04 de março de 2013, quarta-feira
Faltei a escola hoje, Diário. Mas não por falta de vontade ou coisa parecida, e sim porque amanheci com febre e muita cólica, então decidi ficar em casa descansando. E venhamos e convenhamos, os professores nunca dão nada de importante nos primeiros dias de aula. Sem falar que tem gente pior que eu, que vai faltar a semana inteirinha por estar viajando na Disney por uma daquelas agências de viagem. Enfim, eu não vou ficar aqui escrevendo sobre viagens para a Disney, não é?
Bem, só fui acordar de dez da manhã. Mais precisamente eu acordei com uma faladeira sem tamanho vindo da sala de estar. Na mesma hora me estressei. Fui até lá à passos de elefante, já preparada para mandar todo mundo calar a boca.
Assim que cheguei até lá, vi dois rostos completamente desconhecidos para mim. Um era um garoto de olhos azuis, cabeça quase raspada e pele branca (muito bonitinho, dica-se de passagem). O outro era uma garota de longos e esticados cabelos loiros, de olhos castanhos e pele branca. Parecia uma daquelas patricinhas vulgares da faculdade do André que de vez em quando viam aqui à "trabalho". E talvez ela até fosse uma.
Quando os dois perceberam que eu estava encarando-os, ficaram sem graça. Provavelmente eles não tiveram uma boa imagem minha: cabelo frizado cor de vômito e olheiras pretas profundas. Eu deveria estar completamente assustadora.
― Ah, oi... Você deve ser a famosa Ana, não é? ― Falou a loura oxigenada.
Esbocei um sorriso amarelo e disse que não.
― Não? ― Ela perguntou, sem entender.
― Não... Eu ainda não sou famosa.
O meu humor estava péssimo hoje de amanhã, Diário, portanto não se assuste.
O garoto lindinho forçou para não rir e a loura deu um tapa em seu braço. Quem era, afinal, aquela dupla ridícula?
De repente o André apareceu equilibrando três copos de pepsi. Cada um pegou o seu refrigerante e tomaram-o quase em um gole só.
― Bom dia, Ana! ― Exclamou o André, sorrindo muito.
Aquele seu sorriso me estressou. Como ele poderia sorrir com a minha desgraça? Eu estava horrível. E pior: estava horrível na frente de um garoto bonito. E além do mais, não estava apenas horrível por fora, estava horrível por dentro também.
― Mal dia, André. ― Falei, fazendo questão de fazer uma expressão bem séria.
― Bom, como podem ver a minha caçulinha é de uma educação invejável... ― Ironizou o idiota do André ― Aninha, esse aqui é o João, mas conhecido como Jota. Jota, essa aqui é minha irmã Ana.
― Prazer, Ana... ― Falou o "Jota", receoso (provavelmente com medo de eu dar um fora daqueles nele).
Dei um sorrisinho e virei a cara para o André, esperando que ele me apresentasse a outra peça.
― E essa aqui... Bom, essa aqui é a Beatriz, aquela que te falei, lembra? Minha namorada.
Como assim???!!! Aquela loura com cara de vômito é a namorada do André? Que mal gosto!
Ótimo. O meu dia havia começado ótimo. Além de eu estar extremamente triste por conta de tudo que ocorreu no meu último mês, ainda me vem uma tal de Beatriz para desgraçar tudo de vez.
― Prazer, Ana. Eu estava muito ansiosa para te conhecer, o André fala tão bem de você...
De repente se formou um nó enorme na minha garganta. Aquelas palavras... "O André fala tão bem de você"... E naquele momento eu estava tratando tão mal as visitas... A Ana antiga jamais faria isso. Essa Beatriz deve estar pensando que o meu irmão é louco de falar bem de mim.
― Você deve ter me achado uma mal educada, né? ― Disse, já chorando.
Corri para o meu quarto e me joguei na cama, enfiando o meu rosto no travesseiro e chorando até não poder mais.
Agora, além de chata e enjoada, eles devem me achar uma mimada chorona.
Alguns instantes mais tarde o André e os seus dois amigos apareceram na porta do meu quarto, com expressões de pena.
― Que tal irmos para uma pizzaria, Aninha? ― Sugeriu o André, para tentar me animar.
― De dez da manhã? Me poupe, André. ― Falei entre um soluço e outro.
Ele se ajoelhou ao lado da cama e entrelaçou a sua mão na minha.
― E daí? Almoço antecipado!
Quando eu dei por mim, eu estava sorrindo.
― Que saudade desse sorriso! ― Falou o André, puxando ainda mais o meu sorriso.
Logo em seguida ele se levantou e disse para eu me aprontar em meia hora.
Fiquei mais uns cinco minutos lamentando a vida, até que decidi deixar a preguiça de lado e me levantar. Tomei banho, escovei os dentes e vesti qualquer roupa. Diferente de quase todas as vezes que saio, não pus um arco ou um laço, fui de cabelo solto mesmo. Ao invés de colocar um salto para não me sentir tão baixinha no meio dos gigantes, coloquei simplesmente um chinelo havaianas e fui em direção a sala, ainda com um pouco de cara de choro.
― Vamos? ― Falei, meia desanimada.
A pizzaria estava lotada, o que só me fez indagar: o que faz uma pessoa vir a uma pizzaria às dez da manhã? Aliás, o que faz metade do Rio de Janeiro vir a uma pizzaria às dez da manhã? Porque, sim, parece que toda a cidade está aqui.
Sentamos na única mesa que estava vaga, bem no canto, onde nem sequer se podia enxergar o ar condicionado, quem dirá sentí-lo.
Apoiei meus dois cotovelos em cima da mesa e coloquei meu rosto entre minhas duas mãos, fazendo minhas bochechas amassarem.
― Vão querer qual pizza, galera? ― Perguntou o tal de Jota.
― Hum... sei lá... quatro queijos, pode ser? ― Sugeriu a tal de Beatriz.
Minha língua estava coçando para dizer que quatro queijos é a pizza mais enjoada que existe, mas preferi ficar calada para eles não pensarem ainda mais que eu sou uma garota mimada e enjoada. Eu não queria sujar o meu filme com os melhores amigos do meu melhor irmão.
― A Ana detesta quatro queijos... ― Comentou o André e eu quase pulei no seu pescoço para beijá-lo ― Vamos pedir uma pizza grande metade portuguesa e metade quatro queijos. Pode ser?
― Pode, sim. ― Falou a Beatriz. ― Por mim está ótimo.
― Por mim também! ― Concordou o Jota ― E pra você, Ana?
Meu coração gelou quando ele disse aquilo. Eu estava tão compenetrada em roer as minhas unhas que já havia esquecido que estava diante dos amigos do André. E não era só isso. O Jota sabia o meu nome e, além disso, lançou um olhar tão penetrante para mim que eu quase desmaiei. E, ok, tudo bem, ele sabe o meu nome porque o André disse, mas mesmo assim.
Eu tenho que parar com essa minha mania de me encantar por todo garoto bonito que vejo pela frente. Meu coração está guardado apenas para um garoto bonito espécifico.
― Tanto faz. ― Respondi simplesmente, fingindo estar desinteressada.
Cinquenta minutos mais tarde (literalmente) a nossa pizza chegou. O que foi bom, em partes, pois já eram onze horas, então não era mais tão cedo assim para se comer uma pizza.
A pizzaria continuava extremamente lotada e sufocante (quando eu digo sufocante, me refiro ao calor que fazia lá dentro, pois estava tão entupido que ninguém mais conseguia sentir o ar condicionado). Uns cinco minutos depois uma mesa de dois lugares que ficava bem em baixo do ar condicionado foi desocupada. Nós quatro nos entre olhamos.
― Quem de nós vai pra lá? ― Perguntou a Beatriz, se abanando com o cardápio.
― Como eu e o André somos cavalheiros, vamos deixar as moças sentarem na melhor mesa. ― Falou o Jota meio em tom de brincadeira.
Me deu um enjôo na barriga só de imaginar eu e a Beatriz almoçando juntas naquele lugar. Eu preferia passar mal no calor horrível que estava fazendo na mesa em que estávamos do que ficar sozinha com ela.
― Eu não me importo de ficar aqui. ― Falei.
― Nem eu. ― Disse o Jota.
― Então eu vou pra lá com a Bia, já que vocês dois não se incomodam. ― Falou o André, provavelmente vibrando por dentro.
Caramba, Diário, eu acho que você simplesmente não tem noção do quanto eu detesto esse apelido: "Bia".
É tão enjoado e horrível que só de ouvir me dá vontade de vomitar na primeira pessoa que eu vir pela frente.
Depois de muita cerimônia o André e a sua namorada acabaram mesmo nos largando sozinhos naquela mesa calorenta. O que só me fez ficar com muita raiva do André. O que ele tem na cabeça, afinal? Eu acabo de conhecer o seu amigo e ele simplesmente me larga sozinha com ele? A gente não tem nem o que conversar, não temos nada em comum.
Ficamos uns quinze minutos em um silêncio constrangedor (provavelmente o Jota tinha medo de mim, já que ele fazia mais o tipo tagarela e estava completamente calado comigo).
― E então...? ― Eu tentei começar uma conversa.
― E então... ― Ele disse e nós dois caímos na gargalhada.
Ufa! Pelo menos assim o clima descongelou.
― Você deve me achar uma/um idiota, né? ― Nós dois dissemos supreendentemente em coral.
Novamente soltamos uma risada.
Eu já estava ficando com medo. Como assim dissemos exatamente a mesma coisa exatamente ao mesmo tempo?
― Não! ― Falamos juntos de novo.
Nós dois simplesmente choramos de rir. Rimos tanto que o garçom até veio na nossa mesa perguntar se queríamos um copo d'água para nos acalmar. Dissemos que não, que estava tudo bem.
Nossa risada foi parando aos poucos e, de repente, estávamos nos olhando. O clima ficou tão constrangedor que minha vontade foi de enfiar minha cara de baixo da toalha da mesa.
Eu não sei como vou te explicar isso, Diário, mas vou tentar. Foi como se eu tivesse enxergado ele ao invés do Jota. Minha cabeça foi girando e meu coração palpitando cada vez mais rápido. O momento falou mais alto e então eu fui me aproximando aos poucos dele, até que nossas respirações se misturaram. A cada segundo que se passava o seu rosto estava ficando cada vez mais parecido com o dele e eu já não sabia mais quem ele realmente era. Até que, de repente, eu me vi beijando o melhor amigo do meu irmão.
Bem, só fui acordar de dez da manhã. Mais precisamente eu acordei com uma faladeira sem tamanho vindo da sala de estar. Na mesma hora me estressei. Fui até lá à passos de elefante, já preparada para mandar todo mundo calar a boca.
Assim que cheguei até lá, vi dois rostos completamente desconhecidos para mim. Um era um garoto de olhos azuis, cabeça quase raspada e pele branca (muito bonitinho, dica-se de passagem). O outro era uma garota de longos e esticados cabelos loiros, de olhos castanhos e pele branca. Parecia uma daquelas patricinhas vulgares da faculdade do André que de vez em quando viam aqui à "trabalho". E talvez ela até fosse uma.
Quando os dois perceberam que eu estava encarando-os, ficaram sem graça. Provavelmente eles não tiveram uma boa imagem minha: cabelo frizado cor de vômito e olheiras pretas profundas. Eu deveria estar completamente assustadora.
― Ah, oi... Você deve ser a famosa Ana, não é? ― Falou a loura oxigenada.
Esbocei um sorriso amarelo e disse que não.
― Não? ― Ela perguntou, sem entender.
― Não... Eu ainda não sou famosa.
O meu humor estava péssimo hoje de amanhã, Diário, portanto não se assuste.
O garoto lindinho forçou para não rir e a loura deu um tapa em seu braço. Quem era, afinal, aquela dupla ridícula?
De repente o André apareceu equilibrando três copos de pepsi. Cada um pegou o seu refrigerante e tomaram-o quase em um gole só.
― Bom dia, Ana! ― Exclamou o André, sorrindo muito.
Aquele seu sorriso me estressou. Como ele poderia sorrir com a minha desgraça? Eu estava horrível. E pior: estava horrível na frente de um garoto bonito. E além do mais, não estava apenas horrível por fora, estava horrível por dentro também.
― Mal dia, André. ― Falei, fazendo questão de fazer uma expressão bem séria.
― Bom, como podem ver a minha caçulinha é de uma educação invejável... ― Ironizou o idiota do André ― Aninha, esse aqui é o João, mas conhecido como Jota. Jota, essa aqui é minha irmã Ana.
― Prazer, Ana... ― Falou o "Jota", receoso (provavelmente com medo de eu dar um fora daqueles nele).
Dei um sorrisinho e virei a cara para o André, esperando que ele me apresentasse a outra peça.
― E essa aqui... Bom, essa aqui é a Beatriz, aquela que te falei, lembra? Minha namorada.
Como assim???!!! Aquela loura com cara de vômito é a namorada do André? Que mal gosto!
Ótimo. O meu dia havia começado ótimo. Além de eu estar extremamente triste por conta de tudo que ocorreu no meu último mês, ainda me vem uma tal de Beatriz para desgraçar tudo de vez.
― Prazer, Ana. Eu estava muito ansiosa para te conhecer, o André fala tão bem de você...
De repente se formou um nó enorme na minha garganta. Aquelas palavras... "O André fala tão bem de você"... E naquele momento eu estava tratando tão mal as visitas... A Ana antiga jamais faria isso. Essa Beatriz deve estar pensando que o meu irmão é louco de falar bem de mim.
― Você deve ter me achado uma mal educada, né? ― Disse, já chorando.
Corri para o meu quarto e me joguei na cama, enfiando o meu rosto no travesseiro e chorando até não poder mais.
Agora, além de chata e enjoada, eles devem me achar uma mimada chorona.
Alguns instantes mais tarde o André e os seus dois amigos apareceram na porta do meu quarto, com expressões de pena.
― Que tal irmos para uma pizzaria, Aninha? ― Sugeriu o André, para tentar me animar.
― De dez da manhã? Me poupe, André. ― Falei entre um soluço e outro.
Ele se ajoelhou ao lado da cama e entrelaçou a sua mão na minha.
― E daí? Almoço antecipado!
Quando eu dei por mim, eu estava sorrindo.
― Que saudade desse sorriso! ― Falou o André, puxando ainda mais o meu sorriso.
Logo em seguida ele se levantou e disse para eu me aprontar em meia hora.
Fiquei mais uns cinco minutos lamentando a vida, até que decidi deixar a preguiça de lado e me levantar. Tomei banho, escovei os dentes e vesti qualquer roupa. Diferente de quase todas as vezes que saio, não pus um arco ou um laço, fui de cabelo solto mesmo. Ao invés de colocar um salto para não me sentir tão baixinha no meio dos gigantes, coloquei simplesmente um chinelo havaianas e fui em direção a sala, ainda com um pouco de cara de choro.
― Vamos? ― Falei, meia desanimada.
A pizzaria estava lotada, o que só me fez indagar: o que faz uma pessoa vir a uma pizzaria às dez da manhã? Aliás, o que faz metade do Rio de Janeiro vir a uma pizzaria às dez da manhã? Porque, sim, parece que toda a cidade está aqui.
Sentamos na única mesa que estava vaga, bem no canto, onde nem sequer se podia enxergar o ar condicionado, quem dirá sentí-lo.
Apoiei meus dois cotovelos em cima da mesa e coloquei meu rosto entre minhas duas mãos, fazendo minhas bochechas amassarem.
― Vão querer qual pizza, galera? ― Perguntou o tal de Jota.
― Hum... sei lá... quatro queijos, pode ser? ― Sugeriu a tal de Beatriz.
Minha língua estava coçando para dizer que quatro queijos é a pizza mais enjoada que existe, mas preferi ficar calada para eles não pensarem ainda mais que eu sou uma garota mimada e enjoada. Eu não queria sujar o meu filme com os melhores amigos do meu melhor irmão.
― A Ana detesta quatro queijos... ― Comentou o André e eu quase pulei no seu pescoço para beijá-lo ― Vamos pedir uma pizza grande metade portuguesa e metade quatro queijos. Pode ser?
― Pode, sim. ― Falou a Beatriz. ― Por mim está ótimo.
― Por mim também! ― Concordou o Jota ― E pra você, Ana?
Meu coração gelou quando ele disse aquilo. Eu estava tão compenetrada em roer as minhas unhas que já havia esquecido que estava diante dos amigos do André. E não era só isso. O Jota sabia o meu nome e, além disso, lançou um olhar tão penetrante para mim que eu quase desmaiei. E, ok, tudo bem, ele sabe o meu nome porque o André disse, mas mesmo assim.
Eu tenho que parar com essa minha mania de me encantar por todo garoto bonito que vejo pela frente. Meu coração está guardado apenas para um garoto bonito espécifico.
― Tanto faz. ― Respondi simplesmente, fingindo estar desinteressada.
Cinquenta minutos mais tarde (literalmente) a nossa pizza chegou. O que foi bom, em partes, pois já eram onze horas, então não era mais tão cedo assim para se comer uma pizza.
A pizzaria continuava extremamente lotada e sufocante (quando eu digo sufocante, me refiro ao calor que fazia lá dentro, pois estava tão entupido que ninguém mais conseguia sentir o ar condicionado). Uns cinco minutos depois uma mesa de dois lugares que ficava bem em baixo do ar condicionado foi desocupada. Nós quatro nos entre olhamos.
― Quem de nós vai pra lá? ― Perguntou a Beatriz, se abanando com o cardápio.
― Como eu e o André somos cavalheiros, vamos deixar as moças sentarem na melhor mesa. ― Falou o Jota meio em tom de brincadeira.
Me deu um enjôo na barriga só de imaginar eu e a Beatriz almoçando juntas naquele lugar. Eu preferia passar mal no calor horrível que estava fazendo na mesa em que estávamos do que ficar sozinha com ela.
― Eu não me importo de ficar aqui. ― Falei.
― Nem eu. ― Disse o Jota.
― Então eu vou pra lá com a Bia, já que vocês dois não se incomodam. ― Falou o André, provavelmente vibrando por dentro.
Caramba, Diário, eu acho que você simplesmente não tem noção do quanto eu detesto esse apelido: "Bia".
É tão enjoado e horrível que só de ouvir me dá vontade de vomitar na primeira pessoa que eu vir pela frente.
Depois de muita cerimônia o André e a sua namorada acabaram mesmo nos largando sozinhos naquela mesa calorenta. O que só me fez ficar com muita raiva do André. O que ele tem na cabeça, afinal? Eu acabo de conhecer o seu amigo e ele simplesmente me larga sozinha com ele? A gente não tem nem o que conversar, não temos nada em comum.
Ficamos uns quinze minutos em um silêncio constrangedor (provavelmente o Jota tinha medo de mim, já que ele fazia mais o tipo tagarela e estava completamente calado comigo).
― E então...? ― Eu tentei começar uma conversa.
― E então... ― Ele disse e nós dois caímos na gargalhada.
Ufa! Pelo menos assim o clima descongelou.
― Você deve me achar uma/um idiota, né? ― Nós dois dissemos supreendentemente em coral.
Novamente soltamos uma risada.
Eu já estava ficando com medo. Como assim dissemos exatamente a mesma coisa exatamente ao mesmo tempo?
― Não! ― Falamos juntos de novo.
Nós dois simplesmente choramos de rir. Rimos tanto que o garçom até veio na nossa mesa perguntar se queríamos um copo d'água para nos acalmar. Dissemos que não, que estava tudo bem.
Nossa risada foi parando aos poucos e, de repente, estávamos nos olhando. O clima ficou tão constrangedor que minha vontade foi de enfiar minha cara de baixo da toalha da mesa.
Eu não sei como vou te explicar isso, Diário, mas vou tentar. Foi como se eu tivesse enxergado ele ao invés do Jota. Minha cabeça foi girando e meu coração palpitando cada vez mais rápido. O momento falou mais alto e então eu fui me aproximando aos poucos dele, até que nossas respirações se misturaram. A cada segundo que se passava o seu rosto estava ficando cada vez mais parecido com o dele e eu já não sabia mais quem ele realmente era. Até que, de repente, eu me vi beijando o melhor amigo do meu irmão.

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