- Obrigado por me suportar e gastar o seu tempo comigo. – John me olhou, sorrindo.
- Eu me diverti! – Ri.
- Eu também. – John segurou minha mão, me olhando.
- Mas como sempre, o fim da diversão chega, né? – Me lamentei.
- Ei, amanhã é sábado! E sábado é, obrigatoriamente, dia de diversão. Nem tudo está perdido! – John me fez sorrir.
- É verdade. – O olhei.
- Boa noite. – Ele falou, olhando no fundo dos meus olhos e me dando um abraço caloroso. O taxista estava em silêncio e provavelmente, observando tudo do retrovisor. Fiquei completamente envergonhada.
- Boa noite. – Respondi, dando um beijo na bochecha de John e saindo do abraço. – Vê se não se perde pelo Rio de Janeiro, hein! Vai ser difícil de te encontrar já que você não é branquelo que nem a maioria dos britânicos. – John riu.
- Pode deixar.

Saí do táxi e entrei no condomínio. Subi o elevador e entrei no apartamento, com a minha própria chave. Minhas irmãs dormiam nos sofás e minha mãe estava provavelmente no quarto com o meu pai, que já devia ter chegado do trabalho. Decidi não fazer barulho e não falar com ninguém, apenas fui para o meu quarto, troquei de roupa e me joguei na cama. Bem-vinda de volta, vida.

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