quarta-feira, 1 de maio de 2013

CAPÍTULO 52


Diário da Samanta
07 de março de 2013, sábado

                                              



Minha cabeça rodopiava sem parar, só nos mesmos pensamentos, claro: John, Harry. Harry, John. Um, nem lembra mais da minha existência e já está com outra, sem um pingo de consideração consigo mesmo e comigo. Já o outro, me trata como uma princesa e faz de tudo para me ver feliz, mas que acabou se afastando e indo embora por causa do meu gênio extremamente forte e impulsivo. Sempre esse gênio infeliz, fazendo da minha vida um inferno. De repente, ouvi o barulho da porta do banheiro abrindo e me levantei rapidamente da privada, colocando minha máscara de volta e arrumando meu cabelo.


- Olha quem está aqui! – Juliana exclamou, me abraçando e me olhando de cima a baixo. – Deslumbrante, como sempre!
- Branca de Neve, onde estão os sete anões? – Perguntei, analisando sua fantasia e querendo esconder a minha tristeza.
- E aí, gostou? – Ela ficou extremamente satisfeita e feliz, girando e fazendo uma pose.
- Amei. – Sorri. 
- O Gabriel estava te procurando, ele tá doido pra te ver! – Juliana falou, pra completar a minha alegria. – A peça está fantasiada de Goku. Nós duas rimos.
- Deve estar uma beleza! Depois dessa, vou até procurar ele. – Falei, dando um abraço na Juliana e saindo do banheiro.

Fui andando pela festa, tentando achar Gabriel, ou melhor, Goku. Talvez ver a fantasia dele me animasse um pouco e me fizesse rir. Andei, andei e nada de achar o guerreiro. Já havia ido procurar em todos os lugares da casa: Jardim, quintal, cozinha, banheiro, quarto da Juliana. E nada, nada de achar o indivíduo. Acabei lembrando que faltava ver na varanda! Resolvi ir lá e não encontrei Gabriel, mas encontrei Ana e um garoto, que parecia mais um homem feito. Ana não parou de elogiar a minha fantasia, sabia que ela teria aquela reação. Afinal de contas, gato (a) é a paixão dela. Ana provavelmente não percebeu os meus olhos inchados e minha expressão triste, porque, obviamente, a máscara estava escondendo. Mas foi bom isso ter ficado assim, eu não queria tocar naquele assunto de forma alguma. Já bastava ele apenas na minha cabeça. Ela estava fantasiada de chapeuzinho vermelho e o seu amigo, de lobo mau. Aparentemente, eles combinaram de irem assim. Hm, Ana devia estar ligadinha demais nele. Finalmente, ele me cumprimentou e eu o cumprimentei de volta. Não podia negar: Ele era encantador e charmoso ao extremo, o nome dele era Jota. No mesmo instante, Ana falou que nos deixaria sozinhos e saiu correndo dali. Fiquei sem entender absolutamente nada. 

- O que deu na Ana? – Perguntei, desentendida. – Sair assim correndo, sem mais nem menos!
- Eu acho que ela não quer admitir que está caidinha por mim. – Jota comentou, parecendo convencido e sonhador ao mesmo tempo.
- Pelo visto, você que está caidinho por ela. – O provoquei, tentando arrancar alguma informação.
- Eu não me apaixono tão fácil assim. – Ele deu uma de durão. – Mas vem cá, você está sozinha?
- Na verdade, sozinha, eu nunca estou. Pode ter certeza. – Ri. – Mas desacompanhada, sim. Como essa noite. 
- Agora desacompanhada você não está mais. – Jota falou, com um olhar encantador e passando a mão em sua barba. 
- Eu conheço bem esse seu tipo, Jota. – O avisei, rachando graça de tudo aquilo e rindo. – Muito bem.
- Que tipo? – Ele perguntou, levantando uma das sobrancelhas. – Eu só quis ser educado.
- E eu falei que você não quis ser? – Nós dois rimos, Jota era bem legal. Por alguns segundos, ele ficou me observando.
- E eu conheço bem esse seu tipo. – Ele retrucou, rindo.
- Ah, é? Então descreva esse meu tipo, porque até eu quero começar a conhecê-lo. – O desafiei. Jota gargalhou. 
- Garota, você é perigosa. – Ele pausou e me olhou. - Eu gosto disso.
- Na verdade, me diga do que você não gosta! – Ri e o olhou debochadamente. – Cafajestes como você não desperdiçam nada. – Jota riu junto.
- E ainda tem senso de humor!
- Mais do que você imagina. 

Depois disso, Jota só ficou me olhando e eu, olhando para ele. Aquele garoto devia ser mais convencido que não sei o que, dava para perceber. Não consigo imaginar Ana gostando desse Jota, eles são totalmente diferentes. Se bem que Ana também é bem diferente de mim e me considera a sua melhor amiga. É, retiro o que eu disse.

- Vamos procurar Ana? – Perguntei, levantando da poltrona e retirando a minha máscara.
- Uau, você nem precisava dessa máscara pra virar uma gata. – Jota falou, também se levantando e me fitando.
- Sorte minha que lobo gosta de vovozinha, não de gata. – Ri, revirando os olhos e colocando a minha máscara de volta. – Ah, e também, agora, de chapeuzinho vermelho, pelo visto. 
- Será que lobo não gosta de gata? – Jota falou, piscando para mim. – Agora, vou ter que achar a chapeuzinho, fiquei de cuidar dela essa noite. Viu só, não sou um lobo tão mau assim.
- Homem quando fica apaixonado, fica bonzinho assim mesmo. – Ri, insistindo em arrancar algo dele.
- Interprete como quiser! Então, vai me acompanhar? – Ele perguntou.
- Claro, até porque fui eu que te chamei primeiro. – Dei um sorriso sínico, saindo da varanda. Jota veio logo atrás, me seguindo.

Fomos até o bar ver se Ana estava por lá e quando a encontrei, encontrei alguém ali também com ela. Fiquei totalmente perdida, sem noção do que estava vendo. Ela estava conversando com John. Estavam todos íntimos e rindo um com o outro. Que história era aquela? John não havia ido embora? Achava que ele lá estava bem longe dali! Mas não, ele resolveu voltar e ficou no maior papo com a Ana. Pra piorar, não estavam nem conversando, e sim, tocando um no outro e morrendo de rir.

                                                 
                                                     



Pois é, parece que John nãoe estava nada triste com o que houve. Foi só ver a Ana, que se animou todinho. Precisava tirar aquela história à limpo.

- O que está fazendo aqui, John? – Perguntei, me intrometendo entre os dois e o olhando, desentendida.
- E o que está fazendo com esse cara, Ana? – Jota também perguntou, parecendo sério e incomodado. 
- O que vocês estavam fazendo esse tempo todo sozinhos lá fora? – Ana respondeu com outra pergunta, querendo fazer birra.
- Ah, não sei! Talvez nos agarrando, engolindo um ao outro, quem sabe? – Exclamei, indignada com a pergunta dela e totalmente.
- Eu, sinceramente, achei que sim! – Ana respondeu, dando um sorriso sínico. Logo, se virou para John. – John, por favor, vamos sair daqui! Não estou me sentindo bem.
- Ana, eu prometi para o seu irmão que cuidaria de você! – Jota se intrometeu, irritado.
- Me poupe, Jota! Não sou mais um bebê. – Ela o ignorou. – Vamos, John.

Quando Ana ia puxar John para eles saírem dali, eu o puxei mais forte e o levei para outro lugar. Olhei para Jota e ele tentava impedir Ana de correr. Era só o que me faltava!

- Que foi, não conseguiu comigo e foi tentar com a minha melhor amiga? – Perguntei, totalmente revoltada e irritada com a falta de reação por parte do John.
- Não, eu não sou como os garotos que você já se relacionou, Samanta. – John falou, colocando as mãos nos bolsos da calça e me encarando, passando a língua nos lábios.
- Você me disse que ia embora e quando eu menos espero, está lá, morrendo de rir com a Ana. Eu não estou te entendendo, sinceramente! Há alguns minutos atrás, era apaixonado por mim, e agora, nem se importa por eu ter te rejeitado? – Continuei, querendo uma resposta descente e completamente irritada.
- O que você queria, que eu voltasse para o meu hotel e ficasse chorando por uma escolha errada sua, e não minha? – Ele perguntou, ainda me encarando.
- Talvez, sim! Assim pelo menos eu descobriria que você se importa comigo! – Respondi, alterada.
- Se pelo o que eu fiz até hoje, você ainda não se convenceu do que eu realmente sinto por você, creio que nunca vai conseguir. – John olhava nos meus olhos, parecendo no fundo, magoado.
- Então é isso... você vai desistir assim de mim, sem nem lutar? – Fiquei decepcionada.
- Eu lutei, Samanta. Eu lutei. – Ele respondeu. – Mas eu sei admitir e perceber quando eu perdi uma batalha. 

John me olhou totalmente decepcionado e saiu dali, me deixando sozinha e desamparada. A única derrotada ali, sem dúvida alguma, era eu.




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