12 de março de 2013, quinta-feira
Acordei como se fosse outra pessoa. Uma pessoa renovada, zerada, que finalmente decidiu mudar e conseguiu. E se ainda não conseguiu, pelo menos, tomou providencia do início dessa mudança. É, é isso aí. A velha Samanta se foi, e eu preciso admitir que gosto mais da nova. Ela é mais decidida, confiante e se valoriza muito mais do que antes. Por mais que hoje tivesse aula, eu não me importei. Nada podia me desanimar no momento. Levantei da cama, fiz todo o meu ritual de sempre e meu pai me levou para o colégio. Vi a Ana, o Arthur, a Juliana e o Gabriel na sala de aula.
- Bom dia! – Exclamei, abrindo um enorme sorriso em seguida.
- Vai, me conta logo! – Ana levantou e correu em minha direção, completamente curiosa e aflita.
- Vai com calma, garota! – Ri, abismada com a reação dela.
- Samanta, você disse que ia me contar logo que chegasse na escola! Vai, conta de uma vez por todas! Antes que eu morra de curiosidade, poxa! – Ana insistia, e eu, claro, só ria.
- Agora vai ter que contar pra todo mundo! – Juliana disse, levantando com Gabriel e Arthur.
- Não é hora de interrogatório, gente. – Sentei, revirando os olhos e querendo fazer mistério.
- Ai, quando a Samanta quer ser irritante, ela consegue! – Juliana resmungou. – Eu detesto ser curiosa!
- Cuidado, a curiosidade matou o gato. No caso, a gata. – Arthur aproveitou o momento para uma das suas piadas sem graça.
- Então, pelo visto, a Samanta não é curiosa, porque ela tá vivinha da Silva. – Gabriel comentou.
- Eu juro que podia passar o resto dos meus dias sem essa! – Arthur gargalhou tanto que ficou vermelho.
- Não vai dar nenhum fora nesse comentário brega do Gabriel, Samanta? – Juliana perguntou, surpresa.
- Que nada! Deixa ele falar. Ele tem uma boca, merece essa liberdade. – Respondi, sorridente. Todos estavam desentendidos.
Ana estava de braços cruzados e me olhando com um olhar mortal. Pelo visto, estava morrendo de raiva por eu estar fazendo aquela cerimônia toda para contar o que eu tinha pra contar. Ela me conhece bem, sabia que eu queria, no mínimo, a irritar e a provocar. Não resisti, puxei o braço dela e saímos correndo pelo corredor da escola em direção ao banheiro. Entramos rápido, antes que Juliana nos visse e paramos, ofegantes.
- Vai contar ou não? – Ana perguntou, já sem paciência.
- Vou, vou! – Falei, ainda cansada. Respirei um pouco e logo voltei a olhá-la de um modo empolgante.
- Desembucha! – Ana me chacoalhou.
- Eu e o John estamos namorando. – Soltei de vez.
Ana ouviu e apenas ficou séria.
- Ah, fala sério, Samanta! Não tem graça. Ele tá magoado com esse assunto, não acho legal você ficar brincando com uma coisa dessas. – Ela dizia, com cara de pena.
- Ana...
- Ele me mandou um e-mail super fofo dizendo o quanto queria que você gostasse dele e o quanto tava super mal com o que houve lá na casa da Ju. – Ana continuava.
- Ana.
- Na minha opinião, você devia dá uma chance pra ele! O John é um cara muito gente boa e vai te tratar como uma princesa, além de que...
- ANA! – Gritei. Ana parou de falar, arregalou os olhos e me olhou atenta.
- Eu e o John ESTAMOS namorando. – Repeti.
Ela inclinou a cabeça e franziu a testa, como se perguntasse mais uma vez se isso era verdade, esperando uma confirmação. Suspirei e balancei a cabeça positivamente. No mesmo momento, Ana começou a saltitar e pular pelo banheiro com a notícia.
- Ai, caramba! Eu mal posso acreditar! Vocês são tão fofos juntos! O John deve estar tão feliz nesse momento! Nós três podíamos marcar de sair um dia desses e conversar! Vai ser tão divertido! – Ela tagarelava, fazendo planos e com os olhos brilhando.
- É, pode ser... – Ria.
Vendo que Ana não ia parar de falar tão cedo, decidi puxar o braço dela e levá-la de volta para a sala, enquanto ela ainda sim continuava soltando frases constantemente. A aula começou e trocamos bilhetinhos o dia inteiro. Conversamos sobre isso e Ana me convidou para ir ao seu apartamento quando a aula acabasse. Aceitei! O tempo foi passando, o recreio passou e o sinal da saída finalmente soou! Gabriel e Juliana ainda continuaram insistindo para que contássemos o segredo, mas eu disse que contaria depois. Eles estavam tão interessados para saber da notícia que ficaram a todo instante tentando roubar os recados e ler o que eu e Ana estávamos falando sobre John. Bom, agora ele é o meu namorado. Logo, logo eles iriam saber disso. Não se deve esconder uma coisa dessas dos seus amigos, nem mesmo dá pra esconder uma coisa dessas dos seus amigos...
Liguei para os meus pais e pedi para ir para o apartamento de Ana. Para a nossa alegria, eles deixaram! Saímos do colégio e o pai de Ana estava a esperando no carro na esquina. Fomos até lá e entramos. Minutos depois, chegamos no condomínio e subimos correndo para o apartamento! Sim, subimos correndo literalmente. Não usamos o elevador, e sim, as escadas. Fingimos que estávamos em uma perseguição. Eu era o ladrão e Ana, a vítima. Ela fugia de mim assustada e gritava de nervosismo, enquanto eu também gritava para assustá-la. Assim que chegamos no andar, caímos na risada. Entramos no apartamento e vimos André sentado na sala com uma garota loira. Provavelmente era a sua namorada, Beatriz, a garota que tanto Ana falava mal.
- Oi, maninho! – Ana o abraçou, sorrindo.
- Oi, Anoca. – Ele riu, bagunçando o cabelo dela.
- Samanta, essa é a Beatriz, a namorada do André. E Beatriz, essa é a Samanta, minha melhor amiga. – Ana nos apresentou. Beatriz me olhou dos pés a cabeça e abriu um sorriso amarelo.
- Olá, Samanta! Amei o seu tênis! Onde você comprou? – Beatriz me cumprimentou.
- Ah, obrigada! Eu comprei pela internet mesmo. – Respondi. – Já eu amei o seu namorado! Onde você arranjou?
No mesmo momento, Ana me olhou vermelha e começamos a rir. Saímos correndo para o seu quarto e o trancamos. Caímos na cama e rimos novamente. Nós somos tão bobas! Eu amo ser boba, principalmente do lado da Ana.
- Samanta, você não tem jeito! – Ana ria e imprensava a barriga com as mãos.
- Ah, vai me dizer que você não gostou? – Perguntei, rindo.
- Gostei até demais!
Logo depois, fomos para a cozinha almoçar. André e sua namorada não estavam mais na sala, deviam ter saído. Comemos e Ana decidiu ligar para John para ele dar uma passada no apartamento dela. Fiquei super empolgada e concordei. Ela discou o número e ele atendeu. No mesmo instante, a campainha tocou. Fui até a porta e abri, afinal de contas, Ana estava ocupada falando no telefone. Dei uma olhada no olho mágico e avistei Jota lá, parado, olhando para baixo e com as mãos enfiadas no bolso. Destranquei a porta.
- Olha só quem decidiu aparecer! O lobo mau! Por que não soprou o apartamento até derrubá-lo ao invés de tocar a campainha? Que sem graça! – Jota riu.
- Eu não queria machucar as minhas lindas porquinhas! – Ele respondeu, dando um sorriso e coçando sua barba.
- Ah, conta outra! Como se você pudesse machucar alguém. Não deve ter coragem nem de matar uma formiga!
- Eu machucaria para salvar minhas belas donzelas. - Jota piscou e mudou de assunto. - Você vai ficar mesmo me barrando ou eu posso entrar?
- Eu não deixaria, mas o apartamento não é meu, né. Fazer o que... – Respondi, rindo. Jota entrou e eu fechei a porta.
- Seu senso de humor é mesmo de se admirar. – Jota comentou em meio a um sorriso, me olhando fixamente.
- Queria poder dizer o mesmo. – Pisquei, cruzando os braços.
- Jota? O que faz aqui? – Ana se assustou ao chegar na sala com o telefone na mão.
- Caramba! Como estou sendo bem recepcionado hoje nessa casa. – Ele riu, batendo as mãos nas pernas.
- Apartamento, tecnicamente. – Decidi comentar.
- Casa, tecnicamente. – Jota retrucou.
- Casa, apartamento! Que seja, gente! – Ana riu.
- Bom, já que o Jota não vai responder... Ana, ele vem ou não? – Perguntei.
- Quem? O John? Mas é claro que vem! Aliás, ele já deve estar chegando! – Ana respondeu, animada.
- Ah, aquele cara meio sem noção que tava na festa. – Jota comentou.
- É, meu namorado. – Respondi, sorrindo sinicamente. Jota levantou as mãos.
- Foi mal, mas sou mais eu. – Ele falou.
- Ai ai... O mundo tá perdido. – Disse, depois de uma alta gargalhada. Ana riu e Jota deu um sorriso convencido, sentando no sofá.
Sentei no outro e Ana sentou do meu lado. Nós três ficamos conversando um pouco, até a campainha tocar novamente. Levantei empolgada e corri até a porta. Olhei pelo olho mágico e lá estava ele, lindo e paciente. Sorri e destranquei a porta.
- Olá, posso falar com a Ana? – John perguntou, sorrindo. Ri, dei um beijo em sua bochecha e o abracei forte. – Nada mal! – Ele falou, me abraçando de volta e cheirando o meu cabelo.
- Ah, fala sério! Nem rola um beijo na boca? – Jota perguntou, sendo totalmente inconveniente e idiota.
- Pode rolar um soco na cara, que tal? – O ameacei, fazendo John e Ana riram.
Fechei a porta e eu e John fomos em direção aos sofás. John sentou do lado de Jota em um dos sofás e eu, do de Ana em outro sofá.
- Acho que não fomos apresentados devidamente no outro dia. – John falou para Jota. – Prazer, eu sou o John. – Ele esticou a mão.
- Nossa, não esperava que o namorado da Samanta fosse assim não refinado... – Jota comentou, apertando a mão do John.
- O que quer dizer com isso? – Perguntei.
- Não vai querer que ele responda, Sam... – Ana riu.
Passamos a tarde inteira conversando, só nós quatro. Resolvemos ir para o quarto de Ana para conversar melhor. Conversa vai, conversa vem, até que chegamos em um assunto bem tenso, eu diria...
― Bom, ao invés de um quarteto amoroso, eu proponho que formemos um quarteto... musical. – John falou, logo após desconsiderar uma ideia estúpida do Jota.
- Uma banda? – Perguntei, assustada e perplexa.
Assim que John falou aquilo, meu coração gelou. Olhei para Ana e ela estava com os olhos brilhando, totalmente de acordo com a ideia e por ela, podíamos começar a cantar ali mesmo. Jota ficou totalmente surpreso e me olhava desconcertado. John esperava uma resposta de nós três e eu só conseguia pensar na loucura que tinha sido aquela ideia.
- E aí, o que me diz? – John me perguntou, segurando a minha mão e sorrindo.
- Não me leva a mal, gente, mas sem chance nenhuma... – Falei, surpresa e perplexa. – Isso é loucura. Eu não me vejo numa banda, não tenho vocação pra fazer parte de uma e prefiro continuar pensando na minha carreira como modelo, obrigada.
- Samanta! Seria incrível! Imagina, nós quatro dentro de uma mesma banda! Podíamos ensaiar, compor juntos, tocar em lugares e ainda por cima trabalhar juntos! Eu não consigo pensar numa ideia melhor que essa! – Ana parecia estar mais feliz do que nunca, afinal de contas, estávamos falando do seu sonho. – John, você é genial!
- Ana...
- Olha, não precisamos de uma resposta nesse momento. Vamos pensar nisso com calma e tomar uma decisão em conjunto. Tá bom? – John me interrompeu, olhando para nós três.
Balancei a cabeça e Ana disse que sim. Jota parecia confuso, parecia estar com medo daquela ideia. Eu não me sentia nada diferente. Uma banda? Não que fosse ruim trabalhar junto com Ana, Jota e John, mas eu não tinha certeza se tinha talento pra uma coisa daquelas! Ana tem uma voz linda e John é ótimo tecladista. Pelo que Ana me contou, Jota é bom na bateria e onde fico eu nessa história? Tocando triângulo? Bom, Ana sempre disse que a minha voz era bonita, mas eu nunca acreditei muito nisso. Só cantava mesmo por hobby, mas nunca pensei em usar as minhas cordas vocais para algo realmente sério. Aliás, ter uma banda não é nada fácil! Não sei se aguentaria aqueles fotógrafos chatos no meu pé pra qualquer lugar que eu vá e não ter privacidade alguma, nem controle da minha própria vida. Eu só conseguia pensar em palco como passarela, não com microfones e instrumentos musicais! Depois que tocamos nesse assunto, todos ficamos calados. Bom, pelo menos eu, Jota e John, que só ria pela animação da Ana. O clima ficou um tanto que pesado. Decidi ver que horas eram e já era tarde, mas resolvi ficar mais um pouco por lá, conversando. John levantou do sofá e se despediu de todos, pois já estava de saída para o seu hotel.
- Nos vemos depois, Ana! – John a abraçou. – Cuida bem dela enquanto a sua família não chega, hein, Jota!
- Pode deixar. Vou cuidar direitinho dela. – Ele a olhou, estalando os dedos.
- Eu sei me cuidar. – Ana decidiu falar, o olhando séria. Ri.
Assim que John falou aquilo, meu coração gelou. Olhei para Ana e ela estava com os olhos brilhando, totalmente de acordo com a ideia e por ela, podíamos começar a cantar ali mesmo. Jota ficou totalmente surpreso e me olhava desconcertado. John esperava uma resposta de nós três e eu só conseguia pensar na loucura que tinha sido aquela ideia.
- E aí, o que me diz? – John me perguntou, segurando a minha mão e sorrindo.
- Não me leva a mal, gente, mas sem chance nenhuma... – Falei, surpresa e perplexa. – Isso é loucura. Eu não me vejo numa banda, não tenho vocação pra fazer parte de uma e prefiro continuar pensando na minha carreira como modelo, obrigada.
- Samanta! Seria incrível! Imagina, nós quatro dentro de uma mesma banda! Podíamos ensaiar, compor juntos, tocar em lugares e ainda por cima trabalhar juntos! Eu não consigo pensar numa ideia melhor que essa! – Ana parecia estar mais feliz do que nunca, afinal de contas, estávamos falando do seu sonho. – John, você é genial!
- Ana...
- Olha, não precisamos de uma resposta nesse momento. Vamos pensar nisso com calma e tomar uma decisão em conjunto. Tá bom? – John me interrompeu, olhando para nós três.
Balancei a cabeça e Ana disse que sim. Jota parecia confuso, parecia estar com medo daquela ideia. Eu não me sentia nada diferente. Uma banda? Não que fosse ruim trabalhar junto com Ana, Jota e John, mas eu não tinha certeza se tinha talento pra uma coisa daquelas! Ana tem uma voz linda e John é ótimo tecladista. Pelo que Ana me contou, Jota é bom na bateria e onde fico eu nessa história? Tocando triângulo? Bom, Ana sempre disse que a minha voz era bonita, mas eu nunca acreditei muito nisso. Só cantava mesmo por hobby, mas nunca pensei em usar as minhas cordas vocais para algo realmente sério. Aliás, ter uma banda não é nada fácil! Não sei se aguentaria aqueles fotógrafos chatos no meu pé pra qualquer lugar que eu vá e não ter privacidade alguma, nem controle da minha própria vida. Eu só conseguia pensar em palco como passarela, não com microfones e instrumentos musicais! Depois que tocamos nesse assunto, todos ficamos calados. Bom, pelo menos eu, Jota e John, que só ria pela animação da Ana. O clima ficou um tanto que pesado. Decidi ver que horas eram e já era tarde, mas resolvi ficar mais um pouco por lá, conversando. John levantou do sofá e se despediu de todos, pois já estava de saída para o seu hotel.
- Nos vemos depois, Ana! – John a abraçou. – Cuida bem dela enquanto a sua família não chega, hein, Jota!
- Pode deixar. Vou cuidar direitinho dela. – Ele a olhou, estalando os dedos.
- Eu sei me cuidar. – Ana decidiu falar, o olhando séria. Ri.
- Não quer mesmo que eu te dei no seu
condomínio? – John me perguntou, com as mãos no m eu rosto.
- Não precisa, John! Daqui a pouco
meu pai chega do trabalho e eu peço pra ele me pegar. Afinal de contas, quem
sabe o que pode acontecer nesse apartamento se eu sair e deixar esses dois a
sós por uns cinco minutos? – Ri e os encarei.
- Pois é, pode rolar de tudo... –
Jota falou, olhando atentamente para Ana.
- No mínimo, uma briga das feias! –
Ana comentou, encarando Jota. John riu.
- Não esqueçam de pensar na proposta, pessoal. Ela é bem séria! – John nos lembrou. – Até mais, Ana! Bom te conhecer melhor, Jota. – John sorriu e me deu um beijo.
Fui o deixar na porta e ele se foi. Voltei para o sofá e eu, Ana e Jota continuamos conversando um pouco, até que não deu muito tempo e o interfone tocou. Um dos porteiros disse que o meu pai estava me esperando lá embaixo. Me despedi dos dois e desci. Entrei no carro e dei um beijo na bochecha do meu pai. Ele começou a me contar coisas que aconteceram no escritório nessa tarde, mas pra falar a verdade, eu não conseguia prestar atenção em nada que saia da sua boca. Estava ocupada demais com a cabeça nas palavras que John havia falado. Será que vale a pena arriscar? Arriscar tudo assim, de uma vez só? Bom, se eu já me arrisquei uma vez, por que não me arriscar outra?
- Não esqueçam de pensar na proposta, pessoal. Ela é bem séria! – John nos lembrou. – Até mais, Ana! Bom te conhecer melhor, Jota. – John sorriu e me deu um beijo.
Fui o deixar na porta e ele se foi. Voltei para o sofá e eu, Ana e Jota continuamos conversando um pouco, até que não deu muito tempo e o interfone tocou. Um dos porteiros disse que o meu pai estava me esperando lá embaixo. Me despedi dos dois e desci. Entrei no carro e dei um beijo na bochecha do meu pai. Ele começou a me contar coisas que aconteceram no escritório nessa tarde, mas pra falar a verdade, eu não conseguia prestar atenção em nada que saia da sua boca. Estava ocupada demais com a cabeça nas palavras que John havia falado. Será que vale a pena arriscar? Arriscar tudo assim, de uma vez só? Bom, se eu já me arrisquei uma vez, por que não me arriscar outra?

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